Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Citação do Olhar

“O Olhar é o começo de todos os pecados.”

jpv


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Custo de Vida!

A semana passada, num supermercado, pediram-me 5,21€ por dezasseis cápsulas de café que custavam, duas semanas antes, 4,79€.
Hoje
, ultraje dos ultrajes, num local onde bebia um café por 0,60€, cobraram-me 0,75€. Isto quer dizer que um café subiu qualquer coisa como 25%!!! Eu bem sei da crise, mas como não percebo nada de finanças, sempre acho um abuso um produto subir 21% mais do que a inflação.
Por favor, expliquem-me, como se eu fosse muito burro, o que é que eu não percebi…

Resolução de ano novo
: não beber mais café na rua! Pois, pois, eu bem sei as consequências mas cento e cinquenta paus dos antigos por uma pinga de água, mesmo sendo cheirosa, começa a ser pedir muito!


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Divulgar

Nasceu hoje mais um espaço de escrita. O “Crazy 40 Blog

Multilingue, formato personalizado, da autoria de uma amiga de quem já tenho publicado algumas coisas.


O tempo dirá no que se transformará este espaço, mas creio, pela qualidade do que lhe tenho lido, que iremos passar alguns momentos agradáveis.


Como acredito na partilha como princípio da preservação e da evolução aqui fica o endereço certinho:


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"Com Amor," – Documento 82

Olá Tânia,

Eu devo ser a pessoa menos indicada para ajudar-te e a razão é simples. Há alguns que vivo esse problema com a Patrícia e não o consegui resolver ainda. Com uma agravante, eu entreguei-me a essa ideia e a esse modo de vida. Fi-lo por amor e por isso assumo todos os compromissos inerentes, mas hoje sei que não me revejo nessa forma de estar e nesse modo de vida. É tudo demasiado efémero, Tânia, para que nos percamos nesses esforços hercúleos que não nos levam senão ao desgaste e à desilusão.

Vamos ao teu caso. Do teu texto retive dois ou três aspectos em que talvez possa ajudar-te ou, pelo menos, dar a minha opinião. Falas em dois conflitos, num com o Zé Pedro e noutro contigo mesma. O que tens de resolver primeiro, Tânia, é o teu. Tens de definir para ti, e até com uma boa dose de egoísmo, aquilo que queres da vida neste momento e aquilo que queres da vida a longo termo. Nessa vontade intrínseca encontrarás os teus princípios. Não te desvies deles. Esse é o preço que não podes pagar.

Sempre dizemos a quem atravessa esse tipo de problema para conversarem e comunicarem. Vejo que já fizeste isso, embora, de facto, nunca seja demasiado. O essencial, Tânia, é que tomes a tua decisão em paz contigo própria. Podes resistir a tudo, mas não resistirás à ausência da tua paz interior. Como te disse, fiz esse caminho de crescimento financeiro, patrimonial e social e acho que nunca me senti mal porque estive sempre em paz comigo, mas ultimamente ando agitado, sinto que me traí a mim mesmo e apetece-me começar do nada. A minha mulher, ao contrário, pretende continuar a “crescer” e este tem sido o motivo central do nosso conflito.

Não sei se ajudei ou… compliquei!
Tentei,

Até sexta.

Rui.


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"Com Amor," – Documento 81

Olá Rui.

Estamos combinados para sexta.
talvez não seja justo andar a espicaçar-te a curiosidade para depois te deixar sempre em suspenso. por resolvi escrever-te este mail em que te dou uma visão geral do meu problema, que é um problema bom. Aproveito para desabafar. Preciso de “falar” com alguém sobre isto.

Somos colegas há muitos anos, conheceste-me solteira e boa rapariga 🙂 depois casada e agora divorciada. E, à distância, tens assistido à minha relação com o Zé Pedro. O Zé Pedro, como sabes, é uma excelente pessoa. Temo-nos apoiado mutuamente e esse foi um dos pilares do nosso relacionamento. O irónico é que eu comecei por não esperar muito desse relacionamento e um dia convenci-me de que talvez pudesse confiar nele e esperar dele algo de mais sólido, assumido e definitivo, e quando isso aconteceu, eu reagi mal, muito mal. Quando finalmente o Zé Pedro me propôs que vivêssemos juntos como um casal, eu assustei-me. Não tanto pela proposta que eu esperava  mais tarde ou mais cedo, mas pelo teor dela.

Tu conheces-me. Sabes que sou uma pessoa livre e despreocupada e gosto de viver um dia de cada vez. Ora, o Zé Pedro fez-me a proposta-maravilha, mas ela pareceu-me demasiado calculada, muito como um negócio, com tudo previsto num contrato de compra e venda. Ele vendia o apartamento dele e eu o meu e íamos comprar um muito maior e mais caro, comprávamos um monovolume, também mais caro, mobílias, cortinados, televisão frigorífico… ufa… assustei-me. Agora que eu me habituara a meu canto e ao meu pouco e achava que era já muito, vejo-me confrontada com um homem que eu amo, que me ama, que me quer assumir, mas sinto a minha vida a ser enfiada numa folha de cálculo do excell. O compromisso de amor com o Zé Pedro não me assusta, mas tudo o resto me deixa aterrada e sufocada. Eu quero-o a ele, mas não preciso destas mudanças todas, destas coisas todas, destes compromissos todos. É evidente que lhe fiz sentir isso, mas ele está muito convicto do que quer, muito seguro dos passos a dar e começa logo a argumentar e eu até percebo que, racionalmente, tudo aquilo faz sentido, mas não consigo apropriar-me da ideia nem consigo sentir-me confortável com ela.

De repente, já não estamos a falar de nós, nem do muito que nos amamos, mas estamos a discutir o valor e a importância do património. Algures, nestes dois anos de namoro sério, eu devo ter dado a entender que aceitaria um tal cenário, mas, se o fiz, juro que foi involuntário. Há aqui um conflito que é meu e do Zé Pedro, mas também há aqui um conflito que é só meu.

Vês, eu não te disse que era um problema bom? Eu não te disse que qualquer outra mulher teria aceitado?

Pronto, já desabafei.
Não precisas comentar nem dar conselhos, mas podes, claro! 🙂

Tânia.


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In Memoriam

Este fim de semana foi triste. Foi triste porque faleceu o meu amigo Joaquim. Faleceu da pior forma possível para quem cá fica. Novo, saudável e vigoroso. Na quinta-feira era um homem saudável, o mesmo Joaquim de sempre. Na sexta-feira faleceu de forma fulminante nos braços impotentes da esposa e de uma das filhas. No sábado foi o funeral.

A minha ligação ao Joaquim advém do facto de eu e a minha mulher termos sido professores das duas miúdas. As miúdas têm hoje trinta anos, a mais velha, e menos dois ou três a mais nova. Nada nem ninguém ficava indiferente ao Joaquim e, enquanto encarregado de educação, quis-nos conhecer e transportou-nos para a sua vida da mesma forma que entrou na nossa. De forma impetuosa e franca e aberta e conversadeira. A única com que sabia viver.

Normalmente, quando morre uma pessoa, realçamos as suas virtudes. Isso é normal. Mas hoje eu não queria falar tanto do Joaquim como das filhas. Ontem, elas preocuparam-me. Uma é mais expansiva e a outra é mais introvertida, mas as duas são mulheres de garra e de força e, contudo, ontem, ambas duvidavam de que seriam capazes de continuar. E é por isso que resolvi escrever este texto. Porque, de certa forma, ainda sou vosso professor. Porque acho que o vosso pai gostaria que eu vos dissesse estas palavras. Cá vão elas.

Eu sei que vocês vão conseguir. Eu sei que vão superar todas as dificuldades e todo o sofrimento e a razão é simples. O vosso pai superaria e a força dele vive em vós. Ele tinha três caraterísticas que vocês também têm. Um amor e uma dedicação profundos pela sua família. Uma generosidade extrema para com todas as pessoas que o rodeavam e uma atitude construtiva e proativa. Ora, se vocês mantiverem a união e a coesão familiar que o vosso pai construíu pelo amor, se vocês souberem ser generosas com o mundo e com as pessoas como ele era e se vocês forem dinâmicas e correrem riscos como ele correu, a vida vai sorrir-vos como lhe sorriu e, mais do que tudo, estarão a entregar uma preciosa herança do vosso pai aos vossos filhos, o que já existe e os que hão de vir, a herança de viver a vida pela postiva, distribuindo generosidade e alegria à sua volta.

Minha querida Carolina, minha querida Filipa,
a vida não vai ser um problema. As dificuldades não vão ser insuperáveis. Vive em vós a essência da superação que orientou a vida do vosso pai. Basta, perante um problema, pensarem como ele faria e já têm metade da solução. Sabem, eu aprendi que as pessoas não morrem verdadeiramente. Parte o corpo, mas fica a vida, a orientação, fica a postura e, com o tempo, à medida que a dor for adoçando, a memória do Joaquim vai erguer-se mais forte e mais límpida e a vida será de novo partilhada com ele, com o espírito dele. Minhas queridas, vocês têm um excelente pai. Comportem-se à altura da sua estatura humana e ficará de vós um rasto de generosidade e sucesso. 

Um beijinho,
Prof.


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"Com Amor," – Documento 80

Zé Pedro,

Deixa-me pensar em tudo… percebo a intenção do teu gesto, mas acho que é melhor digerirmos tudo o que se está a passar.

Jantamos outro dia, tá?

Beijinho,
Tânia.


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"Com Amor," – Documento 79

Fofinha,

Não é que o fim-de-semana tivesse corrido muito bem. Correu mal, sejamos honestos. A intenção era boa, era darmos um passo em frente na nossa relação. Não era, claro, provocar rupturas. Não sei se as provoquei, acho que não, mas, em todo o caso, precisamos conhecer-nos bem e estas conversas, mesmo tensas, podem servir para isso.

Venho convidar-te para jantar. Hoje não posso, mas posso amanhã. Se tu também puderes, escolhemos um sítio simpático. Pago eu.

Beijinho.
José Pedro.


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Discordo…

…mas ele há gente para tudo!
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