Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Not

Not

Os teus lábios
Na minha boca,
Louca.
Na minha língua,
À míngua.
As tuas mãos
No meu peito,
Feito.
No meu sexo,
Perplexo.

Podia ter sido
Tudo isso.
Mas não foi.
Foi o olhar
Incendiado,
O sorriso
Rasgado
Que me atiraste
Ao passar.

Foi essa
Promessa
Por cumprir.
Foi essa
Promessa
Não saciada,
A ténue distância
Entre tudo e nada,
Que me incendiou
E me deixou a arder
No lume brando
De não te ter,
Na impossibilidade
De te esquecer.

jpv


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Mais Uma Publicidade Fantástica!

Pois, eu sei, caros leitores, agora já é fixação minha. Mas o que é que querem? Estes senhores perseguem-me. Um dia destes fundo a Associação Nacional dos Professores e Mestres com Nomes Esquisitos que Distribuem Papelinhos Retangulares à Porta do Metro – ANPMNEDPRPM.

E cada um tem a sua particularidade. Se aquele que publiquei ontem era interessante por causa de resolver problemas de amarração, este leva esse desígnio muito mais longe. Coloca prazos! E fica provado que, ao contrário do que por aí se diz, não são as mulheres as complicadas! São os homens. E a prova é que demora mais um dia a desamarrar um homem do que uma mulher… Eh raça de agarrados…

Outra coisa que este tem de genial é que me faz saber o meu passado! Pois, esse mesmo que eu vivi! Mas ele deve ser um portento porque também me faz saber o meu presente! Deve ser do tipo: Hoje, o senhor está aqui comigo na consulta e vai pagar 100€ por ela! Vai lá vai…

Eu acho que devemos aproveitar já que o senhor “Encontra-se no nosso País”. Encontra, encontra, eu encontrei-o à porta do Metro do Cais do Sodré!

Mai nada!


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O Clã do Comboio – Frutinha Fresca e Dulce Pontes

Frutinha Fresca e Dulce Pontes

O Clã do Regional é diferente. Embora, na essência do seu comportamento, seja idêntico, há aspetos do dia-a-dia em que, naturalmente, difere. Um deles, já aqui referido, tem a ver com o facto de levar muito mais gente. O outro, também interessante, é a elevada taxa de professoras que viaja no Regional. Também viajam professores e pessoas de muitas outras profissões, mas, sem dúvida alguma, grande parte da população viajante do regional são professoras. Do 1º Ciclo.

Um dia destes, sentaram-se duas à minha frente. Uma mais nova, antes dos trinta, cabelo castanho liso, casaco de fazenda grosso, em verde seco, calças de ganga e uns óculos retangulares de massa preta. E falava, falava, falava… sempre de trabalho. Sempre dos seus projetos e atribulações. E falava, falava, falava. O interessante não foi ela falar pelos cotovelos, disso há muito no comboio. O interessante foi a frutinha toda que a outra comeu enquanto ela falou. Ela expunha, explicava, gesticulava e a outra ia dizendo, Sim, sim, pois, pois… e vai de estender uma mão à mala. E, sem olhar para a dita mala, abriu-a, desviou uns papéis, tirou um garfo inox, um saquinho de plástico, desatou-o e tirou lá de dentro uma tacinha com tampa. Destapou-a. E, enquanto a outra continuou a falar, ela comeu uma laranja previamente descascada e cortada em pedacinhos. Com garfo! Quando terminou, a outra continuou a falar. Então, ela, sem tirar os olhos da outra, tirou um guardanapo de papel do saco, limpou o garfo, fechou a taça, reenfiou-a no saquinho de plástico e meteu tudo na mala. E como a outra não se calava, ela, de novo sem olhar para a mala, tirou um paninho onde vinha embrulhada uma maçã e foi comendo-a lentamente. Quando terminou, sempre a olhar para a outra, arrumou o paninho na mala, levantou-se, tirou o casaco da estante e vestiu-o. O comboio parou e ela saiu. Já tinha comido a frutinha toda!

No lugar dela sentou-se uma moça com calças castanhas acetinadas, justas, um casaco de fazenda preto e o cabelo escuro apanhado atrás numa espécie de tótó. Tinha a boca pequenina e os lábios bem desenhados. Os olhos escuros e redondinhos sobre a pele clara. Quando a vi sentar-se, lembrou-me alguém, mas não soube quem. Pensei até que a conhecia, mas não. Era só uma parecença.

– Já alguém lhe disse que é muito parecida com a Dulce Pontes?
– Não, nunca.
E riu-se.
– Pois, mas é.
Estendi-lhe um cartão do blogue ao sorriso matinal e luminoso. Claro que levei uma cotovelada da Rapariga com Brinco de Pérola que me acha muito atrevido. E sou. Mas educado.

Ainda estive para perguntar-lhe se tinha a certeza que não era filha da Dulce Pontes, mas isso era capaz de ser um bocadinho exagerado. Vai daí, quando chegámos, despedimo-nos cordialmente e fomos às nossas vidas. Não pensei escrever este texto, mas, hoje de manhã, ia descansadinho no meu lugar e vi entrar no comboio uma moça que era a cara chapada da Dulce Pontes…

jpv


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Mais Uma Publicidade Fantástica!

Bem sei que não é a primeira vez que promovo um professor. Neste caso, um Prof. Mas a verdade é que não consigo resistir. Senão vejamos, o que é que me atraiu nesta pérola da publicidade? Eh pá, foi a amarração!!!

Claro que também é muito importante haver quem cuide de doenças espirituais e atraia clientes… Já agora, aqueles senhores que vendem o Viagra devem andar preocupados. Com o Prof. Cadri à solta quem é que vai querer comprar o comprimidinho azul?


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A DÚVIDA – CAPÍTULO XII

A DÚVIDA
CAPÍTULO XII

À medida de caminho, que piso as pedras claras da calçada, sinto-me como elas. Frio e abandonado entre semelhantes, parte de um puzzle de que não conheço todo o desenho. E levo comigo a documentação do divórcio. E, contudo, não deixo de sentir no meu intimo que há algo de desnecessário em tudo isto. E se ela estivesse a ser honesta? E se não houvesse nada entre ela e o Sebastião? Se o seu amor ainda fosse apaixonado e sincero? E se esta hesitação que sinto fosse ainda amor verdadeiro? Se, onde vi hábito, estivesse uma rotina a corroer o quotidiano, mas não a falta de amor? É curioso. Passei tanto tempo a duvidar, senti tanto tempo o peso da dúvida dela, tomei decisões sérias e definitivas por causa da dúvida e das suas consequências e é agora, a caminho do tribunal, a caminho de assinar a papelada que põe termo a tudo, que duvido da dúvida!

E nunca lhe dei razões para duvidar de mim! A minha cunhada nunca passou de uma fantasia minha. A minha secretária foi sempre só isso. Acabei mesmo por dispensá-la para a Bela descansar a cabeça, nenhuma outra mulher alguma vez me interessou e é terrível pensar que da parte dela pudesse tudo ter sido análogo. Seria um golpe cruel do destino. E só seria possível se fossemos fracos e incrédulos.

Talvez ainda lhe pergunte uma última vez…

Lá vem ela, traz o advogado, claro, e… como não podia deixar de ser, o Sebastião. Mas  em que é que eu estava a pensar? Onde é que tinha a cabeça? Olha-me aquele paspalho e as suas maneiras gentis e delicadas com ela, está a tentar provar-me o quê? E ela? Porque é que tinha de trazer aquele tipo com ela?

Nem sei como duvidei da dúvida. Não vou perguntar-lhe coisa nenhuma. O que está feito está feito, está feito e está bem feito.

Ainda demorou um bocado. Estou exausto. Acho que só agora reparo que hoje está sol. Há em mim um sentimento misto de libertação e desperdício. Acho que a vida é feita de decisões. Acho que nunca sabemos se vamos decidir bem ou mal e, mesmo depois de ter decidido, a qualidade da decisão afere-se pela forma como vivemos com a realidade que ela própria configurou.

No amor, ama-se ou não. Dedicamo-nos ou não. Duvidamos ou não. Decidimos ou não. Aceitamos ou não. Não há vencidos nem vencedores. Há só a vida que construímos com as nossas atitudes. O que ficou para trás não volta. O que temos pela frente é a vida que resta viver. Não importa se muita ou pouca. Importa se é bem vivida. Vivida de acordo com aquilo que somos, que queremos ser. Temos de nos descobrir. De aceitar quem somos e viver com isso.

Bem, vou tomar um café. Já mereço. E vou viver. Também mereço. Com certezas. E com dúvidas.

——————————- FIM ————————–

jpv


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29 de fevereiro de 2012

Caros Leitores,
quando vos escrevo estas linhas, são exatamente 23:59 do dia 29 de fevereiro de 2012. Ou seja, elas serão publicadas já no dia 1 de março. E isso foi de propósito.

Este dia 29 de fevereiro foi fantástico. Foi o dia que só acontece uma vez de quatro em quatro anos. O dia em que os meus primos, Susana e Alex, fizeram quatro anos de casados embora já estejam casados há dezasseis. Foi o dia em que assisti a uma interessante manifestação de solidariedade e foi um dia especial para Mails para a minha Irmã.

Pela primeira vez desde que começámos estes blogue, em maio de 2009, tivemos mais de sete mil leituras no mesmo mês com a particularidade de ter sido um mês mais pequeno do que os outros. Foi o mês em que mais vezes ultrapassámos as 300 leituras no mesmo dia e foi o mês que estabeleceu como algo de quotidiano o facto de haver mais de 200 leituras num dia. 

Ou seja, o mês foi curto, mas muito profícuo para Mails para a minha Irmã. Quer isto dizer que o Escritor e seus Leitores andam em sintonia. E isso é bom.

Aqui fica, mais uma vez, o meu agradecimento e o meu reconhecimento.

Um abraço a todos e… Boas leituras!


jpv