Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Filho

Filho

A minha mão
Na tua mão segura,
Não sei se te prende a mim
Ou se me prende a ti
Nessa sensação que perdura
Entre perder-te
E ter-te assim.

O meu peito
Ao teu peito entregue,
Não sei se bate o meu
Porque o teu quer
Ou se bate o teu
Porque o meu lhe empreste
A vida.

O meu olhar
No teu olhar preso,
Tem uma ânsia
E um fogo aceso
De libertar-te e reter-te.

Já foste.
Tinhas ido, já.
Estiveste cá,
Mas foste sempre de lá.
De onde a tua vida se faz,
De onde os demónios
Procuram a paz
E os anjos os atiçam com desejo.

Já foste.
E deixaste a tua presença
Forte.
E não há gume que corte
Este estares aqui,
Sempre.
Ausente do meu tato.
Presente no local certo e exato
De mim.

Sem ti
Não há universo
Nem motivo para que haja.

Morri já
E não sei.
Dei ao mundo a vida que dei
E resgatei a minha pobre
E atormentada alma
No momento em que te vi.
O primeiro,
E este último,
Ainda agora e aqui.

Gosto de ti
Cada vez mais
À medida que a vida se desenrola.
Seja a traçar sagaz teoria,
Seja a beber mais uma coca-cola.

E dói e sangra a tua liberdade
Em mim.
Esse sangue que precisa jorrar
Para que se realize
O homem
E eu possa, por fim,
Descansar na tua existência.
Ser pai não tem ciência,
Basta sofrer,
E ver-te crescer e partir,
E fingir
Que sou feliz com isso
E a espaços
Abraçar-te como se não houvesse amanhã.
Ser filho é bem mais difícil.
É a arte de navegar ancorado,
De partir amarrado
E nessa única
E singular partida
Reinventar toda a vida
E viver tudo de novo.

Gosto de ti
Cada vez mais
À medida que a vida se desenrola.
Seja a traçar sagaz teoria,
Seja a beber mais uma coca-cola.

jpv


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Crónicas de África em Imagens – Maputo

Crónicas de África em Imagens – Maputo

Maputo, 12 de janeiro de 2013

Caros Leitores e Amigos,

Inicio hoje a publicação de algumas Crónicas de África com poucas palavras. Porque um amigo moçambicano a viver em Portugal, o Jorge, me pediu. Porque diversos leitores sugeriram que colocasse imagens nas crónicas. Como não colocarei imagens nas crónicas por uma questão de princípio, farei algumas só com imagens. A escolha é aleatória, sem qualquer critério que não fosse o de captar alguns dos espaços mais conhecidos. Começo pela Capital. Desfrutem.


Restaurante Mundus, Av. Eduardo Mondlane.

Restaurante/Pizaria Pirata, Polana.


Hotel Polana, Av. Julius Nyerere.


Av. Julius Nyerere.


Museu de Geologia, Av. 24 de Julho.


Restaurante/Pastelaria Cristal, Av. 24 de Julho.


Pastelaria Nautilus, Polana.


Museu de História Natural


Av. 24 de Julho.


Rotunda do Hotel Cardoso


Av. Vladimir Lenine


Fortaleza


Capitania do Porto Marítimo.


Estação do Caminho de Ferro.


Casa Elefante, Av. 25 de Setembro.


Edifício do Café Continental, Av. 25 de Setembro.


Edifício do Teatro Scala, Av. 25 de Setembro.


Jardim do Tunduro


Praça do Município e estátua de Samora Machel.


Bazar, Av. 25 de Setembro.


Catedral de Maputo


Rádio de Moçambique.


 Clube Naval.


Igreja da Polana.
jpv
Todas as imagens foram captadas por mim
ou por familiares enquanto eu conduzia. 
A esse propósito, um agradecimento ao Luís 
pela paciência e disponibilidade.