Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Como é que diz que disse?

Um dia destes tive um furo. Evento comum, mas sempre desagradável. Mudar o pneu estava fora de questão por uma razão simples: o meu carro não tem pneu sobresselente. Tem um kit! Segundo o vendedor, parece que a suspensão toda xpto não deixa espaço para o dito e então vai de kit…
Estava muito descansadinho a tentar remendar o furo com o kit, quando parou um carro de pessoas muito simpáticas, por acaso minhas conhecidas. Mãe e filho. Já há pouca gente assim, suficientemente simpática e prestável para parar o carro e ver o que é que o azarado precisa. O engraçado da coisa foi a conversa que se seguiu. Eu estava a tentar explicar a razão de não ter pneu sobresselente, ela fez um comentário imperdível e ele apressou-se a corrigir:
– Traz um kit. Vou tentar remendar o furo com ele porque estes pneus são caríssimos.
– É, são daqueles topless!
Tubeless!


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Colheita de ’67 – (4)

E pronto, vou terminar por aqui as referências à Colheita de ’67. Acho eu. Perguntaram-me por e-mail porque fazia isto. Por duas razões. Porque sou de 67 e porque tenho muitos, bons e determinantes amigos que também o são. Mais nada.
Literatura.
Ainda não tinha referido esta área. Mas era uma pena se o não fizesse. Foi publicado em 1967 um dos mais extraordinários livros da História da Humanidade e não, não estou a exagerar. Em 30 de Maio desse ano Gabriel García Márquez publica Cem Anos de Solidão. Outros livros interessantes publicados nesse ano:
The Magic Toy Shop – Angela Carter.
Asterix, O Legionário – Goscinny e Uderzo.
The Nine Billion Names of God – Arthur C. Clarke
O Diário de Anaïs Nin – Anaïs Nin.
La Femme Rompue – Simone Beauvoir
A Brincadeira – Milan Kundera.
O Macaco Nu – Desmond Morris.
Música.
O Festival Europeu da Canção foi ganho por Sandy Shaw que cantou Puppet on a String. Mais popular do que a própria canção foi a apresentação de Sandy em palco: descalça!
No circuito comercial, assinalo mais quatro canções históricas que nasceram em 1967:
– Respect – Aretha Franklin.
– Lets Spend the Night Toghether – Rolling Stones.
– Strawberry Fields Forever – Beatles.
– Somebody to Love – Jefferson Airplane.
Nobel.
Literatura – Miguel Angel Asturias (Guatemala)
Medicina – George Wald, Haldan Hartline, Ragnar Granit.
Física – Hans Albrecht Bethe
Química – George Porter
E uma particularidade interessante: em 1967 não houve Prémio Nobel da Paz!
Vinhos.
Alguns dos mais interessantes vinhos produzidos em 1967:
Porto Dalva.
Dão Constantino.
Barros.
Poças.
Sociedade/Política.
Em Junho de 67 aconteceu uma das guerras mais letais e fugazes de sempre. Opôs o estado de Israel a uma frente de países Árabes e ficou conhecida como a “Guerra dos Seis Dias”. Começou em 5 de Junho, pelas 7 e 10h da manhã.
Em 9 de Outubro morre Che Guevara.
Ciência.
1967 foi um mau ano para a investigação espacial:
A Apolo 1 – USA – faz um teste de lançamento, incendeia-se e morrem os três astronautas a bordo: Ed White, Virgil Grissom e Roger Chafee.
A Soyuz 1 – URSS – incendeia-se durante um vôo e morre o astronauta Vladimir Komarov.
É em 1967 que se faz a Primeira Transmissão Mundial de Televisão Via Satélite. Na altura foi transmitida a canção All You Need is Love dos Beatles.
Natureza.
Em 1967 aconteceu uma das maiores catástrofes naturais que se abateu sobre Portugal. As cheias do Tejo na Grande Lisboa provocaram, segundo o Diário de Notícias da altura, 427 mortos.
E pronto, amigos da Colheita de ’67, o nosso ano foi comum, teve coisas boas e coisas más, mas teve algo de especial: para nós, começou a contagem!
Um abraço, jpv.


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Colheita de ’67 – (3)

Em 1967 conheceu a luz dos dias e gravou-se na memória dos homens uma canção que tem tanto de fantástica como teve, na altura, de polémica: Light My Fire dos “The Doors”. Menos conhecida, mas na linha do peace and love que atravessou os anos 60, nesse ano de extraordinária colheita, um grupo que parecia cantar em falsete, mas cujo sucesso se tornou inquestionável, os Bee Gees, deu ao mundo uma canção que viria a encher corações e telas de cinema uma vez que foi diversas vezes adaptada: To Love Somebody.
E o cinema? O que nos deu nesse ano? Deixarei notícia só de alguns títulos mais conhecidos. Talvez não tenha sido um ano de filmes memoráveis, ainda assim, produziram-se excelentes fitas:
007 – Só Se Vive Duas Vezes.
A Vigésima Quinta Hora.
Adivinha Quem Vem para Jantar.
Dias de Ira.
O Fantástico Dr. Dolitle.
Bonnie and Clyde
A Noite dos Generais.
No Calor da Noite.
O Presidiário
Bob Dylan . Don´t Look Back
Outro aspecto interessante é sabermos que personagens mais ou menos conhecidas nasceram no nosso ano. Assim, numa busca pouco criteriosa, descobri que são da colheita de ’67 as seguintes senhoras e cavalheiros:
Carla Bruni
Julia Roberts
Nicole Kidman
Pamela Anderson
Guy Pearce
Mark Ruffalo
Keith Urbam
Kurt Cobain
Já agora, em 1967 foi aprovada a Nomenclatura Gramatical Portuguesa através da portaria 22664.
Quanto ao Futebol, 1967 também trouxe algo pouco comum. Não se trata do Campeão Nacional que foi o Benfica com 43 pontos, mas sim um intruso entre os “três grandes” que, nesse ano, acabou em segundo lugar. Foi a Académica de Coimbra. De resto, nesse ano a Briosa esteve perto de tudo e não conquistou nada. Uma pena, adoro a Académica. Foi à final da Taça de Portugal que o Vitória de Setúbal ganhou por 3-2. A Académica eliminou o Braga e o Benfica. O V. Setúbal eliminou o Porto.

As musiquinhas:

Pessoas nascidas em 67. Escolhi algumas imagens a título de exemplo e AO ACASO, SEM NENHUM CRITÉRIO… (hahaha):
Nicole Kidman
Julia Roberts
Carla Bruni


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Colheita de ’67 – (2)

Em Maio de 67 um grupo inglês denominado Procul Harum lança a canção Wither Shade of Pale. Em Junho desse ano foi nº1 nos Estados Unidos, mas esse não foi o seu maior feito. A musicalidade da canção levou-a a ser gravada por mais de 900 artistas.
Também em 1967 nasceu uma das maiores canções de sempre. E quando refiro “maiores” é à letra, ou seja, a canção, na sua versão original, tinha mais de 7 minutos. Não obstante ser belíssima, a sua extensão impediu-a de subir nos tops. Em 1972 foi re-editada numa versão mais curta e alcançou o 2º lugar em Inglaterra. Chama-se Nights In White Satin e é uma criação dos Moody Blues.
Muito bem, e para não ficarem a pensar que em 1967 foi só música boa e carros fantásticos aqui fica uma informação interessante. Aconteceu na África do Sul. Em 1967 fez-se o primeiro transplante de coração humano. O médico foi Christiaan Barnard. O paciente de 53 anos chamava-se Louis Waskansky e sobreviveu 18 dias. O coração era de uma jovem de 25 anos que tinha morrido num acidente.
E agora, a musiquinha:



O médico Christiaan Barnard:


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CallCenter Chronicles

Ora bem, todos sabemos que as tecnologias da comunicação são importantes, mas também não é preciso andar por aí a desgraçar vidas… digo eu!

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Assistente : Experimente retirar a antena e voltar a colocá-la .



Cliente : Nem pensar ! A antena vem agarrada e depois parto isto tudo … Dava cabo da minha vida


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CallCenter Chronicles

Pois, inventam coisas com nomes complicados! Ele é só estrangeirices. Depois dá nisto:

– E em que posso ajudá-lo?
– Olhe, queria saber se já tenho o room service activado…


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Colheita de ’67 – (1)

Este ano, 1967, teria sido um ano comum, admito até que o seja para muitos, para mim é o centro da cósmica contagem dos tempos, é o ano de um excelente Chardonnay, o ano em que Eduardo Nascimento ganhou o festival da canção, fabricou-se esse inimitável carro, o ´67 Mustang. E o ano em que a minha mãe deu à luz um miúdo pacato de olhos ávidos.
Aqui ficam algumas pérolas desse ano. Chamar-lhes-ei, com pouca originalidade e muito carinho, a “Colheita de ’67“.
Comecemos por estas:
E agora o ’67 Mustang:


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Lua

Lua

Subiste luminosa
E prenhe de fantasia.
Espelhaste a prata no mar
Quieto e tranquilo
Enquanto a tua forma redonda se exibia.
E ficaste a banhar-me de luz,
E trouxeste milagres à noite.
Ficou misterioso o marulhar das águas
E o cantar nocturno das aves.
Há noites assim.
São inteiras.
E nesse horizonte
De luz e sombra pintado
Vi as palmeiras, o mar de prata,
E um barquinho cruzando a noite.
Como um quadro desenhado.
Não me lembro já como foi o dia.
A noite
Foi luminosa
Enfeitiçada pela tua magia!

jpv


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Nocturno

Nocturno

A noite veste a terra
E tinge o mar de breu.
Um ar cálido e perfumado de jasmim
Envolve os corpos
Que exibem a sensualidade
Do calor.
Um casal passa de patins
E outro, vestido parta a noite,
Desliza de mão dada.
Trinta e oito graus
De lazer.
Sardinhas espetadas em paus,
A arder.
A luz irrompe das lojas,
Ilumina nas ruas a gente.
Ao longe ouve-se um homem
Chorando um destino
Numa canção dolente.
Junto aos pais correm
Crianças agitadas
E outras jazem adormecidas e fatigadas.
Passam dois rapazes abraçados
E, ao fundo, no mar escuro,
Dois corpos mergulhados
Entregam-se em beijos nocturnos e salgados.

jpv