Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Café da Manhã

– Bom Dia!


– Bom Dia! São quatro cafés e um murro nas costas, por favor!


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"Com Amor," – Documento 72

Fofinha,

Em primeiro lugar deixa-me dizer-te que me considero um privilegiado por ter-te conhecido e, sim, é-me muito difícil terminar uma conversa contigo sem pensar em fazer amor, em devorar-te, em encher-te de carícias, em entrar em ti e fazer-te minha.

A minha proposta que, admito, foi um tanto teatral, tal como eu, estava plena de boas intenções e não passava disso mesmo, uma proposta. Não quis impor-te nada. Seria incapaz de trilhar esse caminho sem partilhar cada pormenor ctgo. Simplesmente quis que percebesses que sei muito bem para onde quero ir. E, claro, mais do que tudo, quero ir ctgo. Construí para nós um cenário geral de bem-estar, de soluções que, a meu ver, nos poderiam proporcionar uma boa vida juntos, mas é evidente que estarei disposto a discutir cada aspecto e cada solução ctgo. Só assim poderá chamar-se vida a dois, certo?

Minha querida, eu, como tu, já vivi com outra pessoa uma vez e falhei. E sei que, entre outras razões, um dos principais motivos por que falhámos enquanto casal foi por andarmos um pouco à deriva, foi por não sabermos o que cada um queria da vida ao pormenor.

Eu valorizo os bens, Tânia, mas não no sentido de ser escravo deles. O que penso é que tudo desvaloriza e desaparece, nada deixas ao teu filho senão a educação que lhe deres e o património que construíres. E não falo de dinheiro, meu amor, o dinheiro não tem valor. Mas se deixarmos os nossos filhos ancorados num património sólido, mesmo que a vida lhes corra menos bem, eles têm algo a que agarrar-se. Trata-se só de segurança, minha querida, mais nada.

Anseio por estar ctgo.
Mil beijos.
Com Amor,

José Pedro.


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"Com Amor," – Documento 71

Olá Fofinho,

Desde que me fizeste A proposta há dois dias atrás que não consigo pensar noutra coisa e nem sequer se trata de nenhuma ânsia de racionalização. Somente não quero dar esse passo em falso de novo. Por um lado, penso que não nos falta maturidade. Eu tenho 44, tu tens 42, ou seja, já somos crescidinhos. Por outro lado, já os dois vivemos uma numa situação conjugal falhada que em ambos os casos deixou marcas, creio que até mais profundas em ti. Eu tenho um filho ao meu cuidado e tu tens uma menina ao teu. Embora já sejam crescidos, vivem aquele momento complicado de passarem do 2º ciclo para o unificado o que quer dizer que quer tu, quer eu, poderíamos precisar de uma ajuda extra nesta fase, um apoio mútuo. Por fim, e não menos importante, eu amo-te muito e confio muito no teu amor por amor por mim.

Parecendo tudo tão óbvio e tão simples, perguntei-me séria e profundamente porque não te disse logo que sim anteontem. Ainda para mais naquele contexto romântico de jantar à luz das velas que o menino preparou. Por duas razões. Primeiro, porque a meio da conversa, o menino começou a deixar as suas mãos viajarem por onde não deveriam e a conversa teve de ser interrompida por motivos de força maior – és um malandreco, depois porque, meu amor, com verdade te digo, tenho reservas e não queria tomar esta decisão com reservas.

A tua proposta para vivermos juntos, sob o mesmo tecto, e formarmos um casal apaixonado em partilha plena da vida é a tentação é a tentação do céu e, além do mais, seria a consequência natural do nosso namoro, já tão assumido, já tão longo. Meu Deus, parece que foi ontem que te conheci e já faz dois anos que namoramos.

Mas, meu amor, sem querer julgar-te mal, e por isso resolvi escrever-te, para usar o meio que nos aproximou e para medir bem as palavras, eu penso que a tua proposta é demasiado elaborada, demasiado acabada. José Pedro, eu preciso de um homem que me dê segurança, mas também quero ter um papel activo nas nossas escolhas. Meu amor, tu decidiste que venderíamos os nossos apartamentos para comprar um em comum, decidiste onde seria, como seria. Até os electrodomésticos e as cores das paredes tu definiste. Tu decidiste que carro compraríamos, qual dos nossos dávamos à troca. Tu decidiste em que escola colocar os miúdos e quem ia buscá-los e a que dias e, pior do que tudo, tu decidiste como dividiríamos os bens se nos separássemos! Meu amor, se eu for viver contigo, não vou querer estar a pensar que me vou separar e muito menos vou querer estar a pensar nos bens. Por outro lado, meu amor, temos de deixar algum espaço à espontaneidade, ao improviso, à vida que acontece de uma determinada maneira porque foi esse o seu curso, sem pré-determinações.

Meu amor, como tantas vezes te disse, eu quero essas coisas todas contigo, mas quero que aconteçam e as façamos acontecer no quotidiano. Não quero viver a vida como quem descarrega itens numa lista de supermercado. Por favor, não me interpretes mal. Esta semana estaremos juntos e conversaremos sobre isto. Entende este mail só como uma contribuição para a nossa reflexão. Nada mais.

Beijo Imenso.
Tânia.