
O Caminho das Palavras
Viste passar
A minha Escrita?
Aquela que dizias
Bonita?
Sabes por onde andam
Meus versos?
Perdidos no tempo
E no espaço dispersos?
Sabes porque embruteci?
A voz da Fénix
Emudeci…
Falta-me o sopro
Da musa
A ideia concisa
E a palavra profusa.
Falta-me
O rasgo e a precisão
Dessa luz imprecisa
A que chamas inspiração.
Morro.
Estou morto e caído.
E encontro
No verso perdido
O epitáfio do poeta.
E as palavras que restam
Não lhe erguem
A figura.
Desenham-se, imperfeitas,
E abrem-lhe a sepultura.
Vem tu fechá-la,
Ó musa das palavras ausentes,
Vem dizer-lhe
Um último adeus
Com rimas dolentes.
E cerra
Os olhos seus
Para sempre.
O sempre da escrita.
Enquanto, vivo e mudo,
O pobre poeta grita
Um grito vazio e absurdo.
E não percebe o destino
Nem a sorte
De ter vivido pelas palavras
E pelas palavras
Ter encontrado
A morte!
Viste passar
As minhas ideias?
Urdidas em belas frases
Como quem constrói teias?
Não!
Não poderias ter visto.
Essas ideias
São hoje um misto
De nada
E coisa nenhuma.
Habitam na branca
E indecisa escuma
Do meu ser.
Sequei, musa,
Sequei.
E já não sei
O caminho das palavras.
jpv
05/05/2012 às 23:44
leitor/a (2): era a intenção. Grato pelo comentário! jpv
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05/05/2012 às 23:43
Vou reconciliando, leitora, mas, por vezes, a vida cansa-me! Grato pelo incentivo e pelo ânimo! jpv
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05/05/2012 às 09:33
Pungente e soberbo!
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05/05/2012 às 02:27
Então, Poeta? O que aconteceu? Amanhã já te reconcilias com as palavras, tuas amigas…
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