
Quando me tomas
Em tuas mãos,
E quando me recebes
Em teus lábios,
Quando me rodeias
E quando me envolves
Em tuas carícias aveludadas,
Nesse momento,
Nesse preciso e exato momento,
O Universo esconde-se,
Os astros perdem o alinhamento,
E todo o caos
E toda a desordem
Se conjugam noutra harmonia.
O sol, súbito, morre.
A noite faz-se dia.
As aves tombam inanimadas.
As viaturas deslizam nas faixas trocadas.
Os ventos sopram ao contrário.
O que era disperso se faz uno
E o que era uno se faz vário.
Os ponteiros do relógio,
Frios, inertes e incapazes.
Os miúdos de lábios pintados
E as raparigas parecendo rapazes.
E nesta ordem nova,
Neste estranho encantamento
Do Universo
Esconde-se a razão e a prova
De estar coeso e inquebrantável
O que fora frágil e disperso.
jpv
19/03/2020 às 16:43
Que amor este tão forte! Mas já se reconhece a luta para o sentir, para o viver em pleno! Abençoados os amantes que vivem um amor assim! Sem entraves, sem negações…
Força poeta nesta luta mais interna do que externa. Sim, porque algures, aí no mundo, está outro coração desejoso de ver o universo ao contrário!!!
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