
Ao pensarmos a “Inteligência Artificial” nas escolas entre o 7.º e o 12.º anos, não podemos assumi-la como uma moda, antes uma responsabilidade.
A falta de recursos é real, logo, sem formação docente e equipamentos decentes a conectividade em regime de equidade desvanece-se.
A disparidade nas ofertas é real. Escolas ricas recebem laboratórios e cursos; as outras ficam com app gratuitas e PDF. Isso amplia a desigualdade, não a corrige.
Um aluno com um telemóvel e um chat não é IA educativa. Ferramentas genéricas que geram respostas rápidas não substituem currículo pensado, avaliação formativa nem mediação humana.

Para que não me acusem de criticar, sem propor, em traços largos, como a IA deveria funcionar nas escolas.
Ser integrada no currículo: tarefas que desenvolvam pensamento crítico, literacia de dados e ética, não só “usar a ferramenta”. Antes de usar a IA, há que pensar na sua ética.
Suportar o ensino, não substituí‑lo: feedback automático para exercícios repetitivos e professores como mediadores para discussões, interpretação e senso crítico. Isto é fundamental.
Acessível e justa: versões offline, equipamentos partilhados, formação contínua para docentes e material em língua e contexto locais.
Transparente e segura: explicar como as sugestões são geradas, permitir correções e evitar vieses que prejudiquem alunos.

Usar a IA para diagnóstico e personalização controlada. As avaliações sumativas devem combinar tarefas humanas e verificáveis. E, deve-se ter em conta, a não utilização da mesma. Vulgarizar a avaliação formativa.
Se a política pública não investir em infraestruturas, formação e regulação, “AI nas escolas” será só mais um slogan. Comecemos pela igualdade de recursos e pelo propósito educacional, não por app dispersas por muito interesse que espelhem.
jpv