“I started out on burgundy
But soon hit the harder stuff
Everybody said they’d stand behind me
When the game got rough
But the joke was on me
There was nobody even there to bluff
I’m going back to New York City
I do believe I’ve had enough.”
Author Archives: mailsparaaminhairma
Cento e Setenta Mil Amigos
Já vai, já vai…
Caros Amigos e Leitores,
Ao contrário do que aconteceu com o último capítulo de “A Paixão de Madalena” que publicámos, o próximo terá um intervalo de tempo muito menor. Correndo tudo com normalidade, será possível postá-lo ainda este fim de semana. Chamo a atenção para o facto de ser muito extenso e peço a vossa paciência.
N’amurada

N’amurada
Um calor que sobe,
E a percorrer o corpo,
Um arrepio.
Um mar que fustiga.
Uma donzela
N’amurada do navio.
Um sol que nasce,
Uma lua prenhe e redonda,
Um mar encapelado,
Um homem a desafiar a onda.
Uma pintura inacabada,
Um pincel abandonado,
Um risco encarnado na tela,
Um caminhar desolado…
E feliz!
Um só pensar nela,
Um longe que é perto,
Uma ânsia de saber
Que o errado está certo.
Um coração encarnado a bater.
Mais forte!
Um azar que deu em sorte.
E vieste.
E chegaste
Donde te não esperava
Desarranjar este mundo
Que antes não prestava!
Um grito,
Um ato de fé,
Um autocolante pintado
Com “Amor é…”
Um linha de cintura
E um sensual movimento.
E, de repente, a terra dura
A perder-se no tempo.
Uma mulher
Que um homem quer
E deseja,
Uma ousadia,
E agora já a tem.
Um bem querer
E um querer bem.
Uma luz trémula
A enfeitar dois corpos despidos,
E num átomo de tempo,
Dois amantes vencidos.
Um poema
E uma poesia,
Uma coruja piando na noite,
Um rouxinol alegrando o dia.
O tempo a passar
E a neve da vida,
Branca e paciente,
Veio nos pintar.
Mas a donzela, lá está,
N’amurada do navio
Para eu adorar.
Ah! Amor, que és uma religião.
Um tempo que me falta,
Um tempo que me sobra,
Uma suave emoção.
E o arrebatdor desejo de não morrer,
Quanto mais não fosse,
Para te ver,
Cada dia,
N’amurada do navio
A preencher
O meu horizonte…
Outrora vazio.
jpv
Crónicas de Maledicência – A Renúncia de Bento XVI
Crónicas de África – A Terra do Benfica
Maputo é a terra do Benfica. Nunca vi, noutra cidade, como vejo nesta, uma manifestação de simpatia clubística tão acentuada, tão ferverosa.
Por exemplo, em dia de jogo do Benfica, seja ao sábado, seja ao domingo, seja mesmo durante a semana, são aos milhares, os habitantes de Maputo que envergam camisolas do SLB. Antigas, recentes, do equipamento principal, do secundário, genuínas ou falsificadas, tudo o que seja encarnado e tenha um emblema do Benfica serve. É engraçado vê-los atrás das esposas no supermercado, a empurrar o carrinho, é engraçado pararmos num semáforo e o carro ao nosso lado ter quatro homens lá dentro e todos estarem vestidos à Benfica. E eu perguntei:– Bom dia, então para onde é que vão?
– Vamos ver o jogo! O Benfica é um orgulho nacional!
Esta resposta deixou-me perplexo. Ele disse vamos ver o jogo como se o jogo fosse em Maputo num dos estádios da cidade. E disse “orgulho nacional”. De que nação? Da Moçambicana? Da Portuguesa? Acabei por concluir que era o orgulho da nação benfisquista e a nação benfiquista é multinacional! E depois, à hora do jogo, os bares e os restaurantes que transmitem o jogo numa televisão enchem-se de camisolas do SLB a gritar ferverosamente goooolo!
Tenho de ser justo. Também se veem por cá camisolas do FCP e do SCP, mas o fenómeno não tem, nem lá perto, a dimensão do fenómeno benfiquista. São situações pontuais. Ora, quando joga o benfica, mesmo antes do jogo, ao longo do dia, é impossível atravessar-se uma avenida da cidade, ir a um supermercado, a um restaurante ou a um café sem nos cruzarmos com diversos simpatizantes vestidos a rigor! A cidade pinta-se de encarnado.
Assim, cito aqui uma expressão do meu colega e amigo benfiquista, Francisco Carvalho, sobre haver, ou não, seis milhões de benfiquistas. Diz ele na sua página do Facebook: “Seis milhões? Façam lá o update!”
Se eu pertencesse aos corpos dirigentes do SLB, tratava de premiar os habitantes de Maputo pelo seu inquestionável benfiquismo, nomeadamente, visitando, com a equipa principal, a capital moçambicana com alguma frequência. Assim, podia ser que, um dia, quando me dissessem “Vamos ver o jogo!” estivessem mesmo a dirigir-se para o espectáculo ao vivo e a cores com o clube do seu coração, o tal que é orgulho nacional!
Citação de Kyle Mckenzie
Citação da Perplexidade
Poema da Mala Vazia na Beira da Estrada

Poema da Mala Vazia na Beira da Estrada
Revoltaram-se,
os teus olhos,
contra mim!
Olharam
A vida vazia
E pensaram que era o fim.
São curiosos,
Os olhos,
Veem e pensam.
Encontram na beira da estrada,
Sem sonho,
Nem noite,
Nem alvorada,
A mala onde
Outrora
Esteve a fantasia.
A mala,
Como a vida,
Vazia!
E essa luz
Triste
E húmida,
Esse despertar
Da mente
A que chamas olhar,
Pediu-me.
Só o aconchego,
Só o afago,
O meu peito
Ao teu encostado.
E abri a mala
Donde saiu a cama
Que estava no quarto
Que fica na casa
Que está na fantasia
Da mala
Na beira da estrada
Que teus olhos contemplam
Antes de se zangarem comigo.
Não há jogo
Nem perigo
Como este de ter uma vida
Para viver uma vida,
Quando há tantas
Na mala da fantasia.
Na palavra incendiada,
Pujante epopeia,
Triste elegia
De uma mala
perdida na estrada vazia.
jpv






