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O Clã do Comboio – Chocolates de Liège e Tripas à Moda do Porto
Chocolates de Liège e Tripas à Moda do Porto
Um dia destes, na sequência de uma conversa seriíssima e muito circunspecta, como são todas as do Clã, a Senhora da Revista de Culinária disse, e passo a citar para me desresponsabilizar, referindo-se ao VM, Ele pode escolher aquilo que ele quiser! Nós bem a aconselhámos a não lhe dar tanta liberdade, mas o certo é que estava dito o que dito foi. Nada havia a fazer. Ele replicou com aquela malandrice mal disfarçada de marialva ribatejano, Ela é o melhor chocolate que eu já degluti! Esta frase despertou um universo de questões que não aprofundámos por puro pudor. Eu, contudo, que gosto de ser o centro das atenções, reclamei que a Senhora da Revista de Culinária estava a ter muita atenção por parte do VM, ao que ele respondeu, Não te preocupes, eu sou um homem de uma careca só. Medo… muito medo. Nem a Senhora da Revista de Culinária é careca, nem a minha careca pertence, em qualquer sentido ou universo, ao VM…
E foi então que o VM prometeu trazer da Bélgica, onde, segundo o próprio, ia em trabalho, os maravilhosos chocolates de Liège. E, assim que se falou em chocolates, a Rapariga com Brinco de Pérola começou a babar-se e a corar. Ora, se corar é normal nela, já babar-se é menos comum. Confessou que era viciada em chocolates e explicou que tinha sempre o frigorífico cheio deles. Anda a desabrochar esta Rapariga com Brinco de Pérola. Hoje, por exemplo, quando em meio de uma conversa muito séria e científica, o Escritor usou a expressão strap on, que é usada em inglês de Inglaterra para nos referirmos a objetos em cabedal usados em práticas sexuais ousadas, ela corou imenso e largou-se a rir. Até às lágrimas! Todos concordámos em dois aspetos. Que aquele riso cheirava a confissão e que queríamos ver uma foto do interior da gaveta da mesa de cabeceira dela.
Quando chegou o Picas, estávamos a recordar o dia em que os homens do Clã deram os seus passes para as mãos das mulheres e vice-versa. Nesse dia, o Picas viu-nos a todos com o sexo trocado… no passe! Hoje, oferecemos-lhe chocolates de Liège. Ele não quis. A Rapariga do Riso Fácil e a Senhora da Revista de Culinária ficaram contes: mais sobra!
Foi um gesto muito simpático do VM, ter trazido os chocolates. Mas não foi o único do dia. Viajou connosco, pela primeira vez no interregional das 7:18, a Menina-Senhora. É uma moça jovem, de sorriso largo e luminoso, dentição alva e alinhada, roliça, muito simpática e… apreciadora de chocolates de Liège! Vive em Santarém, mas, ao que parece, é do Porto. Talvez por isso, o VM foi sentar-se de frente para ela a catrapiscar o decote e a contar anedotas dos tipos do Porto. Não percebi porquê, mas ela adorou-nos. Costuma vir num comboio mais cedo, mas admitiu que ficou de tal forma fascinada connosco que vai passar a vir à nossa hora. Não sei se alguém lhe disse que o VM não traz chocolates todos os dias, mas devia ter dito… O que sei é que ela se comprometeu a trazer uma marmita com tripas à moda do Porto para nós provarmos. Eu não sei se a Menina-Senhora sabe onde é que se meteu, mas dei-lhe o endereço do blogue. Assim, se voltar, não vem enganada. O certo é que ficamos todos à espera das tripas! Das tripas e da Menina-Senhora que promete…
Daí em diante todos serenámos um bocadinho. Todos, menos a Rapariga com Brinco de Pérola que fixou o olhar num ponto indefinido, com um ar semi-saciado e nunca mais descorou. Foi vermelhinha até ao fim. Vá-se lá saber em que é que ia a pensar…
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PS: Quando li o rascunho deste texto ao Clã, às vezes faço isso, a Rapariga com Brinco de Pérola apressou-se a dizer que não encontraríamos nada na gaveta da mesa de cabeceira dela porque “aquilo é muito grande para lá caber”. E corou outra vez…. Mais medo… muito medo…
Legado
Trinta e três mil…
Cinema do Bom…
O Clã do Comboio – Elegia para um Aniversário
Outro Agradecimento
Agradecimento
Ao Menino Pedrinho e à Prima Nova – 2
Ao Menino Pedrinho e à Prima Nova
Caros amigos,
Quand j’étais gosse, haut comme trois pommes,
J’parlais bien fort pour être un homme
J’disais, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS, JE SAIS
C’était l’début, c’était l’printemps
Mais quand j’ai eu mes 18 ans
J’ai dit, JE SAIS, ça y est, cette fois JE SAIS
Et aujourd’hui, les jours où je m’retourne
J’regarde la terre où j’ai quand même fait les 100 pas
Et je n’sais toujours pas comment elle tourne !
Vers 25 ans, j’savais tout : l’amour, les roses, la vie, les sous
Tiens oui l’amour ! J’en avais fait tout le tour !
Et heureusement, comme les copains, j’avais pas mangé tout mon pain :
Au milieu de ma vie, j’ai encore appris.
C’que j’ai appris, ça tient en trois, quatre mots :
“Le jour où quelqu’un vous aime, il fait très beau,
j’peux pas mieux dire, il fait très beau !
C’est encore ce qui m’étonne dans la vie,
Moi qui suis à l’automne de ma vie
On oublie tant de soirs de tristesse
Mais jamais un matin de tendresse !
Toute ma jeunesse, j’ai voulu dire JE SAIS
Seulement, plus je cherchais, et puis moins j’ savais
Il y a 60 coups qui ont sonné à l’horloge
Je suis encore à ma fenêtre, je regarde, et j’m’interroge ?
Maintenant JE SAIS, JE SAIS QU’ON NE SAIT JAMAIS !
La vie, l’amour, l’argent, les amis et les roses
On ne sait jamais le bruit ni la couleur des choses
C’est tout c’que j’sais ! Mais ça, j’le SAIS… !





