Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Respostas Inteligentes para Perguntas Difíceis

– As palavras latinas podem chegar ao Português através de que vias?
– Eu sei, eu sei!
– Se sabes, responde…
– Pela via popular e pela via erótica!

—————— jpv ——————
É portanto um processo de administração por via… pois… 
Fiquemo-nos por aqui que isto é um espaço com alguma dignidade!


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Invocação

Invocação

Os cavalos do tempo
Percorrendo a praia,
A emoção ardendo
Na orla a tua saia.
O som compassado
E trepidante
Das bestas
E o tilintar rebrilhante
Das históricas armaduras.
Um exército de homens
Derrotando o medo,
Muitas e diversas sombras
Projetadas de suas figuras.
E o mar.
O sal da água
Salpicando os cavaleiros.
O sentido
De serem, do mundo,
Os primeiros.
E o peso.
Braço em riste
Num tudo ou nada
Jurado a Cristo
Na ponta da espada.
E tu,
Senhora de minhas mãos
Sem anéis,
Só tu conheces
Tantos e tão fiéis guerreiros,
Desses que morrem erguidos
E inteiros,
Por ti.
Jazem, abandonados,
Pelo chão,
Sem memória nem sentido,
Os cavaleiros da Nação.

jpv


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Respostas Inteligentes para Perguntas Difíceis

– Retira do texto dois fatores do meio ambiente que fazem parte do habitat do caranguejo uçá.
– Brasil e Flórida!

——————— jpv ———————

É viajado, o raça do caranguejo…


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Boletim Meteorológico de MPMI


Caros Amigos e Leitores,

Sempre tentando melhorar o espaço que é alvo da vossa visita, MPMI adotou, desde esta madrugada, o Boletim Meteorológico animado “YoWindow” que se encontra à vossa direita. A animação reproduz um aeroporto e o aspeto da mesma corresponde ao período do dia e ao tempo que estiver a fazer.

Caso pretendam informações mais detalhadas do tempo no momento, ao longo do dia, ou para um período de tempo mais vasto, até oito dias, basta clicarem na animação. Ela ficará do tamanho do vosso ecrã e fornecerá todos esses dados enquanto as nuvens se passeiam e os aviõezinhos poisam e levantam. Como não podia deixar de ser, fornecemos um gráfico para “Cá” e outro para “Lá”. Ora digam lá se MPMI não é uma simpatia de blogue?

Até já!
jpv
—————————————————
Embora funcione em qualquer browser, 

MPMI está desenhado para um 
melhor desempenho no Google Chrome


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Tento na TV – O Programa Dela

Tento na TV – O Programa Dela

“A especidade deste programa…”

24 de fevereiro
Fátima Lopes, apresentadora,
em entrevista na TVI

————————–
E a especificidade da sua específica expressão oral?
Isso é que é… específico!


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Crónicas de Maledicência – Aprendizes e Profissionais da Ditadura

Crónicas de Maledicência – Aprendizes e Profissionais da Ditadura

Os Factos
2) Eu sou contra todo o tipo de violência e falta de civilidade. Sou contra agressões gratuitas como aquela de que foi alvo o Ministro José Relvas à porta do ISCTE. Sou contra agressões subliminares e profissionalmente fascistas como a que Henrique Raposo leva a cabo no seu texto.

Dos Aprendizes de Fascista

Raposo classifica quem canta a “Grândola Vila Morena” de fascista porque, ao cantar, não deixa os outros expressarem-se. E eu pergunto a Raposo como é que ele classifica os políticos que estiveram no poder nos últimos trinta anos e delapidaram o erário público e as poupanças dos portugueses? E pergunto-lhe também como é que ele classifica os proprietários e administradores dos bancos que “deram prejuízo”, que praticaram fraudes e que agora estão a ser pagos com o suor dos trabalhadores portugueses mesmo continuando a anunciar publicamente lucros de milhões? E como classifica aqueles que aos 40 anos têm várias pensões de reforma milionárias? E como é que ele classifica as pessoas que por terem poder, por terem influência política, por terem dinheiro, roubaram a Nação? Esses, caro senhor, esses sim, são os fascistas. Os jovens não podem ter atos de violência e falta de civilidade, mas podem e devem manifestar a sua indignação e, se o fizerem ao som de “Grândola Vila Morena”, só mostram bom gosto, sentido patriótico e memória coletiva. Esses jovens a que se refere como aprendizes de fascista, senhor Raposo, estão condenados a aprendizes de mendigo pelos verdadeiros fascistas e, por isso mesmo, não só lhes assiste o direito à indignação, como a manifestá-la.

Do Profissional do Fascismo

Henrique Raposo é um verdadeiro profissional do fascismo. Porquê? É simples.  Todos os profissionais do fascismo se disseram sempre adeptos da democracia. É o que faz Raposo. Todos os profissionais do fascismo tentaram sempre, em nome da democracia, calar os oprimidos e os insatisfeitos. É o que faz Raposo. A sua crónica não é mais do que um “Chiuuu, meninos, vamos lá a calar e a fazer poucas ondas, não perturbem a democracia que está tão bem assim, adormecida!” Raposo faz lembrar o tipo da PIDE que dizia aos jovens que era melhor estarem caladinhos se não… E depois faz esta coisa fantástica que é invocar para si o conhecimento do que é a democracia, armar-se em vítima e acusar os jovens que cantam o “Grândola Vila Morena” de serem praticantes do ódio, da intolerância e da violência! A ver se as pessoas se sentem culpadas e se calam por si. Temo, caro cronista, que esteja com pouca sorte. A intolerância dos fascistas profissionais está a fazer faltar o pão em cima da mesa dos aprendizes de fascista e, reza a história, quando falta o pão, a malta põe-se a cantar cantigas de intervenção…

Do Governo

Eu penso que o Governo de Portugal não agradece estes arrufos literários aos henriques deste mundo. E percebe-se. O Governo tinha pela frente uma tarefa difícil, uma tarefa cuja solução iria exigir uma governação pouco simpática e facilmente alvo de críticas e contestações. Ora, como Governo, cabe-lhe ouvir as críticas e as contestações e governar tendo em conta uma grande variedade de vetores, incluindo as ditas críticas e contestações. O que não lhe cabe é não ouvir as pessoas e, muito menos, calá-las! Ora, Henrique atreveu-se a fazer o que nenhum governante fizera antes, disse aos meninos para estarem caladinhos. Isto só mostra que onde os governantes têm tido consciência democrática, a Henrique, tem-lhe faltado!

Por Fim…

Ó Ruiquito, só para chatear:


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Crónicas de África – Invocação

Crónicas de África – Invocação

Maputo, 24 de fevereiro de 2013

Maputo é uma cidade emergente num país emergente. Percebe-se, pois, que tenha de conviver, no seu quotidiano, com assimetrias e disparidades de hábitos e recursos.

É assim que, na mesma cidade em que a tecnologia cresce e se mostra a cada dia que passa, há, em simultâneo, manifestações dos mais tradicionais e rudimentares processos de vida. Isto não é bom, nem é mau. É uma realidade com a qual a cidade e os seus habitantes se habituaram a viver.

Por vezes, este fenómeno pode ter uma faceta invocativa. E é por isso, por essa deliciosa faceta, que resolvi escrever esta crónica.

Ultimamente, temos feito umas caminhadas a pé cruzando diversas zonas da cidade. Faz-se um pouco de exercício, areja-se o cão e conhece-se mais de perto a urbe que nos acolhe. Ora, nesses passeios, quando passamos à porta das habitações, é muito frequente as nossas narinas serem invadidas pelo agradável e, lá está, invocativo cheiro do carvão em brasa.

Em Maputo é comum usar-se o carvão para cozinhar. Não só grelhados. Cozinhar tudo. Cozer arroz, fazer um guisado, assar um churrasco, fazer uma xima ou uma matapa. Uns porque ainda não estão em condições financeiras de recorrer ao fogão a gás, outros porque nunca desaprenderam a cozinhar no carvão, acendem os fogareiros a meio da manhã e a meio da tarde e pouco depois começam a confecionar as refeições.

E é assim que numa cidade repleta de veículos motorizados, computadores, telemóveis, caixas atm, onde os centros comerciais e a tecnologia assinalam a modernidade, de repente, numa breve caminhada, é possível sentir o cheirinho de um churrasco na brasa como fazia a minha avó há trinta anos atrás.
jpv


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Conversas Vadias – Pica, pica…

Conversas Vadias – Pica, pica…

– Então o A?
– Hoje não vem.
– Porquê, está doente?
– Não. Foi mordido por uma picada de um inseto!

jpv
(O A ainda está em recuperação.
É que ele há picadas que são
piores que os próprios insetos!)


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Conversas Vadias – Hemisfério Sul

Conversas Vadias – Hemisfério Sul

– Ena pá como tu estás todo suado!
– Pois…
– O que é que estiveste a fazer?
– Uma ficha de verificação de leitura para os meus alunos.
– Hã?!

jpv
(Consequências da humidade
relativa do ar estar a mais de 90%)


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Crónicas de África – Abraços Grátis

Crónicas de África – Abraços Grátis

Maputo, 21 de fevereiro de 2013

Tal como referi no início destas crónicas, não usarei este espaço para falar do meu ambiente profissional. As razões foram apresentadas na altura e mantêm-se. Essa é a regra.

Hoje abro a exceção. Por justificados motivos, acho. No passado dia 14 de fevereiro, o tal dia dos namorados, odiado por uns, amado por outros, quase sempre sempre envolto em polémica e enfeitado com corações e rosas encarnadas, houve quem soubesse, lá na escola, interpretá-lo naquilo que de mais humano, de mais sensível e solidário ele pode ter.

A ideia é confrangedoramente simples. Daquelas que nos põe a pensar, Mas como é que eu não me lembrei disto?, e, contudo, teve um extraordinário impacto.

As colegas do primeiro ciclo, Ana Diogo e Zahirra Amade, puseram em prática, com miúdos do terceiro ano, a iniciativa “Abraços Grátis”.

A criançada fez cartazes e t-shirts com a inscrição “Abraços Grátis” e depois passeou pela escola como uma nuvem de afeto e bem querer e sempre que os miúdos encontravam alguém, era ouvi-los a gritar, com a alegria e genuinidade que se tem aos 8, 9 anos, Abraços Grátis! E corriam para as pessoas a abraçá-las só por que sim. E, num ápice, a escola inundou-se de adultos sorrindo, abraçando e sendo abraçados, numa corrente de afeto e ternura. Os funcionários dos corredores foram abraçados, os do refeitório, os da secretaria, os professores, a direção os outros alunos e tudo fácil, simples, com poucos recursos, mas a transpirar vida e esperança.
Afinal, sem preconceitos, nem pretensiosismos, o dia dos namorados ficou pintado de sorrisos, os nossos corações enamoraram-se daqueles abraços e as crianças mostraram que, não só são o melhor do mundo, como são a sua única e verdadeira esperança.

E porquê uma “Crónica de África”? Porque me parece que as colega sfizeram a leitura perfeita do que é ser professor na EPM-CELP. Conseguiram, a propósito de algo vagamente ou nada relacionado com a Escola, ir ao encontro do espírito alegre, bem disposto e francamente tátil que carateriza a sociedade moçambicana e conseguiram enquadrar na cultura do sorriso uma atividade dos alunos que envolveu toda a comunidade educativa. África, Moçambique, são um pouco isto. Ver muito no pouco, ser naturalmente feliz, partilhar um sorriso, trocar um abraço. Grátis, claro está!
jpv