Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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This is Africa!

Estes, nem a Nike tem!
Enquanto os outros remedeiam, África improvisa!


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This is Africa!


Eh pá, tou tramado. Esqueci-me da chave do cadeado!


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Crónicas de Maledicência – A Ponta do Iceberg

Crónicas de Maledicência – A Ponta do Iceberg

Depois do chumbo das quatro alíneas do Orçamento Geral do Estado por parte do Tribunal Constitucional, o Governo tinha duas hipóteses. Ou se demitia, ou começava a trabalhar em medidas para recuperar a verba perdida partindo do princípio, claro está, de que não alteraria a linha política seguida até agora.
O tal chumbo preocupou-me. Não me manifestei na altura, mas acreditei sempre que a atitude do TC pudesse funcionar como justificação para espoletar um conjunto de medidas abslolutamente violentas. Tão violentas que não tinha havido coragem para se pensar nelas.
O que li esta manhã no portal “Notícias ao Minuto” parece-me ser a ponta do iceberg dessa violência. Efetivamente, a notícia, que aparentemente é sobre os professores com mais tempo de carreira, logo, os mais velhos, retirando-lhes a redução da compenete letiva por compensação da idade e do desgate, a ser levada a cabo, terá desastrosas consequências nos mais novos. E a razão é simples. Muitos ficarão sem trabalho. A medida é aplicada no topo, mas as consequências recairão em professores a meio de carreira ou com poucos anos nos quadros. O mais curioso é que, desta forma, o executivo de Pedro Passos Coelho, com Nuno Crato à cabeça da Educação, nem precisa de falar em mobilidade especial, nem precisa de falar em despedimentos. Disso falará mais tarde, quando já for inexorável e não houver qualquer hipótese de recuar. São momentos muito difíceis os que vivemos e, se não temos cuidado, as medidas que tomarmos podem liquidar os serviços públicos e, liquidando-os, assassinam o tecido consumidor. O momento seguinte é a agonia do comércio e da indústria. Numa economia saudável, os consumidores têm de poder consumir.
Este é um iceberg com muitas pontas, mas, a ser verdade, poucos dias depois da decisão do TC, esta medida é o prenúncio de um despedimento massivo de docentes. A questão, agora, são duas! Uma, é saber se os docentes a dispensar são necessários ou não, ou seja, se fazem falta à sustentabilidade do sistema educativo ou se é um corte cego e puramente financeiro. A outra, é saber se o seu despedimento constitui efetivamente uma poupança ou se representa, a curto prazo, uma tremenda despesa… sim… não estou maluquinho, nem me falta a coerência, ora pensem lá bem…
jpv


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Número Redondo e Bicudo

Amigos, mais uma etapa…
Não restam mais palavras, esta terá de chegar: 

OBRIGADO!



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A Paixão de Madalena – Capítulo 10

A Paixão de Madalena

Livro II – O Cordeiro de Deus

10.Fora atribulada e longa, a caminhada. Viera Ele de salvá-la da morte arremessada em cada pedra. Um ou outro popular, talvez desses que pensam nunca ter pecado, ainda os perseguiu. Ele voltou-se para trás e fez-lhes um gesto veemente com o braço:
-Ide à vossa vida!
E foram.

Ela caminhava com a cabeça vergada pela vergonha, os olhos pregados no chão, as lágrimas de arrependimento lavando-lhe a face. Segura ao braço dele, tropeçou aqui e ali e abriu lenhos de sangue na carne dos pés. Ele tinha caminhado muito antes de encontrá-la e agora quase corria e, por isso, seus pés tinham terra pó e sangue seco de pequenas feridas. Entraram em casa dela. A mulher correu a todas a janelas a tapá-las com tecidos, restou uma luz trémula, um raio de sol cortando a escuridão e deixando ver o bailado do pó à sua volta.

A casa estava na penumbra. Alguém bateu à porta, mas não foi ouvido. A mulher puxou um pequeno banco de madeira e convidou-o a sentar-se. Foi buscar um alguidar com água a uma bilha e um pano limpo. Era um líquido precioso. Normalmente não se usava a primeira água para lavar os pés. Mas aquele era um convidado diferente. Não vinha pelos mesmos motivos dos outros. Acabara de salvá-la. Era Ele. Molhou o pano e espremeu-o. Começou por limpar-lhe a face, depois o pescoço, voltou a mergulhar o pano na água, lavou-o, espremeu-o e levou-o aos pés dele e lavou-lhos com movimentos cuidados envoltos em dedicação e admiração.

Está Ele sentado no banco. Está ela ajoelhada à sua frente lavando-lhe os pés. Segura-lhe um de cada vez, mergulha-os na água e depois fá-los emergir do alguidar e acaricia-os com o pano antes humedecido, limpa-lhos da terra e do sangue seco. Nunca olha para cima. Não se atreve. Mantém-se prostrada perante o Senhor. Quando termina, , ergue-lhe os pés lavados e limpos e beija-os.
-Porque me beijas os pés?
-Porque sois quem sois…
-Sou um pecador como todos os outros.
-Não sois como todos os outros.
-Sou sim. Sou mesmo mais pecadores do que eles.
-Senhor…
-Ouve… eu conheço o caminho da salvação, a minha missão era simples, bastava que vos ensinasse esse caminho, que vos levasse a segui-lo ou desse a minha vida por vós. Verás, dentro de pouco tempo, que terei de morrer por vós pois não consegui ensinar-vos o caminho da salvação.
-Ensinai-me esse caminho, Senhor, e eu o gravarei em meu coração. Eu o aprenderei, Senhor.
-Sim. Ensinarei. Sim. Aprenderás.
-Qual é o caminho, Senhor, dizei-me, eu vos suplico.
-O único caminho para a salvação, Maria de Magdala, o único capaz de vos redimir de todas as faltas, é o Amor.
-Eu vos amo, Senhor.
-Eu sei, Maria de Magdala, mas não basta que me ameis. Amai-vos uns aos outros.

E dizendo isto, o Senhor se levantou, o Senhor ergueu Maria de Magdala e a sentou no pequeno banco de madeira, o Senhor puxou o alguidar com a água e pano para junto de si e se prostrou diante da mulher que acabara de aprender a suprema lição. E com gestos lentos e cuidados, o Senhor lhe lavou as lágrimas desenhadas na face e os pés das feridas e do pó e tendo terminado o Senhor lhos ergueu e os beijou.

—————————- jpv —————————-


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A Paixão de Madalena – Capítulo 9

A Paixão de Madalena

Livro I – A Paixão de Madalena

9.Reconhecemos nós e reconhecerá o leitor que, desde que pode comunicar com palavras, ditas ou escritas, o Homem anda conversando e debatendo em torno dos mesmos assuntos que não serão mais do que uma mão cheia. O sentido da vida, o que é a morte, o valor do amor, o papel do sexo, a solidariedade, a existência, ou não, de divina e reguladora entidade, a subsistência, a segurança, a origem das espécies e, claro, essa filosófica e interminável discussão acerca da mudança. Há quem defenda de forma clara e inequívoca que as pessoas não mudam. Nascem com uma matriz comportamental e é com ela que morrem  e, mesmo quando tentam mudar, hão de vir ter à sua originária e única maneira de ser. Os adeptos desta teoria aduzem pesados e imutáveis argumentos. E há quem defenda de forma clara e inequívoca que as pessoas mudam. Nascem lá como nascem, mas crescem, aprendem, são permeáveis ao conhecimento, vulneráveis às experiências e acabam alterando a sua maneira de ser.

Escolhemos escrever neste ainda breve capítulo, por duas vezes, a expressão maneira de ser. Essa palavra, maneira, daria motivo para um romance e mais umas quantas teses de mestrado e doutoramento e ainda diversos capítulos em compêndios mais ou menos competentes sobre teoria da literatura. São, quanto a nós, esforços inúteis e inócuos porquanto quando o autor destas linhas escreve maneira de ser, toda a gente, mais ou menos letrada, percebe do que se trata. Quase tão inútil a discussão quanto essa outra que ainda há pouco referimos sobre se, efetivamente, o Homem muda ou não. Inútil, pois, que não se discute, ou deveria discutir, que possa depender da escolha do Homem aquilo que é a sua essência. Quando nascemos já estamos mudando. E mudamos, até, o mundo à nossa volta. E quando vivemos, a mudança é essência e definição da própria vida. É certo que, por motivos de segurança e auto consciência, tentamos cristalizar no tempo certas imagens de nós e por isso mesmo vamos dizendo, Eu sou isto, Eu creio nisto, Eu quero isto, Eu ajo assim, De mim esperem isto. Acontece, pois, não se tratarem mais do que tentativas de cristalização de imagens pois que, à medida que vamos fazendo estas declarações, vamos mudando com elas e até por elas.

Continuai, assim, a discutir o indiscutível que, para nós, humilde autor desta Paixão, a de Madalena, a mudança é um facto imutável.

Madalena mudou. Não foi fácil. Nem a sua decisão, nem a aceitação dela por parte de quem a rodeia, nem a sua execução por se tratar de fenómeno raro, raramente autorizado. Corria o ano de mil novecentos e noventa e três, tinham regressado há pouco de África, e a menina que conhecemos adolescente completou vinte primaveras. Nesse ano, em todos os meses, no dia do seu aniversário, Kyle lho lembrou com um carinho, uma pulseira, uns chocolates, umas flores, um jantar romântico. No final do ano não pôde continuar porque foi hospitalizado. Assim, quando Madalena o visitava e calhava no dia do seu aniversário, dizia-lhe ao ouvido:
-Vinte anos! És uma mulher!
Assim se pode dizer que, no ano em que fez vinte anos, Madalena fê-los doze vezes. Kyle nunca se esqueceu de lho relembrar e foi também a consciência dessa maturidade que a fez querer mudar. É que, tendo Madalena vinte anos, pouca matemática seria necessária para se perceber que sua irmã morrera há dez. Não se trata da mana Liberta que lhe deixou Mariana nos braços e nunca mais voltou, nem voltará. Trata-se de outra irmã. Um pouco mais nova. Muito pouco.

Foi numa terça feira. A manhã estava fria de sol e por isso mesmo o corpo se encolhia mas a alma se expandia a novos horizontes e realidades. Entrou pelo Registo Civil dentro, procurou alguém que a pudesse atender, e disse com convicção na voz e na intenção:
-Quero mudar de nome!
-Lamento, senhorita, mas isso não vai ser possível.
-Como assim, não vai ser possível?
-Não. Ninguém muda de nome. Se uma pessoa mudar de nome, toda a sua identidade passada se altera, todos os documentos que assinou perdem validade e todos e todos os que assinar daqui em diante é como se fossem assinados por outra pessoa.
-Sim, compreendo, mas, efetivamente, eu não pretendo mudar de nome. O que eu quero é acrescentar um nome aos que já tenho.
-Muda pouco, o caso. Outro nome, outra pessoa…
Madalena sentiu-se encurralada e quando se sentia encurralada costumava reagir com mais vigor e imaginação. E foi por isso que lhe saiu o argumento que lhe saiu e é como lhe saiu que o relatamos:
-Então quer dizer que, se os meus pais me tivessem chamado Monte de Caca, eu tinha de ficar Monte de Caca para o resto da vida?
-Meu Deus, a senhora chama-se Monte de Caca?!
-Chamo.
-Jesus, credo… nesse caso há uma solução…
-E qual é?
-A senhora tem de expor a sua situação num requerimento e remetê-lo à Direção Nacional dos Cartórios e Notariados. A sua exposição será avaliada por uma comissão que, em casos muito excecionais, pode deferir…
-E onde é que entrego o requerimento?
-Aqui mesmo. Ou remete por correio.
-Remeterei por correio.
-Sim, claro! As melhoras, quer dizer, boa sorte.
-Não se preocupe, tenho outros nomes…
-Ah sim? Pois claro que sim… ufa, que alívio. Agora nem sabia como despedir-me…
-Madalena. Madalena da Conceição…
-Madalena da Conceição M…
-Sim, veja lá a desgraça.
-Uma desgraça, de facto.

Madalena saiu feliz. A ingenuidade da senhora levara-a a dar-lhe a informação que pretendia. Seria agora necessário redigir o requerimento com propriedade e com rigor para que se percebesse a sua motivação. Era mesmo necessário contar alguns momentos da sua vida em que não queria voltar a mexer. Teria de ser. Nunca gostara de ser Conceição. Não percebia a sua conceção ou, percebendo-a, sabia-a mergulhada no pecado dos homens ainda que emergisse do amor deles. Mas os homens tinham decidido não ver o amor e concentrar-se no pecado. Exilaram-na da vida muito cedo. E por isso se entregou a Albertina e à sua irmã mais nova. Pouco mais nova. Por outro lado, essa irmã sempre fora uma luz na sua vida. Um sorriso, um conselho, uma matreirice, um olhar, uma confissão, uma partilha, uma ligação com o mundo real. Uma luz a fazer sentido. Chamava-se Maria da Luz. E Madalena queria expurgar de si a conceção em pecado e eternizar em si a luz que de si nunca tinha saído. Essa irmã era a comunhão total, era parte de si, a sua razão para continuar a viver. Têm força os mortos. Por vezes, mais do que os vivos. Antes de partir, Maria da Luz dissera-lhe, Vive, vive tudo por mim como se fosse eu. E Madalena tem trazido consigo essa missão, a de mostrar a Maria da Luz como é a vida. E terminava o requerimento como começara, solicitando que a deixassem ter um nome que fizesse sentido e desse vida a quem merecia a vida e emprestasse esperança a quem precisava dela. Queria ser Madalena da Luz em vez de Madalena da Conceição. E é com a luz desse nome que enfrentará a vida que lhe falta viver. Tem muita pela frente. Alguma carregada de sofrimento e outra salpicada de alegrias como normalmente sucede a todos nós.

A cara lavada em lágrimas, Mariana ao colo sem perceber o que se passava, o hospital atrás d si, um táxi, a campainha da porta de Albertina a chorar, os cabelos brancos da avó a surgirem e uma explosão:
-Ajuda-me, avó Bá, ajuda-me! Não posso, não consigo viver sem ele. Era a minha trave, a minha vida, o meu homem… porque tem de acabar, avó? Porque tem de acabar assim?
Albertina chegou-a ao seu peito, fechou a porta, levou-a para dentro e tentou sossegá-la. Usou palavras de coragem, que estaria com ela como sempre estiveram, que teriam Mariana para criar, se quisesse voltariam a viver juntas…
-Eu só o quero a ele, avó Bá, eu só o quero a ele…
-Mas o que te disseram?
-Que tinha pouco tempo. Meses. A viagem a África não ajudou…
-Mas não foi a vontade dele?
-Claro, mas está fraco… vai passar o Natal no hospital. Só sairá se recuperar o suficiente e quando o tempo estiver menos agressivo, mas virá por pouco tempo… foi o que disseram.
-Aceita a dor, Madalena, só assim a conseguirás superar.
-Eu não queria perder mais ninguém. Primeiro a mana e agora o meu homem, o meu irlandês teimoso de olhos azuis.
-Será sempre teu, Madalena.

Madalena tem lutado com a vida para conquistar-lhe confiança e sempre que parece superar uma provação, uma onda de sofrimento, a vida derruba-a de novo, joga-a ao chão, seu lugar primeiro e último.

O estado de saúde de Kyle melhorou, piorou e voltou a melhorar. Sofria de cancro no cólon. A luta era difícil e penosa e, pior de tudo, tinha um vencedor anunciado. Saiu do hospital numa manhã chuvosa de abril. Madalena chamara um táxi que esperou enquanto foi buscá-lo lá dentro. Levou-o para casa, tratou-o como um príncipe, o seu príncipe. Teve de refazer o quotidiano para poder cuidar dele. Manteve em casa a senhora que a ajudava com Mariana. Trabalhava. Ganhava muito pouco, mas o vencimento de Kyle era generoso e ela geria-o com rigor. Fizeram inúmeras tardes de chá, conversaram sobre livros, os amigos vieram visitá-lo de quando em vez e pelo verão sentia-se a recuperar. Com mais força. Numa tarde de agosto, quis fazer amor. Fizeram amor devagarinho como se não quisessem estragar nada. No fim, ela limpou-lhe o suor da testa. Adormeceram abraçados. Ela sonhou que sobrevoavam o mundo na sua cama observando os monumentos e saudando as pessoas. Ele sonhou que jogava à bola com uma criança que o tratava por pai. Quando acordaram, disse a Madalena:
-Sonhei que tínhamos um filho.
-Foi só um sonho.
Madalena não sabia ainda, nem tão pouco Kyle, mas tinham de facti um filho. Aquele que acabaram de fazer. São insondáveis os caminhos da mente.

Dois meses mais tarde, Kyle voltará ao hospital e, tendo o leitor prestado atenção ao início desta história, saberá que foi para morrer. E saberá também que Madalena descobriu a semente do amor de ambos e correu a contar-lhe e ele já não ouviu. Não soube Kyle que seria pai, embora tivesse pressentido que lhe tinha feito um filho. E sonhou. Sonhou com o fruto desse amor, depois de fazer amor. E era com isso que estava sonhando outra vez, quando adormeceu para sempre.

Jacob, assim se chamará. Não será somente o filho de Kyle. Será a herança do seu amor. E assim viverá. Como o fruto da paixão de Madalena.

——————- FIM DO LIVRO I ——————-
———————– jpv ———————–


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Citação do Caminho

“for once, once in your life
won’t you do what feels right
instead of waiting for the next big compromise”

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A música é, para o meu gosto, belíssima. A letra é interessante e harmoniosa. Destaco este excerto, três versos, onde se se revela uma verdade universal.
Desfrutem.


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Cozinha para Homens – Bifes de Atum Fresco

Cozinha para Homens – Bifes de Atum Fresco

Quem ainda se lembra desta rubrica? Julgavam que eu tinha esquecido? Naaa… aqui nada se perde. Só tinha faltado oportunidade. Para os leitores mais recentes e que possam ter cometido o descalabro de ainda não ter lido os outros capítulos de “Cozinha para Homens”, advertimos que todos os pratos descritos foram confecionados e comidos, advertimos que as práticas aqui descritas não se devem executar sem supervisão de um adulto ou técnico especializado e advertimos também que este espaço é bem humorado, bem disposto e sem qualquer ponta de machismo, mesmo que pareça.

Hoje é dia de tolerância de ponto em Moçambique porque ontem foi o Dia da Mulher Moçambicana. Talvez por isso, muitos homens deixaram as mulheres em paz que é o melhor que se pode fazer por uma mulher: não lhe chatear a cabeça. A segunda melhor é ir às compras com ela e fingir-se interessado. Sim, fingir, ser genuíno nessa matéria não está ao alcance dos homens. Quer dizer, está ao alcance do meu cunhado, mas ele é um tipo esquisito. Não sei como é que ela o atura. Adiante. Eu não fugi à regra e bazei para para o mar alto com mais sete tipos e sessenta minis. Vai daí a minha mulher adorou. Além de não me aturar durante um dia inteirinho, vim carregado de peixinho fresco para casa. Ora vamos lá à receitinha.

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Bifes de Atum Fresco
Ingredientes: 
Um tio porreiro, um amigo com um barco, 7 ou 8 tipos, 60 minis, carne grelhada, sandes, material de pesca, 1 atum, cebolas, pimentos, sal, piri-piri, uma garrafa de vinho, uma garrafa de coca-cola, dois pães, fruta diversificada.

Preparação:
Arranje um tio porreirinho que viva em Moçambique. Siga o conselho do Senhor Primeiro Ministro e emigre também. Uma vez em Moçambique, peça ao tio porreirinho para o ajudar com a instalação e para o ambientar na nova sociedade e o ajudar a adaptar-se ao novo modo de vida. Quando o tio porreirinho, a propósito de um feriado, o convidar para irem pescar no mar alto com um amigo dele que tem um barco, não pense duas vezes, compre uns paques de cerveja, arranje umas sandes vista-se para a ocasião, levante-se às 4 da matina e vá ter com eles. Passe um dia fantástico, usufrua da paisagem e aprenda algumas técnicas de pesca. Lá para o meio da tarde já deverá ser capaz de pescar. Não se esqueça de ir distribuindo as cervejas e ajude-os a comer a carne grelhada deles. No final do dia, vai sentir-se orgulhoso dos dois ou três peixes que apanhou. Se, quando distribuírem o peixe, gentilmente lhe oferecerem um atum de oito quilos, aceite e leve-o para casa. Quando chegar, mostre-o à sua companheira e se ela o elogiar, aceite os elogios e tente tirar partido deles… você sabe! Depois tome um duche e vá dormir. Afinal de contas, você é um macho predador de sucesso que precisa de descanso. No dia seguinte, seja simpático, amanhe o peixe e corte-o às postas. Escamar? O atum não tem escamas, homem! À hora de almoço, sugira-lhe que faça dois bifinhos de atum fresco pescado no dia anterior, de preferência de cebolada, com piri-piri, porque ficam fantásticos. Enquanto ela cozinha, ponha a mesa mais ou menos como a imagem documenta. Pão fresco. Uma garrafa de vinho rosé bem frio, se ela não beber vinho, abra-lhe uma Coca-Cola. Atenção, em Moçambique, a Coca-cola está tabelada e o preço vem na cápsula. Se lhe pedirem mais de 12 meticais (mais ou menos 30 cêntimos de Euro), desconfie. Prepare uma salada de frutas com maçã, manga, papaia, ananás, banana e kiwi e sirva duas tacinhas. Basta descascar e cortar a fruta aos pedacinhos e juntar sumo de laranjas espremidas. Os sacos de laranja de sete quilos compram-se na avenida 24 de julho enquanto se está parado num semáforo e custam 100 meticais (2,5€). Como é que se prepara o atum propriamente dito? Eh pá, eu dava o número da minha mulher, mas ela recusa-se a ter telemóvel! A esse respeito aconselho-o a casar com uma mulher que adore atum e saiba cozinhá-lo tão bem que até faz crescer água na boca. Viu, como é fácil?!

(Clique para Aumentar)

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Nota 1: Agradece-se ao Nunes e ao Cruz a ajuda que deram na preparação desta receita, nomeadamente, convidarem para a pescaria e oferecerem o atum.
Nota 2: Agradece-se à mulher e à mãe dela. À primeira por saber cozinhar tão bem, à segunda por ter feito a primeira.
jpv


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SunFlower

SunFlower

One single minute
In within an all hour
That’s all it took
To see the blooming
Of the sunflower.

A generous curve,
A simple gesture
That you made.
The ground failed me
And all the world
Started to fade.

The sea in your eyes.
The smile of a lifetime.
The old man in me dies
For I want to make you mine.

jpv


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Páscoa

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Páscoa: Tinta Bic Cristal Gel made in Brasil sobre papel rasca de agenda made in China