
Capítulo I – Elegia
————————
Elegia, s. f. Poema sobre assunto triste ou lutuoso.
Uma elegia é um poema sobre um assunto triste ou lutuoso. Diz o dicionário. É preciso concordar com o dicionário. E é preciso, também, discordar dele. Em primeiro lugar, na forma, um poema tem carreirinhas de letras mais ou menos curtas, na generalidade, mais curtas do que compridas. E rima. Enfim, não rima sempre, mas rima muitas vezes. Ora, na forma, as carreirinhas de letras que aqui vos deixo não são um poema. São prosa. Mas não é na forma que as quero poema. É no canto.
Sim, estas carreirinhas de letras serão tristes. E, por vezes, serão bem alegres. E, sim, será um texto lutuoso. Mas será também – atentai, especialistas, no paradoxo – uma elegia à vida! E à arte de viver que não é a mesma coisa que estar vivo.
Em conclusão, a minha elegia será em prosa, será sobre assunto triste e alegre que versa o luto, mas também a vida. Assim sendo, porque lhe chamo elegia? Porque o sinto como um poema. Porque o sinto pungente. Porque, no fundo do meu coração, e para além de todas as explicações avisadas e cientificamente validadas, sinto que é uma elegia.
E é por isso, caro leitor, que, se decidir continuar a leitura destas linhas, o que vai ler é uma elegia para um concerto.
Continua…
jpv
15/04/2012 às 10:44
Confesso que sinto alguma espectativa e, até alguma ansiedade para ler as linhas que aí vêm. É, sem dúvida, um desafio que se impõe e poderá atestar da maturidade de escritor. Venha essa elegia mesmo não o sendo na forma, pois o que interessa mesmo é o sentir que nos provoca.
GostarGostar
14/04/2012 às 07:51
Muito bem explicado. É sempre bom consultar o dicionário de vez em quando.
No entanto, o mistério sobre o objeto da história continua, mas isso também é interessante.
GostarGostar