
Depois de votar, gera-se em mim uma vontade de fazer nada, como se faltasse alguém que dissesse, acabou, percebeste.
Mas, desta vez, nem essa voz teria efeito. Com tudo pendurado, como mosquitos por cordas. Então, fomos votar para quê, voltarmos a votar?!
Aqui chegados, temos um encontro simpático e, faz-se lá imaginar, muito pouco previsível. Pelo menos para quem não anda atento.
Agora, resta-nos o embate entre a paz e a tranquilidade e a oposição a isso mesmo, entre o sistema que nos trouxe a democracia e a oposição a isso mesmo, a voz de estado e a oposição a isso mesmo, aquilo que sabemos bem o que nos traz e a oposição a isso mesmo, entre muito sapos e muito mais que isso mesmo. Agora, é decidir sobre a mudança, uma mudança vertiginosa, imprevisível e mais do mesmo. Mas, um mais do mesmo que traz a garantia sem um futuro e uma paz.
Resta saber se os portugueses querem a paz ou se querem uma verdade a cada afirmação, se querem uma roda viva de mudanças em cima de mais mudanças, se querem o seu dia a dia transformado num diz que disse.
Os dias que aí vêm são determinantes e incertos. Tal como o futuro. Meu pai estaria entusiasmado e eufórico, eu, como sempre assumi, estaria assim, incerto, com a sensação de que vitória de ontem foi como o 2-0 que o Benfica deu ao Rio Ave. É uma vitória, mas cheira-me tanto a derrota.
jpv