Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – O SuperPicas na Primeira Pessoa

O SuperPicas na Primeira Pessoa

[Texto removido Pelo Autor]


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"Com Amor," – Documento 42

Cara Colega,

Ainda bem que conseguiu o meu e-mail. Fiquei de lho dar no final da reunião e depois esqueci-me.
Não sei porquê, talvez por pedir(?), ordenar(?), que não me demorasse, fiquei com a sensação de que lhe passara pela cabeça que eu não iria enviar-lhe o relatório a tempo. Não sei o que pensa de mim, mas o certo é que sou um profissional responsável e, se disse que enviava, era porque tencionava cumprir. O relatório, como constatará, segue em anexo.

Não sei onde é que viu o orgulho, acontece que nem a minha esposa, nem a minha barba feita ou por fazer são assuntos que lhe digam respeito. Ainda bem que os não misturou! De resto, porque haveria de fazê-lo?

Desejo-lhe um bom trabalho com o balanço.
Rui Daniel.

PS: Não falei consigo no cinema porque estava acompanhado e porque vi que também estava acompanhada.


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"Com Amor," – Documento 41

Rui,

Assim, de repente, um pouco ao teu estilo: estou enamorada! Há uma diferençazinha de idade. Como sabes, fiz há pouco 47 e o Eduardo já vai nos 54, mas acho que não se nota porque somos muito parecidos. Estivemos a conversar, Rui, e ele é tão gentil! Não queria fazer comparações porque todas são imprecisas e injustas, mas o que tu tens em vigor e em juventude, ele tem em tranquilidade. Não me senti nem um bocadinho pressionada.
Obrigada, Rui, obrigada, obrigada…

Quer que vá com ele a Barcelona. Um fds a dois. Achas que vá? Eu quero muito, mas não o conheço assim tão bem. Até pode ser um psicopata assassino… Contou-me do trabalho dele e dos filhos, tem uma rapariga que é já uma mulher. Falei-lhe dos meus miúdos e do trabalho. Se não fosses tu, Rui, isto não estaria a acontecer-me. Será que é assim que se manifesta o teu Deus?

Com Amor,
Verónica.


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"Com Amor," – Documento 40

Gentil Eduardo, Só me ocorre dizer-lhe “Foi tão bom”!

Agora já vi e percebi o que é um homem da sua idade. É um homem que tem tempo para ser atencioso e gentil. É um homem que tem a segurança da experiência e, como tal, não precisa exibir-se nem agradar.

Meu querido Eduardo, a uma mulher da minha idade agrada essa extraordinária ideia de não sentir-se pressionada, cercada como uma presa de caça. Um homem da sua idade é um homem que quer passar tempo comigo, cuidar de mim, como disse. Bem, uma mulher da minha idade está a precisar de um homem da sua idade. Ao seu lado, Eduardo, o mundo fica mais tranquilo, o tempo flui com maior qualidade. E depois que tenha mais de cinquenta? Isto aqui para nós, não se nota nada e, de resto, eu vou aqui a persegui-lo!

Quanto ao convite para um fim-de-semana a dois… deixe-me acertar as coisas no trabalho. Temo não poder, mas admito que Barcelona na sua companhia é uma tentação que vale alguns esforços e sacrifícios.

Escrevo em breve.
Verónica.


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"Com Amor," – Documento 39

Caro Colega,

Deixe-me começar por lhe dizer que tenho seu endereço de correio electrónico porque o solicitei a um colega e amigo comum, o Mário Antunes.

Venho relembrá-lo de que ficou de enviar-me o relatório de actividades para eu poder incluir os seus dados no balanço anual. Agradeço, por isso, não se demore.

Deve ter reparado que nos cruzámos no cinema onde exibia, orgulhoso, a esposa e a barba por fazer. Prefiro a segunda. Na altura não lhe falei no relatório porque não me pareceu apropriado, mas preciso mesmo dos seus dados.

Obrigada.
Laura Duarte.


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"Com Amor," – Ponto da Situação

Caros Amigos e Leitores,

retomaremos ainda hoje a publicação de “Com Amor,” pelo que importa um pequeno ponto da situação.
Estão publicados 38 capítulos, 37 e-mails e 1 carta. Todos eles foram escritos por Rui Daniel Sousa, Verónica Gomes e Eduardo Luís Santos.
A partir daqui, este triângulo terá evoluções inesperadas e, naturalmente… crescerá!
Até já!


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O Regresso de Mails para a minha Irmã



Caros Amigos e Leitores,

depois de uns dias repousantes, “Mails para a minha Irmã” está de regresso. E traz algumas novidades.
Concluiu-se a redacção do romance “Com Amor,” cuja publicação retomaremos rapidamente.
Por outro lado, apesar das férias do Escritor, o Clã do Comboio manteve-se activo e até em férias aconteceram coisas fantásticas. Algumas delas relataremos aqui.
Também temos alguma poesia para mostrar-vos e, claro, citações fresquinhas e conselhos de leitura.
Até já!
jpv


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Mails para a minha Irmã vai de Férias!

Caros Leitores e Amigos,
Após mais um ano de grandes desafios e muito trabalho, Mails para a minha Irmã vai ter as suas merecidas férias.
Até 20 de Agosto não haverá postagem. A partir daí algumas coisas residuais.

A partir de Setembro estaremos de regresso em força e com tudo o que vos faz cá voltar: terminaremos o romance em curso – “Com Amor,” – contaremos todas as histórias do quotidiano, poesia, citações, música e… claro, o 1º almoço do Clã do Comboio!

Para aqueles que estiverem de férias, fazemos votos para que sejam fantásticas. Para os que estiverem em trabalho, desejamos sucesso.
Até já!
jpv


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O Clã do Comboio – O SuperPicas

O SuperPicas

[Texto Removido Pelo Autor]


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O Clã do Comboio – A Invasão

A Invasão

Saída tardia do trabalho. Já só foi possível apanhar o regional das 20:48. Em casa, só lá para as 23h. A viagem decorria com normalidade. À minha frente um jovem a ouvir música com headphones. O som ia num volume tal que era quase como se os não tivesse. Não é que não me incomodasse um pouco, mas deixei-o curtir o seu som em paz. Para mim, a paz dos outros também é importante. Mais à esquerda, um senhor nos seus setenta e muitos, fato de fazenda verde-água, camisa branca e gravata em verde seco, um pouco mais escuro que o fato. A contrastar com o seu vetusto aspecto, uns headphones. Não se ouvia nenhum som, mas o velhote cantarolava um fado da Amália a pulmões cheios sem a consciência de que ia a cantar para nós e não para o universo dos seus tímpanos. Comoveu-me a coragem dele para se adaptar às tecnologias. Mp3, música em suporte digital, headphones, botões para dominar… por Amália vale tudo. Decidi não ir ao blogue dele criticá-lo. Em primeiro lugar porque não sei se tem blogue, não tenho essa sorte. Depois e mais importante, porque a felicidade dele, o seu direito à Amália, também são importantes para mim. Mas, como os leitores já vão sabendo, eu sou um tipo esquisito.

Ia entretendo a alma nestes pormenores tardios quando reparei num estranho, sequencial, crescente, pormenor. Pormenor a princípio, com o passar dos minutos ficou bem evidente!

Uma pessoa levantou a mão e deu uma chapada em si mesma. À volta olharam como se ela não batesse bem. Mas, um dos que olhou, passado um pouco, deu uma palmada na perna. Mais ao fundo, um homem deu com o jornal na parede lateral do comboio, depois uma rapariga agarrou num caderno e deu com ele nas costas de um banco, depois, por toda a carruagem, os passageiros tentavam afanosamente e com tudo o que tinham à mão matar… melgas! Uma nuvem delas invadira o comboio.

Quando o picas passou, perguntei:

– Então o que é que foi isto?
– Foi uma invasão de melgas. Nos dias em que não há vento, quando paramos ali em Alverca e abrimos as portas, elas entram num repente. Não há nada a fazer. Só se não abríssemos as portas e se houvesse alguém para entrar, então abriam-se. Mas não se pode. São as regras.
Ao fundo, um homem ainda disse:
– A CP devia fornecer insecticida.
O revisor riu-se e respondeu:
– Só se fosse um extintor de insecticida…
E eu pensei cá para comigo e com o meu cansaço:
– É melhor não, é melhor não…