Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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CRÓNICAS DE MALEDICÊNCIA – Onde é que vamos parar?

Onde é que vamos parar?

O posto de saúde está aberto. O posto de saúde está fechado. Enfim, nem aberto nem fechado. A meio gás também não se pode designar. Como as fotos demonstram, é novinho em folha e lá dentro tem salas limpíssimas que dá gosto olhar. Mas só olhar. Consulta, nem vê-las!

Esta Unidade de Saúde existe no Coimbrão.

É uma freguesia do concelho de Leiria, e neste posto de saúde há qualquer coisa como 2500 utentes. Onde, agora, me incluo.

Estava tudo a correr bem, quando a médica que aí se encontrava, foi à sua vida. A bem dizer, já não chegava a ajumentação, para tão pouco pastor, mas o certo é que a senhora doutora, de uma forma, ou de outra, lá dava conta de tanto jumento.

Não foi por falta de aviso, sempre houve quem dissesse que, Qualquer ficamos sem médico.

E ficámos.

Se calhar perdeu-se o norte, pois umas vezes é considerado UCDP Norte, e outras é considerado Programa Operacional Regional do Centro.

Contam as línguas, que foi pedido um médico em regime de substituição, mas ninguém quis ir.

Ora, eu como doente prioritário, acho que um AVC ainda qualifica para tal, fui ao Centro de Saúde do Coimbrão, e, de  depressa entrei, mas rápido saí.

Agora que houve  umas eleições quaisquer, não era caso para fazer uma promessa eleitoral e pedir médico para o UCDP Norte, ou para o POR Centro, para qualquer um dá. A malta aqui é que não pode andar a ter AVC lá por haja médico. Aí isso é que não!

jpv


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Gaivotas

Foto por jpv

Num domingo,

Em que saí à rua,

Não houve pássaros.

Mas estavam umas centenas

De gaivotas,

Sedentas de África.

Ali, observando o mar,

De frente para um destino

Que já conhecem,

Como que perguntavam,

Quanta distância nos separa

Do calor?

Quantas horas de mar?

Quantas de nós sucumbirão?

Levantaram enxotadas

Por um transeunte

Para quem uma gaivota

É só uma gaivota.

Longe pensar, e sentir,

E questionar

Sobre o futuro,

O que virá depois dele.

Sobre o futuro do futuro.

Passaram por mim,

E num grasno irrepetível,

Adeus.

jpv