Nkombela, Por Favor!
Uma bandeira branca,
Uma mão no ar,
Uma marcha que arranca
Uma só voz a cantar.
E uma gente que pede,
Nkombela, por favor,
Milhares de almas gritam
Um povo farto de dor.
E vês passar, na televisão,
E parece longe e distante,
Súbito te agarram pelo coração
E entras na turba gritante.
Não é de guerra
A gente que trabalha.
Não é de morte
A gente que sacrifica.
Não é de ódio
A gente que sorri.
Não merecia dor,
Por um dia que fosse,
A gente que te acolhe
Com um olhar terno e doce.
Não sei as palavras complicadas,
Não tenho as soluções complexas,
Nem as influências acertadas.
Tenho só a humildade da palavra
Que também leva vontade e fulgor:
Libertai a Paz em Moçambique,
Nkombela, por favor!
Monthly Archives: Outubro 2013
Cansaço
Cansaço
Estou cansado
Das pessoas.
São demasiado más
As coisas menos boas.
Estou cansado
Das palavras.
São demasiado amaras
As menos doces.
Estou cansado
Dos gestos.
São demasiado agressivos
Os mais brandos.
Estou cansado
Desta mesquinhice
Sempre alerta,
A espada da língua
Sempre desperta.
Não há originalidade possível,
Não há limpeza viável,
A virgindade morreu virgem
E putrefacta,
Devassada por homens educados
E mulheres dignas.
Não gosto de ti, nem de ti,
Nem de ti,
E de ti também não.
Para cada pronome
Há um nome,
Uma figura
E uma configuração.
Jorro o fel
Para me não sufocar nele.
O único mel
Tem agora uma fina camada de bolor.
Essa crosta da ferida,
Depois do sangue
E da dor.
Já desisti das tentativas todas.
Já não quero a hipocrisia das festas e das bodas,
Já rejeito todas as palavras suaves,
Amo as duras e graves,
E tomo por certa a hostilidade.
Já morreu o meu crer,
Morreu de cancro e excesso de idade!
Era uma vez um menino…
Fez-se homem,
Desiludiu-se
E morreu.
E, mais tarde, quando veio a falecer
Já nada tinha de seu.
Desse âmago verdadeiro e inexplorado,
Desse solo fértil de esperança,
Resta um mato escasso e queimado
E reina miséria
Onde houve abastança.
Chega já a noite doce e funesta
Cantam e silvam em rituais de festa
Os seres do além.
Uma alma mais se aproxima,
Vazia e fustigada.
Ouvi, anjos e demónios,
Finalmente morreu Ninguém!
jpv
Conversas Vadias – Sem Pecado Não Dá!
Hoje vi um escritor
Na Margem do Saber
Na Margem do Saber
Morres na margem
Do saber.
E enquanto te esvais
Não sabes que estás a morrer.
Habitam em ti fantasmas,
Almas negras,
Medos do mar profundo.
Tudo em ti é superficial
E habita as orlas do mundo.
Afinal o teu mar era uma piscina,
A tua mulher, uma menina,
A tua vida, uma ilusão.
Agarras uma mão
Com a outra mão
E julgas-te agrilhoada.
A tua mente tem medo
De tudo…
E de nada.
Tens esse véu
A tolher-te a visão.
Tens só uma leve
E imprecisa sensação
De que é luz.
Mas não é.
É uma treva escura,
Uma cortina semi-cerrada,
Um obstáculo intransponível.
A tua visão é invisível
E tem nome.
Chama-se Ignorância.
E o limiar da dor
Não me vem daí.
Vem de não saberes,
Vem de ignorares os poderes
De pensar,
Vem de agires por selvagem instinto
Na margem desse
Inacessível recinto
A que chamo consciência.
Viver não é uma ciência.
É a pura e única verdade,
Viver é respeitares com a tua
A minha Liberdade!
jpv
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