Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."

Mulher Moçambicana

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És um alguidar de plástico
À cabeça,
Uma silhueta recortada
Na manhã que começa.
És uma criança
Nas costas amarrada,
És a vendedeira de peixe
Por trás da bancada.
És um sorriso límpido,
Sem igual,
És a voz que desperta
O sol inaugural.
És um corpo vergado
Na machamba dos afazeres,
És mãe de sete ou oito
E irmã de outras mulheres.
És o trabalho e a libertação,
És a marrabenta e a oração.
És uma calça de licra
Na marginal,
És a força e o poder,
A resiliência fundamental.
És uma vendedeira de amendoim
Na beira da estrada,
És um olhar de esperança em tudo
E uma mão cheia de quase nada.
És uma palavra meiga e carinhosa,
És o epicentro da força revoltosa.
E és a graça
Que desliza e passa
Cingida por uma capulana,
Mãe de África,
Mulher Moçambicana.

jpv

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Autor: mailsparaaminhairma

Desenho ilusões com palavras. Sinto com palavras. Expresso com palavras. Escrevo. Sempre. O resto, ou é amor, ou é a vida a consumir-me! Há tão poucas coisas que valem a pena um momento de vida. Há tão poucas coisas por que morrer. Algumas pessoas. Outras tantas paixões. Umas quantas ilusões. E a escrita. Sempre as palavras... jpvideira https://mailsparaaminhairma.wordpress.com

Este é um blogue de fruição do texto. De partilha. De crítica construtiva. Nessa linha tudo será aceite. A má disposição e a predisposição para destruir, por favor, deixe do lado de fora da porta.