Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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As Cores da Capulana – Nkombela, Por Favor!

Nkombela, Por Favor!

Uma bandeira branca,
Uma mão no ar,
Uma marcha que arranca
Uma só voz a cantar.
E uma gente que pede,
Nkombela, por favor,
Milhares de almas gritam
Um povo farto de dor.
E vês passar, na televisão,
E parece longe e distante,
Súbito te agarram pelo coração
E entras na turba gritante.

Não é de guerra
A gente que trabalha.
Não é de morte
A gente que sacrifica.
Não é de ódio
A gente que sorri.
Não merecia dor,
Por um dia que fosse,
A gente que te acolhe
Com um olhar terno e doce.

Não sei as palavras complicadas,
Não tenho as soluções complexas,
Nem as influências acertadas.
Tenho só a humildade da palavra
Que também leva vontade e fulgor:
Libertai a Paz em Moçambique,
Nkombela, por favor!

jpv


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Cansaço

Cansaço

Estou cansado
Das pessoas.
São demasiado más
As coisas menos boas.
Estou cansado
Das palavras.
São demasiado amaras
As menos doces.
Estou cansado
Dos gestos.
São demasiado agressivos
Os mais brandos.
Estou cansado
Desta mesquinhice
Sempre alerta,
A espada da língua
Sempre desperta.
Não há originalidade possível,
Não há limpeza viável,
A virgindade morreu virgem
E putrefacta,
Devassada por homens educados
E mulheres dignas.

Não gosto de ti, nem de ti,
Nem de ti,
E de ti também não.
Para cada pronome
Há um nome,
Uma figura
E uma configuração.

Jorro o fel
Para me não sufocar nele.
O único mel
Tem agora uma fina camada de bolor.
Essa crosta da ferida,
Depois do sangue
E da dor.

Já desisti das tentativas todas.
Já não quero a hipocrisia das festas e das bodas,
Já rejeito todas as palavras suaves,
Amo as duras e graves,
E tomo por certa a hostilidade.
Já morreu o meu crer,
Morreu de cancro e excesso de idade!

Era uma vez um menino…
Fez-se homem,
Desiludiu-se
E morreu.
E, mais tarde, quando veio a falecer
Já nada tinha de seu.
Desse âmago verdadeiro e inexplorado,
Desse solo fértil de esperança,
Resta um mato escasso e queimado
E reina miséria
Onde houve abastança.

Chega já a noite doce e funesta
Cantam e silvam em rituais de festa
Os seres do além.
Uma alma mais se aproxima,
Vazia e fustigada.
Ouvi, anjos e demónios,
Finalmente morreu Ninguém!

jpv


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Conversas Vadias – Sem Pecado Não Dá!

Conversas Vadias – Sem Pecado Não Dá!

– Ó boss, compras uns cigarros?
– Não fumo, Obrigado.
– Ó boss tenho aqui umas garrafas de uísque…
– Também não bebo, obrigado.
– ‘Tá maaal! Ó boss, ’tá na hora de começar a pecar!

jpv
Maputo, conversa real junto ao Piri-piri.


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Hoje vi um escritor

Hoje vi um escritor. Às vezes vejo publicadores. Normalmente, os publicadores auto-intitulam-se de escritores e quando o fazem, nós percebemos que o não são. Era uma sessão solene com homenagens e figuras públicas e institucionais a emoldurarem o cenário onde se desenrolou a mesa redonda que nem reparei se era redonda mesmo ou só no nome. E os fatos e as gravatas e os perfumes e as palmas e os apertos de mão e as mãos no ar a pedir a palavra e as perguntas e as respostas a persegui-las. E o escritor, de sorriso cândido e palavra genuína disse Eu estou num processo de aprendizagem, na busca de um provável escritor em mim. E calou-se. E eu vi o escritor nele. E depois retomou a palavra e disse outros espantos, que tinha decalcado muitos textos dos outros, do José Craveirinha, dizia ele, lia os textos e decalcava a ver se ficava como ele e confessava o plágio e eu lembrava-me a mim mesmo que os romanos incentivavam isso, fomentavam o plágio dos bons autores como arte de aprender. E era a hora das receitas e eu com medo. Se ele me vem dizer em que posição se escreve um romance, quantas páginas se deve escrever por dia, com que braço, com que caderno, a que velocidade, eu levanto-me daqui e vou perder o tempo para outro lado, quem sabe, comer uma omeleta no Piri-piri. Mas ele calou-me a intenção. O escritor. Jovem. Humilde. Sabedor. E disse como quem se escusa de ensinar, ensinando, Às vezes aprendemos as técnicas inconscientemente. Como é verdade, jovem escritor. Como é verdade que tantas vezes é a escrita que nos ensina a escrever, que nos mostra a vida e o caminho das palavras. Como é verdade que às vezes acordamos para as palavras e elas já lá estão. Eu vejo o escritor como um parasita que se alimenta de leituras. Tens razão. E de gente. E movimentos. E de palavras ditas. E de vida e de tudo o que seja observável. Sabes, escritor, às vezes vou no carro a conduzir e a companheira vai falando, falando, desenhando a vida, planeando os gestos e depois pergunta-me a opinião e eu Hã?! e ela se zangando porque eu não estava a ouvir. Em que vais a pensar? Quer saber. Vou a escrever. E escrevo sem caneta nem papel, na cabeça, enquanto remexo no que vi, observei, em última análise, no que li. E tinhas de falar das técnicas e dos rituais. Pediram-te. E tu que não queres nada disso, tudo o que queres é escrever, disseste a outra verdade, Cada escritor inventa os seus rituais. Pois é. Uns andam de braço dado com a boémia, outros se levantam de madrugada, outros são obesos e sedentários, outros ainda correm e suam no ginásio, outros é quando chove, outros é nas férias, havia um que era de pé e outro que era nas costas desnudadas das amantes saciadas. E de ti sabemos o essencial proferido com as palavras simples e exatas. Sem receitas. Sem truques nem artifícios. Escrevo sob o signo da surpresa, da subversão e da loucura. E eu bebia-te as palavras, a simplicidade da presença afável e humilde em lições jovens de vida e de estar. Hoje vi um escritor, a metamorfose constante do homem que regurgita a vida para os outros e lha oferece limpa de si, cristalina e depurada. Crua.
jpv
Hoje, numa sessão do xxv Curso de Literatura em Língua Portuguesa promovido pelo Instituto Camões e pela Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, ouvi e bebi as palavras de um jovem e promissor escritor moçambicano: Lucílio Manjate. A não perder o escritor que aí vem.

Lucílio Manjate


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Na Margem do Saber

Na Margem do Saber

Morres na margem
Do saber.
E enquanto te esvais
Não sabes que estás a morrer.
Habitam em ti fantasmas,
Almas negras,
Medos do mar profundo.
Tudo em ti é superficial
E habita as orlas do mundo.
Afinal o teu mar era uma piscina,
A tua mulher, uma menina,
A tua vida, uma ilusão.
Agarras uma mão
Com a outra mão
E julgas-te agrilhoada.
A tua mente tem medo
De tudo…
E de nada.

Tens esse véu
A tolher-te a visão.
Tens só uma leve
E imprecisa sensação
De que é luz.
Mas não é.
É uma treva escura,
Uma cortina semi-cerrada,
Um obstáculo intransponível.
A tua visão é invisível
E tem nome.
Chama-se Ignorância.
E o limiar da dor
Não me vem daí.
Vem de não saberes,
Vem de ignorares os poderes
De pensar,
Vem de agires por selvagem instinto
Na margem desse
Inacessível recinto
A que chamo consciência.
Viver não é uma ciência.
É a pura e única verdade,
Viver é respeitares com a tua
A minha Liberdade!

jpv


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O Top da Publicidade Fantástica


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O Top da Publicidade Fantástica

A publicidade fantástica está cada vez mais apurada.
Ofereceram-me ontem este precioso exemplar do folheto SexPlus.

Reparem nos seguintes aspetos:

Já não é um professor ou um mestre com nome esquisito do tipo Karambá.
É um frasco milagroso à laia de lâmpada de Aladino.
Já não são papelinhos pequeninos ou a preto e branco. É um orgulhoso A5 em papel brilhante e lustroso.
Quase não tem erros ortográficos.
O título vem em Inglês, a língua da modernidade.
Algumas palavras, como “ereção”, já respeitam o acordo ortográfico.

E, finalmente, reparem nas seguintes preciosidades:

a) “Amplamente demonstrado”
Pois, como é que foram feitas as demonstrações é que não sabemos. Não seria “Amplamente testado”?

b) É delicioso e muito promissor o conceito de “ereção com sustentação”. E já fornecem o sustentáculo? Ou é pura levitação?

c) “Ele ajuda a parar a ejaculação rápida”. Desta, caros leitores, é que tenho muitas dúvidas. Há coisas que não se param. Sejam lentas ou rápidas!

d) Este produto descobriu uma das grandes cruzadas da ciência: o princípio do perpétuo movimento. Reparem, após uma ejaculação, nada melhor que estar pronto para outra e assim sucessivamente… irra!

e) Por fim, e a terminar o documento, um toque médico, aquilo a que eu chamo “o momento bata branca”: é que o SexPlus, além dos milagres performativos, também vai ao âmago da questão e repara o coração do motor da viatura.

Se virmos bem, sendo justos, isto é muito melhor que o Elixir da Vida Eterna. Pode não se viver para sempre, mas enquanto se vive é sempre a abrir…

No verso do documento estão os contactos para aquisição. Se alguém quiser, é só pedir!
jpv


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Numerologia Interessante

Numerologia Interessante

“Mails para a minha Irmã” sempre teve uma frequência diversificada. Portugal, naturalmente por questões de Língua, foi sempre o país a fornecer mais leitores. Depois tínhamos países como o Brasil, a Suíça, a Rússia, mais recentemente Moçambique, mas com o público português a destacar-se. Isto parecia-nos natural e, diversas vezes e a título de curiosidade, fomos divulgando dados.

Acontece que tudo muda e nos últimos quarenta e cinco dias deu-se uma mudança drástica. Portugal deixou de ser o país que mais leitores fornece a MPMI. E a diferença acentua-se a cada dia que passa. Neste momento, o país que mais leitores fornece a MPMI são os Estados Unidos! Pois… ultrapassa-me. Admito, pelas zonas de acesso, que sejam comunidades portuguesas nos EUA.

A todos os leitores de MPMI, de todos os quadrantes, um forte agradecimento pela vossa dedicação. Todos são especiais para nós. E claro, um abraço especial, desta vez, para os amigos de MPMI que vivem nos EUA. 

A título de curiosidade, ficam os números relativos às visitas dos últimos trinta dias selecionados, somente, os cinco países donde provêm mais leitores.


Até já!
jpv
—————————–

Visitas Hoje

Estados Unidos
202
Portugal
48
Moçambique
35
Rússia
21
Brasil
20

Visitas na Última Semana

Estados Unidos
693
Portugal
215
Brasil
110
Moçambique
93
Rússia
80

Visitas no Último Mês


Estados Unidos
2087
Portugal
1167
Brasil
471
Moçambique
373
Rússia
223


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O Melhor Som do Mundo no Blogue do Costume

Porque hoje é sexta-feira e uma amiga me lembrou que este era o melhor som do mundo!

Estes tipos marcaram-me de muitas maneiras, fazer-me sentir a vida e sugá-la até ao tutano foi só uma delas.

Além de ouvir a música, os leitores podem reler o conto Elegia para um Concerto!

Bom Fim de Semana



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Crónicas de Maledicência – O Sorteio do Ano

Crónicas de Maledicência – O Sorteio do Ano

Muito engenhosa esta ideia emanada do Ministério das Finanças de sortear faturas de consumo atribuindo prémios que podem ir desde descontos no IVA, no IRS, até prémios pecuniários no valor de dez milhões de euros. A intenção é, claro está, incentivar as pessoas a pedir fatura.

Ou seja, se, até agora, a fila nas finanças era para entregar declarações ou fazer pagamentos, a partir do próximo ano haverá também filas para meter a fatura-milhões e levantar prémios. Por isso, caro leitor, se vir alguém sair da repartição de finanças do seu bairro com uma torradeira debaixo do braço, não estranhe, não há engano nenhum. É um premiozinho ou alguém a reclamar dentro do prazo de garantia.

Os comerciantes é que andam de sobrolho franzido. É que os portugueses andavam a não levar isto das faturas a sério e já um ou dois tinha sido visto a pagar um café sem pedir fatura. Casos raros mas, que, infelizmente, acontecem. Pois agora acabou a mama do branqueamento. Português que é português e sério, pede e guarda a fatura!

A medida tem diversas vantagens, uma delas é contribuir significativamente para diminuir o desemprego e melhorar a economia. É que vão ser precisas mais pessoas a trabalhar nas finanças e, para poderem organizar as faturas em casa, os portugueses vão comprar dossiês, micas, separadores, agrafadores, furadores, canetas, lápis, computadores para calcular apostas múltiplas, enfim, haverá todo um agitar que só fará bem à economia nacional. Tantos problemas e afinal a luz surge ao fundo do tunel na ponta de uma fatura!

A culpa disto tudo, culpa da boa, claro está, é da Igreja Católica por mão da sacrossanta Casa da Misericórdia que enfiou com o vício do jogo nos portugueses de tal forma que nem a douta e sempre certa  e totalmente isenta de falhas repartição geral de finanças lhe escapou. Se os padres não andassem aí a fazer dinheiro com o jogo, os comerciantes agora podiam continuar a fugir aos impostos. Assim, tudo vai mudar. Para melhor claro está! 

Eu cá estou curioso. Imaginem que a coisa pega e passa também para a lotaria popular. Parece que já estou a ver o senhor do fato a cantar:

Cinqueenta e dois mil trezeeeentos e vinte e seeete: meeenos duzeeentos euros no iiiiva!

Se não fosse por nenhuma outra razão, pelo menos por esta, já estou rezando para que o Orçamento Geral do Estado seja aprovado. E os senhores do Constitucional, que estão sempre a embirrar, fazem o favor de estar quietinhos porque a independência financeira de uma pessoa joga-se nestas oportunidades! Mai nada.

Tenho dito.
jpv


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Já temos DATA!

Já temos DATA!

Atenção, Atenção!
Já temos data e está quase, quase, quase… vem aí… fresquinho, fresquinho… e, dizem, não vai perder-se no caminho.
Novidades definitivas para muito breve!

jpv