Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Os Recantos da Mente Humana

A mente humana tem recantos complexos. Por exemplo, há sítios do nosso desejo que nos levam a repelir o que amamos, a esconder aquilo de que nos orgulhamos, a calar o que queremos gritar ou, simplesmente, a complicar o que queríamos simplificar.
Aposto que quem fez esta placa com indicações de trânsito queria ajudar… pois… acabou produzindo uma das placas mais confusas que já vi e até consigo garantir que entre o traçado real e o desenho há diferenças significativas. São terras simpáticas, de gente boa, e são também as terras onde há uma placa com indicações que nasceram num qualquer e imperscrutável recanto da mente humana.


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A Síndrome da Cueca Entalada

Há problemas que afectam a nossa sociedade e dos quais quase ninguém fala. Nem um protestozinho, nem uma reivindicação, nem nada. Dos muitos que me preocupam, o que mais recentemente me tem atormentado é a Síndrome da Cueca Entalada, vulgarmente conhecida por entre as gentes como SICUE ou ainda por “Será que Alguém Está a Ver?”. E a verdade é que na maioria dos casos está mesmo alguém a ver.
Importa referir, em primeiro lugar, que não se admite em pleno século XXI, em plena era das tecnologias, tendo o homem ido à lua, criado os computadores, os telemóveis, os comandos a distância e a alheira de Mirandela, que não se tenha ainda encontrado solução técnica para superar esta praga.
É evidente que a qualidade da cueca pode ajudar, mas não resolve, não constitui garante suficiente.
Ora, se a consequência mais incomodativa pode ser esse desagradável efeito secundário designado de “Rabo Assado”, não há dúvida que a mais prejudicial para os próprios e terceiros é esse nefasto efeito estético que é ir uma pessoa na rua e, de repente, porque sucumbe ao incómodo, levar a mão ao rabo para desentalar a cueca. Isto pode estragar uma reunião, um dia de trabalho, arruinar uma reputação.
E porquê este discorrer filosófico sobre tão interessante fenómeno? Simples. Porque um amigo meu presenciou decadente e defraudante cena em plena via pública. Era uma senhora que, já não estando na flor da juventude, de velha não podia chamar-se ainda. Ia elegantemente vestida, com sedas vaporosas e tons leves. Eximiamente penteada e abundantemente assessorizada por brincos, fios e pulseiras de excelso quilate. Deslizava sua elegância na via pública e distribuía a quem passava um apurado sentido estético e um facilmente identificável bom-gosto. Sem discussões. Era um prazer e um deleite vê-la deslizar. E é neste climático momento que, mesmo à frente do meu amigo, a elegância em pessoa, alçou o braço direito, dobrou-o para trás, enfiou a unha perfeitamente pintada sob o elástico da cueca e a desentalou de onde entalada estava. E o mundo desfez-se na mesquinhez do gesto, e a elegância perdeu-se na pobreza da atitude, o sentido estético esvaiu-se no gesto grosseiro. E porquê? Porque, tecnicamente, ainda se não conseguiu debelar a síndrome. Imperdoável! Anda a Humanidade a acumular cortex cerebral há 40 milhões de anos e depois joga fora a elegância conquistada com um gesto vítima da sua própria incapacidade. Nem ao menos, a diva, naquele momento, se lembrou de oferecer as costas à parede e disfarçar a atitude num gesto rápido. Não. Demorou-se.
Andam os homens tão atarefados com questões relacionadas com as finanças e o endividamento e não resolvem estas prementes questões que são, claramente, de saúde pública. E atenção: afectam-nos a todos. Sim, mais tarde ou mais cedo, cada um de nós será vítima do incómodo e da tentação. Aqui fica, pois, o repto à comunidade científica, aos políticos e aos responsáveis pelos destinos das nações: combatamos a SICUE, já!


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Como é que diz que disse?

Um dia destes tive um furo. Evento comum, mas sempre desagradável. Mudar o pneu estava fora de questão por uma razão simples: o meu carro não tem pneu sobresselente. Tem um kit! Segundo o vendedor, parece que a suspensão toda xpto não deixa espaço para o dito e então vai de kit…
Estava muito descansadinho a tentar remendar o furo com o kit, quando parou um carro de pessoas muito simpáticas, por acaso minhas conhecidas. Mãe e filho. Já há pouca gente assim, suficientemente simpática e prestável para parar o carro e ver o que é que o azarado precisa. O engraçado da coisa foi a conversa que se seguiu. Eu estava a tentar explicar a razão de não ter pneu sobresselente, ela fez um comentário imperdível e ele apressou-se a corrigir:
– Traz um kit. Vou tentar remendar o furo com ele porque estes pneus são caríssimos.
– É, são daqueles topless!
– Tubeless!


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Colheita de ’67 – (4)

E pronto, vou terminar por aqui as referências à Colheita de ’67. Acho eu. Perguntaram-me por e-mail porque fazia isto. Por duas razões. Porque sou de 67 e porque tenho muitos, bons e determinantes amigos que também o são. Mais nada.
Literatura.
Ainda não tinha referido esta área. Mas era uma pena se o não fizesse. Foi publicado em 1967 um dos mais extraordinários livros da História da Humanidade e não, não estou a exagerar. Em 30 de Maio desse ano Gabriel García Márquez publica Cem Anos de Solidão. Outros livros interessantes publicados nesse ano:
The Magic Toy Shop – Angela Carter.
Asterix, O Legionário – Goscinny e Uderzo.
The Nine Billion Names of God – Arthur C. Clarke
O Diário de Anaïs Nin – Anaïs Nin.
La Femme Rompue – Simone Beauvoir
A Brincadeira – Milan Kundera.
O Macaco Nu – Desmond Morris.
Música.
O Festival Europeu da Canção foi ganho por Sandy Shaw que cantou Puppet on a String. Mais popular do que a própria canção foi a apresentação de Sandy em palco: descalça!
No circuito comercial, assinalo mais quatro canções históricas que nasceram em 1967:
– Respect – Aretha Franklin.
– Lets Spend the Night Toghether – Rolling Stones.
– Strawberry Fields Forever – Beatles.
– Somebody to Love – Jefferson Airplane.
Nobel.
Literatura – Miguel Angel Asturias (Guatemala)
Medicina – George Wald, Haldan Hartline, Ragnar Granit.
Física – Hans Albrecht Bethe
Química – George Porter
E uma particularidade interessante: em 1967 não houve Prémio Nobel da Paz!
Vinhos.
Alguns dos mais interessantes vinhos produzidos em 1967:
Porto Dalva.
Dão Constantino.
Barros.
Poças.
Sociedade/Política.
Em Junho de 67 aconteceu uma das guerras mais letais e fugazes de sempre. Opôs o estado de Israel a uma frente de países Árabes e ficou conhecida como a “Guerra dos Seis Dias”. Começou em 5 de Junho, pelas 7 e 10h da manhã.
Em 9 de Outubro morre Che Guevara.
Ciência.
1967 foi um mau ano para a investigação espacial:
A Apolo 1 – USA – faz um teste de lançamento, incendeia-se e morrem os três astronautas a bordo: Ed White, Virgil Grissom e Roger Chafee.
A Soyuz 1 – URSS – incendeia-se durante um vôo e morre o astronauta Vladimir Komarov.
É em 1967 que se faz a Primeira Transmissão Mundial de Televisão Via Satélite. Na altura foi transmitida a canção All You Need is Love dos Beatles.
Natureza.
Em 1967 aconteceu uma das maiores catástrofes naturais que se abateu sobre Portugal. As cheias do Tejo na Grande Lisboa provocaram, segundo o Diário de Notícias da altura, 427 mortos.
E pronto, amigos da Colheita de ’67, o nosso ano foi comum, teve coisas boas e coisas más, mas teve algo de especial: para nós, começou a contagem!
Um abraço, jpv.


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Colheita de ’67 – (3)

Em 1967 conheceu a luz dos dias e gravou-se na memória dos homens uma canção que tem tanto de fantástica como teve, na altura, de polémica: Light My Fire dos “The Doors”. Menos conhecida, mas na linha do peace and love que atravessou os anos 60, nesse ano de extraordinária colheita, um grupo que parecia cantar em falsete, mas cujo sucesso se tornou inquestionável, os Bee Gees, deu ao mundo uma canção que viria a encher corações e telas de cinema uma vez que foi diversas vezes adaptada: To Love Somebody.
E o cinema? O que nos deu nesse ano? Deixarei notícia só de alguns títulos mais conhecidos. Talvez não tenha sido um ano de filmes memoráveis, ainda assim, produziram-se excelentes fitas:
007 – Só Se Vive Duas Vezes.
A Vigésima Quinta Hora.
Adivinha Quem Vem para Jantar.
Dias de Ira.
O Fantástico Dr. Dolitle.
Bonnie and Clyde
A Noite dos Generais.
No Calor da Noite.
O Presidiário
Bob Dylan . Don´t Look Back
Outro aspecto interessante é sabermos que personagens mais ou menos conhecidas nasceram no nosso ano. Assim, numa busca pouco criteriosa, descobri que são da colheita de ’67 as seguintes senhoras e cavalheiros:
Carla Bruni
Julia Roberts
Nicole Kidman
Pamela Anderson
Guy Pearce
Mark Ruffalo
Keith Urbam
Kurt Cobain
Já agora, em 1967 foi aprovada a Nomenclatura Gramatical Portuguesa através da portaria 22664.
Quanto ao Futebol, 1967 também trouxe algo pouco comum. Não se trata do Campeão Nacional que foi o Benfica com 43 pontos, mas sim um intruso entre os “três grandes” que, nesse ano, acabou em segundo lugar. Foi a Académica de Coimbra. De resto, nesse ano a Briosa esteve perto de tudo e não conquistou nada. Uma pena, adoro a Académica. Foi à final da Taça de Portugal que o Vitória de Setúbal ganhou por 3-2. A Académica eliminou o Braga e o Benfica. O V. Setúbal eliminou o Porto.

As musiquinhas:

Pessoas nascidas em 67. Escolhi algumas imagens a título de exemplo e AO ACASO, SEM NENHUM CRITÉRIO… (hahaha):
Nicole Kidman
Julia Roberts
Carla Bruni


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Colheita de ’67 – (2)

Em Maio de 67 um grupo inglês denominado Procul Harum lança a canção Wither Shade of Pale. Em Junho desse ano foi nº1 nos Estados Unidos, mas esse não foi o seu maior feito. A musicalidade da canção levou-a a ser gravada por mais de 900 artistas.
Também em 1967 nasceu uma das maiores canções de sempre. E quando refiro “maiores” é à letra, ou seja, a canção, na sua versão original, tinha mais de 7 minutos. Não obstante ser belíssima, a sua extensão impediu-a de subir nos tops. Em 1972 foi re-editada numa versão mais curta e alcançou o 2º lugar em Inglaterra. Chama-se Nights In White Satin e é uma criação dos Moody Blues.
Muito bem, e para não ficarem a pensar que em 1967 foi só música boa e carros fantásticos aqui fica uma informação interessante. Aconteceu na África do Sul. Em 1967 fez-se o primeiro transplante de coração humano. O médico foi Christiaan Barnard. O paciente de 53 anos chamava-se Louis Waskansky e sobreviveu 18 dias. O coração era de uma jovem de 25 anos que tinha morrido num acidente.
E agora, a musiquinha:



O médico Christiaan Barnard:


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CallCenter Chronicles

Ora bem, todos sabemos que as tecnologias da comunicação são importantes, mas também não é preciso andar por aí a desgraçar vidas… digo eu!

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Assistente : Experimente retirar a antena e voltar a colocá-la .



Cliente : Nem pensar ! A antena vem agarrada e depois parto isto tudo … Dava cabo da minha vida


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CallCenter Chronicles

Pois, inventam coisas com nomes complicados! Ele é só estrangeirices. Depois dá nisto:

– E em que posso ajudá-lo?
– Olhe, queria saber se já tenho o room service activado…


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Colheita de ’67 – (1)

Este ano, 1967, teria sido um ano comum, admito até que o seja para muitos, para mim é o centro da cósmica contagem dos tempos, é o ano de um excelente Chardonnay, o ano em que Eduardo Nascimento ganhou o festival da canção, fabricou-se esse inimitável carro, o ´67 Mustang. E o ano em que a minha mãe deu à luz um miúdo pacato de olhos ávidos.
Aqui ficam algumas pérolas desse ano. Chamar-lhes-ei, com pouca originalidade e muito carinho, a “Colheita de ’67“.
Comecemos por estas:
E agora o ’67 Mustang: