
Esses símbolos
De dor,
De sacrifício,
De morte,
Têm de unir-se
Sob pena
De ninguém os reconhecer.
Os homens têm de unir-se
Os homens têm de falar
A sua linguagem de amar.
Só essa.
jpv

Esses símbolos
De dor,
De sacrifício,
De morte,
Têm de unir-se
Sob pena
De ninguém os reconhecer.
Os homens têm de unir-se
Os homens têm de falar
A sua linguagem de amar.
Só essa.
jpv

Há cores
Amadeiradas
Que deixam o sangue para trás.
E fica
Marcado na pele
O símbolo do pecado.
Disciplinas de carne.
O sangue corre límpido.
A fé pura
Não a fé
Dos que dizem ter fé.
Pura.
Silenciosa.
A cruz
Quando o nome dela
Ainda se ouvia
No ar.
A cruz
Antes dos pecados todos
Antes de lhe terem prometido
O que não cumpriram.
A cruz
Antes ser cruz
Era só um madeiro.
Amanhã foi ontem.
E, a estrela de David,
Antes de ser sua,
Fora de outros, já.
Foi selo de Salomão.
Em uma perspetiva,
Ou noutra,
Jorrou-se o sangue
Da plebe
Em coisas divinas.
Que eu sou do meu amado
Pelo sangue,
E ou meu amado seja meu
Pelo sangue.
E os do quarto-crescente
Embalando a estrela
De cinco pontas.
Sangue.
Essa lua, virada ao céu,
Pois está cá em baixo.
Sangue.
E essa estrela
Que representa uma outra fé,
Ou a mesma,
Que ceifa a vida
Ou a dá.
Quantos já juraram
Por ela,
Quantos morreram
E quantos foram sacrificados,
Quantos?
Sangue.
A fé
Não define as práticas
Dos humanos.
Bebido já
O sangue,
Comidas as tâmaras,
Enrolado o pão ázimo,
É hora de empunhar as armas,
Já.
jpv

Um dia destes, numa costumeira passagem pelo painel de controlo, reparei que dos nove países da CPLP, seis estiveram no nosso bloque…
Boas leituras!

As cadeiras abandonadas
Sempre.
A paisagem é o mar,
Sempre o mesmo mar.
E as rochas
Acolhendo as bátegas
Com mais ou menos força.
Uma ave passa
De quando em vez,
O grasnar
Cortando o silêncio.
Tudo isto é verdade
E tudo isto
Tem uma repetição
Que não é própria
De um paraíso…
Falta-lhe vida…
A vida da savana!
Dos animais que se perseguem,
E comem, vorazes,
A presa.
E calmos,
Quando é preciso
Estar calmos,
E suados
Quando precisam
Suar.
E aquele, lá no alto,
Redondo,
E vermelho como nunca…
O Sol.
Quando chegarem a um local
Se o Sol não vos ferir
A sensibilidade
Ainda não é
O Paraíso…
jpv

Pardais.
Trepam todas as superfícies.
Ainda há pouco
Subiam a escada
Pelos caminhos
E ao mesmo tempo
Pelos degraus.
Enquanto um espiava
Os restos deixados
Numa mesa.
Outros debicavam
Uns grãos
Outros no chão.
E por fim,
A coragem de ir a uma mesa.
Dormem, às dúzias,
Por sob as palhas
Dos chapéus-de-sol.
E regozijam na grama
Da hortelã.
E por fim,
Uma pausa
Para interrogar-me
Porque um paraíso
Só tem pardais,
Só pardais.
Pardais.
jpv

Em todo este
Cinza,
Passou, isolada,
Uma ave
Que não sabia
Para onde fosse.
Tinha uma rota,
Parecia bem definida
E cruzou à minha frente
O seu certo caminho.
Acontece,
Momentos depois,
Duas passaram
Para o outro lado.
Por fim, soltou-se
A Lua,
E o quadro
Fez-se completo.
jpv

As cadeiras continuam abandonadas
E chega, aos meus pés,
Um restolhar
Do mar
E rocha
Que dão o descanso.
Bate e bate e bate,
E de novo bate,
Como se estivesse
A castigá-la.
Mas os beijos
Do mar,
Se vem de lá tão longe,
Hão de ter essa profundidade,
Essa paixão,
Ressonada na rocha
Que o acolhe.
jpv

Aqui ao pé
É um mar
Só.
Fugiram todas as aves
E os peixes
Foram dormir
Lá para o fundo.
Sobra este mar
Cinzento.
Até lá,
Junto ao horizonte
Onde as marés viram
E depois, só há dragões,
É neste momento do dia
Que penso
Porque não?
jpv

Oiço as canções
Do vento.
Mais lentas
E dolentes,
Mais inquietas
E desassossegadas,
A fazerem um pardal
Tombar na corda
E tentar
Equilibrar-se junto à papaia.
O mar enfurece-se,
Chamando a isso,
Subir um pouco as calças.
E os pardais
Atrevem-se a ver
O que está nas mesas,
E as pessoas
São generosas.
As mulheres
Viram-se nas camas,
Algumas aborrecem-se
E vão para o quentinho dos quartos.
O que daqui se avista,
É o ondular do mar,
Insensível às nossas coisas.
A piscina continua a oferecer-se,
Mas, hoje, não tem clientes.
Ouve-se uma canção
Indizível entre dois pescadores,
E um deles
Passa com a mesma cama
Na minha frente.
jpv

As ondas
Voltam a perturbar-se
Com o dia.
Parece que os dias
Agitam as marés
E os pescadores
Têm ritmos próprios.
Tudo parece
Responder a uma
Coisa qualquer
Que chama
E nos convoca a todos.
É a luz.
Não a luz das lâmpadas,
Uma luz maior
E universal.
Seguem-se os barcos,
Interpõe-se uma cana,
Chamando-a mesmo por isso,
As cadeiras ocupadas,
E todos seguem o dia…
Quase todos.
jpv
"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."
A esperança pra quem busca pequeno e grande detalhe do criador. Shaloom....
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