No limiar das palavras,
A transgressão.
No limiar do desejo,
A tentação.
No limiar do possível,
O impossível.
Para lá do horizonte do meu corpo,
O teu corpo desenhado.
É solitário este caminho
E, ao mesmo tempo, tem tanta gente.
É um andar sozinho
À procura do que se sente.
É um ter de pensar o impensável.
É aprender a aceitar
O inaceitável.
E, sendo tanto,
É tão pouco.
Mente sã,
Coração louco.
É um renovar constante
Da doçura.
É um salto livre
Na loucura.
E é uma ave pousada,
E uma menina a brincar.
Uma mulher inesperada
Num peito a pulsar.
É tudo.
E nunca foi nada.
Amor mudo.
Paixão silenciada.
Um livro aberto,
E outro por ler.
Uma página em branco,
Uma história a nascer
No limiar das palavras,
À beira da transgressão.
jpv
