
Cláudia desliza como uma deusa,
Passadas firmes e imperceptíveis
Na elegância suprema do passar.
Isabel bamboleia-se desconjuntada
Como uma mamana africana,
Pose orgulhosa, altivez no olhar.
A Mãe de Isabel, à medida que o tempo passa,
Começa, subtil, a copiar-lhe o andar.
Cláudia pensa.
A Mãe de Isabel ensina a pensar.
Isabel aprende depressa
E com o pensamento que herdou
Molda o molde
Com que Cláudia pensou.
Respiram igual,
Certo respirar traquina
Que nasce no coração da menina
E cresce no peito da mulher.
O que uma deseja,
A outra já quer.
Cláudia é livre.
É uma força
Que envergonha a Natureza.
A Mãe de Isabel, suspensa,
Vive entre o medo e a incerteza
De não saber se errou.
Sem guia, nem solucões,
Cláudia quis,
A Mãe de Isabel amou.
Cláudia liberta.
Solta para a vida
E mais o que vier.
A Mãe de Isabel protege,
Sob suas garras afiadas,
A menina, sempre menina,
E já tão mulher.
Ronda-lhe a sombra,
Traça-lhe o perímetro.
Mede cada intenção,
Vigia cada centímetro.
É sua, a filha,
É sua, aquela vida,
Para proteger.
Por ela, só por ela,
Abdica da sua
E pediria para morrer
Uma morte talhada a cinzel.
Morre Cláudia,
Para que viva a Mãe de Isabel.
jpv