
Eu vejo
O que não há para ver.
Faltam-me os símbolos.
Os símbolos
Têm um efeito em mim
Como estivesse tudo bem,
Arrumadinho,
Como se andássemos
A fazer o que está certo.
Quando me falta
A bandeira portuguesa
É como se uma parte de mim
Não existisse.
Já a bandeira da União
Que há um ser maior,
Que, se morrêssemos todos,
Haveria alguém a dizer,
Faz-me falta, só para me lembrar
Ali viviam os Portugueses,
Veio um vento e levou-os,
Cozinhavam e divertiam-se.
É como se falassem de mim
Na terceira pessoa.
A portuguesa não.
Estou ali. Aqui viveu o poeta.
Nesta fase, nem uma, nem outra.
Mas hão-de surgir.
Quanto mais não seja
Quando morrer alguém.
Pode ser, então,
Que deixem por lá ficar,
E vamos todos esquecer-nos
Que foi sem querer.
jpv