Na Margem do Saber
Morres na margem
Do saber.
E enquanto te esvais
Não sabes que estás a morrer.
Habitam em ti fantasmas,
Almas negras,
Medos do mar profundo.
Tudo em ti é superficial
E habita as orlas do mundo.
Afinal o teu mar era uma piscina,
A tua mulher, uma menina,
A tua vida, uma ilusão.
Agarras uma mão
Com a outra mão
E julgas-te agrilhoada.
A tua mente tem medo
De tudo…
E de nada.
Tens esse véu
A tolher-te a visão.
Tens só uma leve
E imprecisa sensação
De que é luz.
Mas não é.
É uma treva escura,
Uma cortina semi-cerrada,
Um obstáculo intransponível.
A tua visão é invisível
E tem nome.
Chama-se Ignorância.
E o limiar da dor
Não me vem daí.
Vem de não saberes,
Vem de ignorares os poderes
De pensar,
Vem de agires por selvagem instinto
Na margem desse
Inacessível recinto
A que chamo consciência.
Viver não é uma ciência.
É a pura e única verdade,
Viver é respeitares com a tua
A minha Liberdade!
jpv

24/10/2013 às 21:39
Olá Fernanda. Sim, conheço essa tua mania. É só uma das coisas que admiro em ti. Terminas com uma pergunta. eu só tenho uma motivação para tudo o que escrevo: a vida! Escrevo como quem respira. Dentro desse universo, houve recentemente uma pessoa que se cruzou comigo e que mostrou que achava que sabia tudo. E sabes como essas pessoas estão erradas. Analisou, diagnosticou, decidiu e agiu à margem do mais elementar bom senso. O mais grave, grave mesmo, é que nem se apercebeu da sua ignorância tão focalizada que estava nas suas determinações. Essa pessoa, mesmo sem saber, arrancou-me este poema. O que é irónico porque acabo por lhe ficar grato!!! São as sinuosidades da vida… Obrigado por perguntares/provocares. Beijinhos para ti e para as meninas (acho que mulherzinhas, por esta altura!). jpv
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24/10/2013 às 21:34
Obrigado, Dulce. Sempre generosa comigo!
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24/10/2013 às 20:30
JP,
Deixaste-me sem palavras…
Adoro a tua poesia!
Beijinhos!
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24/10/2013 às 15:38
Olá João Paulo, achei este poema particularmente interessante. Mais uma vez um excelente jogo de palavras/ verdades. Conheces aquela mania esquisita que eu tenho de estar sempre a tentar espreitar por detrás da cortina? O que é que leva um homem a escrever este poema?
Um beijo amigo.
Fernanda
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