Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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"Com Amor," – Documento 96

Minha Querida,

Uma das virtudes dos homens e das mulheres é saber esperar. As tuas razões são as minhas. As mágoas que agora vives, provavelmente, vivi-as antes e daí estar preparado para o nosso projecto há mais tempo. Vivemos um desencontro no tempo e quem se apercebesse disso teria de saber esperar para acertar a passada. Foi o que fiz. Mais nada.

Não és devedora de nada, minha querida. Eu sim, não posso esquecer como me amparaste e ajudaste a reerguer no período após o meu divórcio. Não esqueço essa dádiva voluntária, esse amor verdadeiro que me dedicaste. Foi ele que me deu forças para esperar. Ainda bem que o fiz.

As portas do meu coração nunca estiveram fechadas para ti e será uma alegria e um prazer construir contigo o edifício do amor. E esse será o nosso primeiro e mais sólido património. Tudo o resto decidiremos em comunhão, na alegria de estarmos juntos.

Tentarei estar contigo ainda esta semana. Preciso abraçar-te. Tenho fome de ti, de beijar-te, de fazer amor contigo.

Teu, sempre teu.

José Pedro.


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"Com Amor," – Documento 95

Olá Zé Pedro,

Uma vez ouvi na televisão alguém dizer que as pessoas não procuram relações, procuram outras pessoas. Não podia estar mais de acordo.

Este mail pode ser considerado, por ti, como um atrevimento ou, simplesmente, como o próximo passo das nossas vidas. Desta vez, um passo cuja iniciativa é minha, tem de ser minha.

Tu és a minha pessoa, Zé Pedro. e essa é a minha verdadeira e primeira razão para escrever-te esta mensagem, para dar este passo na tua direcção.

Há pouco mais de um ano fizeste-me uma proposta de vida e eu assustei-me. Hoje, sei que esse susto se deveu a eu estar muito habituada a viver comigo mesma, a ser responsável pela minha vida e pela do meu filho e, de repente, fui confrontada com o facto de ter de abdicar dessa liberdade e nem me apercebi que isso poderia significar somente a vida em partilha.

Entretanto, por circunstâncias que não vou explorar, pude conhecer outras pessoas, outras formas de estar, e percebi que, por mais extraordinárias que as pessoas sejam, por mais sensíveis e apaixonadas que pareçam ou, efectivamente, sejam, elas só poderão entrar na nossa vida se nos deixarem entrar na delas e isso implica fazer concessões e cedências. Estarem disponíveis para nós e aceitarem a nossa disponibilidade. Tu estás, Zé Pedro, mais ninguém. E acho que a isso pode chamar-se amor. Eu venho dizer-te que estou disponível para ti também, se ainda me quiseres.

Quando te sugeri que fizéssemos uma pausa no nosso relacionamento, foi para percebê-lo à distância e “por fora”. Foi para ver como nos imaginava juntos, como um casal, sem estar envolvida no projecto.

Já não preciso de mais tempo, Zé Pedro, e só espero ainda ir a tempo de encontrar as portas do teu coração abertas para mim.

O que eu vi “à distância” foi um homem disposto a construir o seu quotidiano comigo. Conquistas, partilhas, problemas e tudo, tudo incluído. E a vida a dois não pode ser senão dessa forma. Hoje, até me pergunto como pude hesitar… acontece que os homens e as mulheres duvidam. E só porque duvidam, conquistam certezas. Hoje tenho a certeza de que é contigo que quero viver a vida, partilhar os dias, educar os nossos filhos, o meu rapaz e a tua menina.

Não sei se isto é uma declaração de amor, mas sei que é uma honesta e profunda declaração de intenções. Claro que há aspectos que teremos de debater porque não estamos de acordo, mas façamos dessa discussão clara e sincera o nosso principal património.

Estou magoada com a vida. Mas não me importo. Talvez precisasse viver a experiência da mágoa para te valorizar, para nos valorizar o suficiente e nos assumir.

Um beijo terno, pleno de saudade.

Com Amor,

Tânia.


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"Com Amor," – Documento 94

Meu Amor, meu pacato e suave Rui,

Ninguém te conhece como eu. Não me refiro aos teus hábitos quotidianos, mas antes à tua essência, a quem tu és de facto para além da capa do profissional competente e determinado. Tu és uma alma boa e sensível, meu amor, que quer muito amar e precisa muito ser amada. Não te dilaceres, meu querido, toma a tua decisão em paz e em tranquilidade contigo próprio. Foste tu quem me ensinou este princípio e ele é tão acertado, meu querido! Assume-o para ti. Não te sintas pressionado por nada, meu suave Rui, nem por aquilo a que chamas de “acontecimentos recentes”. Eu não terminei a minha relação com o Zé Pedro. Fiz uma pausa, com o acordo dele, para que pudéssemos repensar-nos enquanto casal e para que pudéssemos ter algum distanciamento em relação a nós próprios. Tu não és responsável por isso, meu querido. Tudo o que temos feito em sido em harmonia e na mais absoluta clareza um com o outro. Continuemos assim! Claro que não vou dizer-te que esperarei para sempre, mas eu sei que tu próprio também não podes esperar para sempre. Faz-te falta a paz da tua decisão.

Faz 1 ano, meu amor, e é um ano que guardarei para sempre comigo como um ano de milagres, seja qual for a tua decisão e o nosso destino.

Com Amor,

Tânita


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"Com Amor," – Documento 93

Meu Amor,

Resolvi escrever-te hoje porque faz exactamente 1 ano desde o dia em que demos um beijo apaixonado na salinha da fotocopiadora.

Foi o primeiro de muitos e apaixonados beijos, de milhares de carícias voluptuosas e estonteantes, de muito, intenso e maravilhoso sexo. Uma infindável conversa de corpos, de jogos de prazer todos feitos de dádiva, de entrega, de pura e natural sedução. Uma harmonia nos gestos que nasce na forma como encaramos o mundo, a vida e o amor. Uma sintonia que começou nas palavras e nas ideias, se materializou nos corpos e voltou às palavras com que sempre partilhámos tudo.

Tu não és uma alma gémea. Uma alma gémea será uníssona, mas outra, e tu és, para mim, uma parte do meu sentir, do meu ser e do meu agir. Nós somos fragmentos da mesma alma. O nosso mundo, aquele em que conversamos, debatemos as nossas ideias e trocamos os nossos corpos no bailado do amor, é um mundo perfeito. Assim ele fosse o único. Mas não é, meu amor, minha livre e doce Tânia. É o mesmo mundo onde temos de encontrar-nos furtivamente, o mesmo mundo onde é preciso calar e esconder o nosso amor para que possa ser vivido, o mesmo mundo onde temos compromissos e obrigações que existiam antes de nós. Temos sentido a pressão e o desgaste desta situação e não fora a nossa paixão tão forte, não fora o nosso amor tão sólido e teríamos sucumbido já. Mas eu sei, meu amor, que não podemos protelar mais esta situação. Há opções que têm de ser feitas e decisões que precisam ser tomadas. Entregámos um ao outro um ano das nossas vidas, mas não é sustentável continuarmos assim e eu sei, minha querida, que, dados os acontecimentos recentes e a actual situação, me cabe a mim dar o próximo passo.

Hoje venho dizer-te que te amo muito e te quero muito e venho pedir-te que nunca duvides desse amor nem dessa entrega, seja qual for a minha decisão. Hoje, venho entregar-te o meu amor.

Com Amor,

Rui


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"Com Amor," – Documento 92

Olá Rui,

Tu és um safadão. Com que então a querer tratar o nosso beijo, o segundo em dois dias(!!!), como se não fosse nada. Foi e foi muito! Não vês que significa que não estamos a ser disciplinados, rigorosos?
Bem, tirando isso, o beijo foi bom… foi envolvente!

Quanto à nossa sintonia, acho que é mais do que sintonia. É uma certa harmonia na forma de ver a vida e no que queremos dela. Ultimamente, sinto-me bem ao pé de ti, é como se as coisas no Universo estivessem naturalmente organizadas. Não há esforços nem fingimentos. Mas tudo isto é precipitado.

PRECISAMOS TER JUÍZO!

Beijo Bom,
Tânia


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"Com Amor," – Documento 91

Olá Tânia,

Hoje, penso, portámo-nos muito melhor. É evidente que aquele beijo apaixonado e estonteante que me deixou com um desejo louco de fazer-te minha poderia não ter acontecido, mas até aí estivemos muito bem. Conversámos coisas muito importantes. Talvez fosse melhor não sermos sempre os últimos a sair. Os outros vão acabar por reparar.

Sim, estou em sintonia ctgo. A vida é o que fizermos dela, é construída pelas nossas decisões. Não há passado nem futuro que não estejam ligados ao que os homens decidiram fazer ou decidirão fazer.
Sim, estou em sintonia ctgo. As coisas existem para nos servir e não para nos sacrificar e as mais fantásticas desta vida são de graça…
Sim estou em sintonia ctgo. Por vezes apetece-me desligar de tudo o que é material e recomeçar do zero, às vezes apetece-me ter uma casinha pequenina em que eu entre sem tropeçar em objectos inúteis. Os objectos não são vida. Vida é o que fazemos com o tempo que temos.

Pensei que ninguém entenderia isto. Tu entendes e isso é maravilhoso. O nosso caso, que ainda não é nada, pode tornar-se sério por aí…

Até amanhã.

Com Amizade,
Rui


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"Com Amor," – Documento 90

Olá Rui!

Esperei por ler-te.
Ainda bem que escreveste. Fiquei mais tranquila.

Não pode mesmo repetir-se!

Beijo

Tânia


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"Com Amor," – Documento 89

Calma miúda!

Não te martirizes. Foi só um beijo. Sim, eu sei, mesmo assim é grave. Quando te digo para teres calma e para não te martirizares é pelo seguinte: eu estava agitado, também. E estava a rezar para que ficasses, e se tu não tivesses atrasado a tua saída hoje, eu teria atrasado a minha noutro dia qualquer. Isto não é culpa tua, é responsabilidade nossa.

Acho que quebrámos as regras todas da empresa, embora eu ache que não somos os primeiros a trocar beijos apaixonados na salinha da fotocopiadora… fofocas! Depois falamos.

É claro que é melhor que não se repita. Há demasiada gente envolvida. Seremos fortes!

Beijinho.
Rui


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"Com Amor," – Documento 88

Querido Rui,

Desculpa, desculpa, desculpa…
É já muito tarde, mas resolvi escrever-te na mesma. É demasiado importante!

Eu não percebi que pudesse acontecer aquilo que aconteceu hoje, mas o facto é que aconteceu e eu assumo… Tu tinhas de trabalhar até tarde e precisavas ficar no escritório. Eu não, Rui. Eu estive a empatar e a fazer horas para poder falar contigo. O meu coração pulava de agitação e só quando acabei de beijar-te percebi que fora um impulso e que não devia ter acontecido.

Não se repetirá!
Mais uma vez, peço desculpa.

Tânia.


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"Com Amor," – Documento 87

Ainda te li!

Até segunda! 🙂

Tânia