Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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"Com Amor," – Documento 3

Olha lá, mas tu achas que eu não te topo?

Beijo? Mas que beijo? Beijo a quem ou de quem?

Mas que petulância!

Verónica


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"Com Amor," – Documento 2

Olá Verónica,

Peço perdão pelo “olá”. Depois do teu e-mail não sei se é muito atrevido.

As mulheres são para mim, sempre foram, um universo fascinante, Repara, tu pudeste dizer-me tudo o que pensavas, pudeste chamar-me infantil, atrevido e intrometido. Só retive estas. E, para ti, tudo isso se inscreve no âmbito da frontalidade. Perfeitamente lícito, portanto. E para que usaste a tua frontalidade? Para criticar a minha!

Ora, analisemos. Quem éramos nós? Dois desconhecidos que têm em comum o mesmo trabalho e se conheceram num evento social. Comungámos o mesmo espaço durante alguns dias, trocámos ideias, partilhámos visões da profissão, da sociedade e até da forma de estar na vida. Até aqui tudo bem. e quando erro eu? Quando te digo aquilo que penso em relação a ti. E, que fique claro, não retiro o que disse. Eu acho mesmo que tu és uma mulher muitíssimo bonita, mas também acho que tens um evidente, gritante, problema afectivo e esse problema chama-se carência. E essa carência resolve-se com companhia. E é nesse contexto que te digo que deves arranjar um namorado. Nem sequer me ofereci para preencher a vaga. Não podia fazê-lo. Mas isso não anula o facto de haver uma vaga no teu coração. E, sim, precisas fazer amor. Uma mulher com a tua urgência de amar, precisa de amar em todas as frentes e amar um homem é só uma dessas frentes.

Talvez este seja o nosso último e-mail. Não acredito que me respondas, mas, cara Verónica, arranja um homem!

Beijo
Rui


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"Com Amor," – Documento 1

Olá Rui,

Escrevo-te, obviamente, por causa do que aconteceu ontem. Vais permitir-me duas coisas; que te trate por tu e que seja absolutamente franca.

Estava longe de imaginar que ainda houvessem homens tão infantis, tão atrevidos e, claro, tão intrometidos.

O facto de sermos colegas de trabalho não te dá, não pode dar-te, o direito de fazeres observações acerca da vida dos outros sem qualquer conhecimento de causa, dos assuntos e, sobretudo, sem que te fosse dada qualquer confiança para o efeito. Eu não te conhecia. Este evento, como tantas vezes acontece, permitiu que colegas que trabalham distantes pudessem conhecer-se, trocar experiências e ideias. Não tenho qualquer dúvida de que serás um bom profissional, mas não tenho dúvida nenhuma, também, de que precisas crescer. Se, eventualmente, pensas que um homem conquista uma mulher só com atrevimento, então deixa-me dizer-te que não conheces as mulheres. Enfim, nem sei se o que pretendias era conquistar o que quer que fosse. A minha atenção conquistaste. O meu respeito não.

Passa bem.

Verónica Gomes


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"Com Amor," está quase.

“Mails para a minha Irmã” começa esta noite a publicação de “Com Amor,” o novo projecto de escrita.
Ao contrário do que é costume, a numeração das publicações não será por capítulos, mas por documentos. Relembro que este projecto consiste na publicação de cartas e e-mails de carácter íntimo donde deverá emergir a trama.
A publicação dos textos foi autorizada, bem como os endereços de correio electrónico.
Boas Leituras!


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Humor Forum Estudante

A caminho de casa um indivíduo sentiu uma enorme dor de barriga e parou num centro comercial para ir à casa-de-banho. Como o primeiro compartimento estava ocupado, entrou no seguinte. Quando estava sentado ouviu um tipo ao lado a perguntar:

– E então? Tudo bem?

Embora não fosse de dar conversa a desconhecidos em casas-de-banho públicas, respondeu:

– Bem… vai-se andando…

Novamente o tipo ao lado perguntou:

– E então, o que andas a fazer?

Embora começasse a achar o assunto estranho, respondeu:

– Bem, agora estou aqui na casa-de-banho. Depois vou para casa…

Então, ouviu o outro dizer em tom chateado:

– Olha lá, há um tipo aqui na casa-de-banho ao lado que me responde cada vez que te faço uma pergunta… Ligo-te depois..


in Forum Estudante de Abril/2011, pág. 44


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Próximo Projecto de Escrita de "Mails para a minha Irmã"

Caros amigos e leitores,

“Com amor, é um projecto de publicação de textos de carácter íntimo. São cartas e e-mails que publicarei sem narração intermédia. O que se pretende é que seja o leitor a reconstituir a trama à medida que for tendo acesso aos documentos e à informação neles contida.
A escrita tornou-se um vício para mim. E só temo não ter tempo para todos os projectos que me vão na mente. Nem sequer ponho em cima da mesa a questão da qualidade. Escrevo porque gosto, escrevo porque percebo que muitos de vós me acompanham a escrita. Se é boa ou má, terão de ser os leitores a decidir.
A par dos seus muitos projectos, este blogue tem tido, há já alguns anos, publicações periódicas que depois resultam num texto eventualmente publicável. Ainda não aconteceu, mas isso não constitui para mim uma obsessão. Quando tiver de ser, será. Se não for, é porque não tinha de ser!
Com o fim de “De Negro Vestida”, emergiu a possibilidade de dar forma a um projecto em que já venho pensando há algum tempo: “Com Amor,”
Os primeiros documentos serão publicados ainda esta semana.
Boas Leituras e até breve.
jpv


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Citação do Deserto

“Afinal, pai, a globalização não chegou a todo o lado!”
Iago Videira


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Liberdade

Importa referir, antes de mais, que não me considero exemplo nem autoridade em nada. Sou um homem convicto, com princípios e ideais e com uma consciência aguda e sofrida das suas limitações, dos seus erros e das suas falhas. Tento aprender com eles e considero isso uma questão de dignidade e abnegação.
Feita a introdução, vamos ao que interessa. Penso que a Liberdade tem sido muito mal tratada em Portugal. É invocada como pretexto para se licitar qualquer tipo de actuação, mesmo as mais condenáveis, e raramente é utilizada em prol do bem estar social. Ora, como a Liberdade não é um conceito abstracto, mas antes o uso que fazemos do livre arbítrio nas nossas tomadas de posição, nas nossas palavras e nas nossas atitudes, o que acabei de dizer significa que temos vindo a agir mal. Eu posso estar enganado mas a Liberdade só faz sentido se as práticas inerentes à mesma forem dotadas de responsabilidade e respeito pelo nosso semelhante.
Eu quero celebrar a Liberdade em Portugal. Quero celebrar a livre expressão das nossas ideias e pensamentos e sentimentos e emoções. Eu quero que digamos às nossas crianças e aos nossos jovens que aquilo que se conquistou com o 25 de Abril de 1974 é absolutamente inestimável. Não tem preço. Vale uma nação. Vale a dignidade da vida humana. E, nessa medida, é preciso dizer às nossas crianças e aos nossos jovens que este dia tem de ser sempre comemorado e celebrado para que permaneça na memória das gerações que hão-de vir. É um legado precioso. A respeitar. A preservar. Mas quero também que se diga às nossas crianças e aos nossos jovens que o exercício da Liberdade só faz sentido se preservarmos e desenvolvermos outros valores. O valor do Trabalho. O valor do Respeito. O valor da Honestidade. Da Responsabilidade. Da Língua Portuguesa. Da Pátria que somos.
Não vamos conseguir sempre, mas temos de tentar sempre!
Em Liberdade, saúdo os leitores de “Mails para a minha Irmã”. Uma saudação fraterna e cordial. Uma saudação de comunhão. Uma saudação de Liberdade.
25 de Abril, Sempre.
Mais do que uma data, já mais do que uma revolução, o 25 de Abril é um legado de Liberdade!


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Saudação

A todos os leitores, independentemente do credo, raça ou quaisquer outros rótulos que colocamos a nós mesmos, venho desejar uma Páscoa Feliz. Quero com isto dizer que faço votos de que estes dias sejam para todos vós dias de harmonia, de entendimento e de paz. Desejo também que sejam passados com as pessoas que trazem mais significado às vossas vidas.
Até Sempre, João Paulo.


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Dez Curiosidades De Negro Vestidas

Alguns leitores têm perguntado se eu não faço um “making of” de “De Negro Vestida” conforme fiz para “Estórias ao Acaso: Noite Fria”. Uma coisa do tipo, onde se escreveu, como se escreveu. Efectivamente, não penso que valha a pena. Ainda assim, podem revelar-se algumas curiosidades que envolveram a criação do romance.
1) É verdade que visitei uma funerária e me informei sobre todo o processo de organização de um funeral. Desde as questões legais ao manuseamento de um cadáver passando pela terminologia, tudo o que está no romance tem suporte real.
2) É verdade que nessa funerária, contra o que é hábito, o responsável pelos serviços é uma mulher, sendo também verdade que os profissionais desta área têm de ter formação.
3) Sim, o episódio da troca dos cadáveres aconteceu mesmo.
4) Não há nenhuma relação entre a maioria das personagens e a vida real, mas há personagens inspiradas. São exemplo disso, Manuel Matos Vasques, o inquieto, António da Purificação Martins, o avarento e José dos Santos Silva, o palavroso. Ainda assim, enquanto personagens, são muito diferentes dos seus referentes inspiradores.
5) De Negro vestida teve uma fase de investigação e depois 15 meses de escrita em que se gastaram 3 cargas de caneta e oito cadernos de escrita. Este romance teve a particularidade de ser multinacional. Como atravessou o período de férias, houve capítulos que foram escritos em Espanha e outros em Creta.
6) Desta vez, não há nenhum alter ego do escritor, nem mesmo Gabriel, o jornalista escritor que, supostamente escreveu o romance…
7) No início de Outubro, estava na praia, nuns dias de descanso e uma onda surpreendeu toda a gente e molhou tudo. Eu corri para o caderno e salvei-o da molha total. Ainda assim, perderam-se várias páginas que tive de reescrever. Estavam nesse caderno mais de dez capítulos do romance.
8) Nenhum leitor me pediu nada de extraordinário, a não ser duas coisas interessantes: uma pessoa pediu-me que deixasse Maria de Lurdes encontrar o amor e outra pediu-me que não a matasse!!!
9) O romance segue o plano originalmente traçado, excepto na forma como se encaminha para o final onde fiz algumas adaptações.
10) Por fim, deixem-me dizer-vos algo muito sério: nada do que aqui foi escrito é absolutamente real, mas também nada é absolutamente ficção!
Até à próxima! Ou seja, até breve!