
Rasgo
Rasga a pele.
Rasga o desejo.
Rasga a fuga.
Rasga a palavra.
Rasga o gesto.
Rasga o rasgão.
E faz do corte
A matéria da união.
Rasga a noite.
Rasga o dia.
Na covardia
De um amanhecer por rasgar
Jaz um homem
Por realizar.
Só incompleto
Estás completo.
Só rasgando o teto
Vês a constelação.
Rasga o peito.
Rasga a mão.
E rasga o olhar,
Que há nessa imperfeição
A única perfeição
A contemplar.
Rasga e divide.
Rasga até doer,
Que não sabe se viveu
Um homem que não rasgou
Até morrer.
E a morte rasga
A existência dos vivos,
Que, dos mortos,
A essência
Rasgada está.
Não adies o rasgar,
Rasga já!
Trago uma bandeira
Rasgada
Ondulando ao vento.
Tem um rasgo de cor,
Um estilhaço de momento,
Uma mensagem de dor!
Rasguei-a em tiras
E embrulhei meu coração atormentado.
Entreguei-o à letra
De um fado rasgado.
Rasgo o mar
Num bote pequeno.
Rasgo a sorte,
Rasgo o veneno,
E dou à morte
Meu rasgar sereno.
Já exangue,
Por fim,
Mergulhado no sangue
Rasgado de mim,
Rasgo a fronteira,
Rasgo a eternidade.
Na vida,
Como na morte,
Só se não rasga
A saudade!
jpv
30/06/2012 às 19:12
Eu já tinha recebido algumas visitas suas no meu blogue e depois com o mail que me enviou tive conhecimento do seu blogue e comecei a seguir 🙂
Gosto de ler as suas palavras, tem aí muito talento 🙂
Bom fim de semana*
GostarGostar
30/06/2012 às 19:06
Muito Obrigado, Paula. Muito Obrigado anónimo. São palavras encorajadoras e motivadoras. Voltem sempre. Paula, vou seguir um dos seus blogues, o dos textos. O que habita aqui: http://suspiros-de-um-amanhecer.blogspot.pt/
jpv
GostarGostar
30/06/2012 às 15:55
Um arrepio rasgou a alma de quem leu e encontrou a lágrima da emoção que os versos acordaram.
Raras são as palavras que conseguem provocar uma emoção tão intensa.
Obrigada!
GostarGostar
30/06/2012 às 15:25
Magnifico 😉
Continua, escreves muito bem 🙂
GostarGostar