Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Bom de Ouvir

“És das pessoas que trago no coração.”
Primo Sopas


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Curtas do Metro – Assim Não Dá

Assim Não Dá

O Cais do Sodré é uma estação terminal. Querendo isto dizer que qualquer composição que ali chegue não vai mais para a frente porque não há mais para onde ir, logo, a malta tem de obrigatoriamente sair. A história que a seguir se conta só faz sentido à luz desse pressuposto!

8:50 de um dia de trabalho. o Metro chega ao Cais do Sodré. À medida que abranda a marcha, as pessoas dirigem-se para as portas de saída. Quando pára, a maioria dos passageiros está aglomerada junto às portas. Ao contrário do que costuma acontecer, do que é suposto acontecer e do que tem mesmo de acontecer, as portas não abrem. As pessoas fazem um compasso de espera. Olham-se com aquele ar condescendente do género “Neste país funciona tudo mal porque é que isto havia de funcionar bem”. Cria-se uma certa expectativa. E estamos neste silêncio, com as portas fechadas, quando uma voz feminina, doce e suave, anuncia gentilemente no sistema de som da composição:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
Um senhor de cabelo branco e pouca paciência respondeu à sensual gravação como se ela pudesse ouvir:
– Já saía, já…
A menina da gravação respondeu-lhe como se ele não tivesse ouvido bem:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
O homem exasperou. Então estavam a mandá-lo sair e não lhe abriam a porta e voltou a responder à gravação gentil:
-Se me abrires a porta…
Não há mal que sempre dure, nem bem que não se acabe. As portas acabaram por abrir-se e, já íamos na plataforma a caminho das escadas, quando voltámos a ouvir:
Cais do Sodré. Estação terminal. Pede-se aos senhores passageiros o favor de saírem do comboio.
– Se te calasses…

jpv


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De Negro Vestida LXXV

 

Abandonar o Negro – XII

Todas as situações têm uma explicação querendo quem as conhece dá-las e quem as não conhece recebê-las. Aquele final de tarde trouxera demasiadas surpresas para que Carlos José pudesse dispensar explicações. Maria de Lurdes encontrava-se numa situação diferente do costume. Não se tinha preparado como sempre gostava de fazer. A vida acontecera sem lhe perguntar se queria ou estava preparada.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Livro dos meus Disparates

“Não apoiei a solução interna,

Mas apoio a solução externa!”

Livro dos meus Disparates


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Carta da Irlanda a Portugal

Amigos, agora que fomos forçados a pedir ajuda externa a pergunta que vai na cabeça é tão simples quanto isto: “e agora como vai ser?”

Se querem conhecer o futuro, leiam uma interessante carta que a Irlanda escreveu a Portugal e que foi publicada no jornal “The Independent”

Deliciosa. Terrivelmente deliciosa.


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Ando a ler este

“O Senhor quis comprovar que o seu erro havia sido corrigido, e assim perguntou a Adão, Tu, como te chamas, e o homem respondeu, Sou Adão, teu primogénito, Senhor. Depois, o criador virou-se para a mulher, E tu, como te chamas tu, Sou Eva, Senhor, a primeira dama, respondeu ela desnecessariamente, uma vez que não havia outra. Deu-se o Senhor por satisfeito, despediu-se com um paternal Até logo, e foi à sua vida. Então, pela primeira vez, Adão disse para Eva, Vamos para a cama.
José Saramago in Caim


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Sátira com Consciência

Deliciosa e simultaneamente terrível, esta sátira de Waugh coloca-nos em mãos um improvável protagonista – Dennis Barlow – que se vê a braços com o funeral do seu tio uma vez que este se suicida aquando de uma visita de Barlow. No processo do funeral, o jovem conhece Aimée Thanatogenos, cosmética de cadáveres, por quem sente uma inegável atracção. Acontece que terá de disputar esses afectos com o embalsamador Sr. JoyBoy. O retrato de uma sociedade plena de rituais supérfluos e bacocos onde a imagem pessoal é o primeiro e mais estimado dos valores e cujo culto se reflecte na forma como se tratam os… falecidos.

É um texto extraordinário, que se lê de um fôlego (quando há tempo) e cuja revelação e empréstimo material agradeço à MJS.


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A Diáspora de Mails para a minha Irmã

Caros leitores,

para percebermos cada vez mais e melhor quem somos e donde vimos, aqui se apresenta a diáspora de Mails para a minha Irmã, ou seja, todos os países a partir quais houve visitas ao nosso blogue no mês de Março de 2011.

Conforme se percebe, temos visitas de lugares bem… diferentes e distantes!

A propósito, o que será que um ucraniano quer ler aqui? Ou será um português na Ucrânia?

Em todo o caso, são todos muito bem-vindos!