Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Poema do Homem Só

Poema do Homem Só

Já não sei fazer amor
Contigo.
E sinto nisto
Que digo
A imensa ameaça
E o verdadeiro
Perigo
De uma morte
Prematura
E antecipada.
O que fora tudo,
hoje,
É nada.

Onde germinava
O calor do
Estio,
Impera, agora,
O frio.

O nosso amor
É um quarto
Vazio.

jpv


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Colar Cartazes


Amigos,

Eu quero esta fórmula de longevidade!
Isto não é um homem. É um super homem!

Note-se, aos 80, ele tem carro e conduz. Faz massagens a senhoras. E dedica-se a atividades culturais: faz versos. Tudo isto num regime de exigência e seletividade. Sim, que isto não é para qualquer uma. Só para as mais educadinhas… E, em tempo de crise, o homem trabalha à borla. Imbatível! Mai nada!
jpv


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Maputo

(Foto jpvideira – Clique para Aumentar)

As Cores da Capulana
Maputo
É uma praia
Onde as ondas
Se vêm estender.
São milhares de luzes
Bordejando o mar
Ao adormecer.
São vendedeiras de caju e amendoim,
Avenidas longas em constante frenesim.
São meninos de roupas largas
E pé descalço,
Envolvendo num sorriso genuíno
O seu destino falso.
São mulheres exibindo
O colorido justo das capulanas.
É um tchova oferecendo
Ananases, mangas e bananas.
Busca o imenso céu
Um prédio esguio e alto.
Cá em baixo,
Dorme um corpo ébrio
No calor do asfalto.
Fecha-se o firmamento
E escurece.
E num breve momento
Acontece
Violenta trovoada.
Chove chuva copiosa,
Lavando a estrada,
Arrasta consigo
Fugaz vida ceifada.
Com a mesma violência
E o mesmo repente
Ressurge o sol ausente
E renasce, de novo,
O dia.
Esta cidade real
Parece fantasia.
Explodem odores
Exóticos e inusitados,
Pintam-se de mil cores
Os concorridos mercados.
Há nesta cidade
Uma coisa urgente e séria,
Reergue-se a Humanidade
E isso não é miséria.
Vagueia por aqui
Certo saudosismo português,
Teve o seu tempo,
Teve a sua vez.
Pinta-se de branco
E de negro também,
Fala changana,
É palavra de Camões,
Traço de Malangatana.
E desvanece-se.
Chegou outra hora…
É tempo
De o mandar embora.
E sonhar
Com o homem justo,
Com a terra prometida.
É preciso pagar o custo
Da liberdade perdida…
E reconquistada.
Maputo
É hoje
Uma alvorada.
É um polícia
Vestido de branco
E outro de cinzento.
E é um povo
Perdido no tempo.
À procura do caminho.
É um sorriso largo,
Um olhar inaugural,
É um ritmo de marrabenta
Numa cintura sensual.
É o sol sobre o mar
Logo pela manhãzinha,
Um pescador lançando
A esperança numa linha.

E passa um chapa ruidoso
Que quase me atropela,
Atrás dele,
Desenha esses na estrada
Uma frenética chopela.
Passam carros com fulgor,
Estacionam num restaurante,
E, nesse mesmo instante,
Surge, solicito, o arrumador.

Vivem aqui
Sólidos e evitáveis
Desequilíbrios.
Uns pedem,
Outros dão.
E há nesta dança
Uma bruma de esperança.

Maputo é olhar em frente,
É uma terra
Semeada de gente.
É uma nação,
Um pátrio solo,
Um chão!
É a diferença
E a semelhança.
Maputo é mãe
De uma criança
Que ri e chora.
Maputo é todo
O tempo do mundo
E o tempo
É agora.


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Crónicas de África em Imagens – Na Beira da Estrada

Crónicas de África em Imagens – Na Beira da Estrada

Maputo, 30 de abril de 2013

Caros Amigos e Leitores,

As imagens que agora vos oferecemos não estão subordinadas a nenhuma temática em particular, nem servem para mostrar uma cidade ou a beleza paisagística de uma região.

O que estas imagens têm em comum é a estrada. Foram todas tiradas do carro, muitas delas em movimento, e mostram pormenores da vida africana na beira da estrada. Sinais de trânsito pouco comuns ou inexistentes noutras paragens, meios de transporte, formas de vida.

África, e Moçambique é um exemplo vivo disso, ainda não foi esterilizada pelas autoestradas. A estrada fervilha de gente e de vida. Mesmo num local inóspito, há sempre gente à beira da estrada e quando não há, se paramos, passados alguns minutos, aparecem pessoas à nossa volta. A estrada é viva.

Estas fotos foram tiradas em estradas de Moçambique e da África do Sul nos meses de dezembro de 2012 e janeiro de 2013. Divirtam-se!

Meio de transporte semi-coletivo. É pago.
Todas as pessoas à volta da carrinha subiram e viajaram nela.

O mesmo que o anterior, mas coberto.
Este tipo de transporte serve para cobrir grandes distâncias.
Os atrelados são quase tão comuns como os carros.
Há autocarros de passageiros com atrelado!
Todas as vilas e povoações de Moçambique 
fervilham de gente e vida.

Porta aberta? Qual porta?
Não se está mesmo a ver que é um suporte?

Doces, aromáticos e baratos! 
É comum encontrar prédios completamente pintados com 
publicidade à Vodacom, à Mcel ou à Coca-Cola.

Hotel em Maxixe, Inhambane.
Esta alegria e esta simpatia são comuns e 
contagiantes em Moçambique

Iupiii, estivemos lá!
Travessia de quê?
Mas há aqui algum zoo ou quê?

Eh, isto nunca acontece!
Mas este tipo não gosta mais de aguinha e laminha?!
Assim sendo, vendem-se lá sorvetas!
Assim… aqui… de repente… em 50 metros…
não estou a ver… e logo agora que tinha urgência numas fotos!
Vai cansadinho da viagem?
Ó aqui tão confortáveis.

Camineta roubada,

Cordas às portas!

Comum.
De pequenino…

Comum.
E quando passam por nós numa descida a 130 à hora?!
– Quanto vale, mamã?
– 50, papá.
– Cada uma?
– Cada balde, papá!
(50meticais = 1,25€)
O STOP é para o trânsito, não é para o casório!
Felicidades!

Pelas minhas contas, vão três lugares vazios.
A tampa do motor aberta?
Naaa… é o sistema de arrefecimento.

Piri-piri da Tia Rachida… pica que farta!
Olaria tradicional.
Ai andas, andas!
À espera do chapa.
Olha a lenha fresquinha!
Carvão. 
Mercado antigo.
A Coca-Cola é a bebida mais consumida em Moçambique.
A sede acaba ali. Dançámos naquela esquina.

Comum.
De pequenino…
Olhó caju fesquinho!
Em Maputo é caro e aqui fica baratinho!

Não vai mais vinho para a mesa daquela carrinha.
Eixo partido é uma doença comum em Moçambique.

Porque será?

Boa vista!
Vendas na periferia urbana de Maputo.
Vendas na periferia urbana de Maputo.
Comum. Muito comum.
Transporte de minério.

Circular pela berma também é uma simpatia comum.

-Tens algo para vender?
– Sim, tenho algum algo para vender.
– Não vendas aqui nenhum algo que é proibido.
Hã?! Muita informação ao mesmo tempo!
E já aparecem em voo?
Eh lá! Um tradutor de códigos de estrada, por favor!
Hã?! Mas afinal, o carro pode ou não pode usar phones?!
Afinal acontece!
‘Tás cheio de sorte que o tipo não vem fora de mão!

jpv
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Todas as imagens
Foram captadas por mim ou familiares.
Pode clicar para aumentar um pouco o tamanho.