A partir de Setembro estaremos de regresso em força e com tudo o que vos faz cá voltar: terminaremos o romance em curso – “Com Amor,” – contaremos todas as histórias do quotidiano, poesia, citações, música e… claro, o 1º almoço do Clã do Comboio!
Monthly Archives: Julho 2011
O Clã do Comboio – O SuperPicas
O Clã do Comboio – A Invasão
Ia entretendo a alma nestes pormenores tardios quando reparei num estranho, sequencial, crescente, pormenor. Pormenor a princípio, com o passar dos minutos ficou bem evidente!
Uma pessoa levantou a mão e deu uma chapada em si mesma. À volta olharam como se ela não batesse bem. Mas, um dos que olhou, passado um pouco, deu uma palmada na perna. Mais ao fundo, um homem deu com o jornal na parede lateral do comboio, depois uma rapariga agarrou num caderno e deu com ele nas costas de um banco, depois, por toda a carruagem, os passageiros tentavam afanosamente e com tudo o que tinham à mão matar… melgas! Uma nuvem delas invadira o comboio.
Quando o picas passou, perguntei:
O Clã do Comboio – Carta à Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia
Carta à Titi e sua Excelsa e Simpática CompanhiaCara Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia,
Venho em missão de paz. Nem podia ser outra a missão, dado que o Clã é um grupo de amigos perfeitamente informal e pacífico. Em Outubro passado, nenhum de nós se conhecia! Ora, com o passar dos dias e dos quilómetros, começámos a conversar e descobrimos que temos coisas simples em comum: olhamos a vida com positivismo e esperança, gostamos de conversar, adoramos uma boa gargalhada e andamos de comboio. Todos os dias! Foram estes ingredientes, e não outros, que nos juntaram e, fique claro, o Clã não tem chefes, nem líderes, nem proprietários. Quem vier e gostar de conversar e de rir-se, é sempre bem-vindo e tem os mesmos direitos e deveres dos outros: o direito e o dever de viajar em regime de partilha, de boa disposição e de conversa animada. Isto inclui, naturalmente, a Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia.
Sabe, Titi, o Clã não é, nunca foi, provocatório. Nada se faz que não seja espontâneo, que não nasça naquele momento. Para ser provocatório, teria de ser reflectido e o Clã do Comboio, para reflectir, já tem o trabalho ao longo do dia e o estudo que isso implica. Seria preciso que alguém tivesse um ego muito grande, tão grande que achasse que estava no centro do Universo, para pensar que o Clã do Comboio pensava em provocar esse alguém. Jamais! Somos demasiado espontâneos e bem dispostos para pensar em provocações. Em certa medida, até somos um bocadinho egoístas. É que nos divertimos uns com os outros e isso basta-nos.
A Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia não precisa preocupar-se com as Raves Móveis. Como tudo no Clã, foi um episódio espontâneo e esporádico. Isto não quer dizer que um dia destes não se cante o “Parabéns a Você”, mas, mais uma vez, será espontâneo e esporádico e jamais para agredir ou provocar alguém.
O Clã é composto por gente mais expansiva e por gente menos expansiva, alguns primam até pelo silêncio porque gostam e preferem ouvir os outros, mas há uma coisa de que não abdicamos, nunca, do nosso direito a uma boa conversa e a uma boa gargalhada. Sabe, é que todos no Clã já percebemos que um dia destes vamos a enterrar e o breve tempo daqui até lá tem de ser gasto em energias positivas e em caminhos de Luz. Não podemos, nem queremos, obrigar ninguém a ser bem disposto, mas não abdicamos da nossa boa disposição. Raves à parte, claro!
Cara Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia, não vá por aí, por esse caminho obscuro das palavras veladas por trás de comentários escondidos no conforto do anonimato. O Clã não deve, logo, não teme. É por isso que anda de cara destapada e cabeça erguida. Por outro lado, vocês sabem quem somos e sabem que nós sabemos que vocês sabem quem somos. E nós sabemos quem vocês são. E sabemos que vocês sabem que nós sabemos quem são.
Para quê e porquê esse caminho? No extremo, esse é o caminho dos litígios e desentendimentos que leva os homens ao espectáculo degradante da guerra. E, como já foi dito, nós somos gente de paz. Não queremos mal a ninguém. Não é essa a nossa forma de estar.
Cara Titi, não direi que seremos todos amiguinhos no futuro, mas, para que fique clara a boa intenção deste texto, está convidada a viajar connosco um dia destes. E traga os seus amigos. Vai ver que se diverte. Mais: não quer vir ao nosso almoço? Sabe, para fazer parte do Clã não é preciso nenhum ritual satânico de iniciação. Basta andar de comboio regularmente, ser bem disposto e gostar de conversar e isso a Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia já é e já gosta!
Como é que eu sei? Básico. Já a vimos conversar e já a vimos rir e, Raves à parte, achamos que é capaz de ter umas histórias interessantes para contar… Como é que eu sei? Puro palpite. Mas olhe que o Escritor é bom a palpitar!
Cara Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia, o espontâneo, simpático e de quando em vez incomodativo Clã do Comboio deseja-lhe… Boa Viagem!
The Daffodils
I wandered lonely as a cloud
That floats on high o’er vales and hills,
When all at once I saw a crowd,
A host, of golden daffodils;
Beside the lake, beneath the trees,
Fluttering and dancing in the breeze.
Continuous as the stars that shine
And twinkle on the Milky Way,
They stretched in never-ending line
Along the margin of a bay:
Ten thousand saw I at a glance,
Tossing their heads in sprightly dance.
The waves beside them danced, but they
Out-did the sparkling leaves in glee:
A Poet could not but be gay,
In such a jocund company:
I gazed—and gazed—but little thought
What wealth the show to me had brought:
For oft, when on my couch I lie
In vacant or in pensive mood,
They flash upon that inward eye
Which is the bliss of solitude;
And then my heart with pleasure fills,
And dances with the daffodils.
O Clã do Comboio – Rave Móvel
Vem isto a propósito de quê? De quase nada. Nos últimos dois dias, alguns elementos do Clã têm feito uma autêntica “Rave Móvel” em pleno comboio. Entenda-se por “Rave Móvel” tocarem a mesma música, em simultâneo, em todos os seus telemóveis. E a música até é bem agradável. É uma coisa chamada SoulStorm de um tal Patrice. Íamos todos tranquilos quando o Rapaz do Fato Cinzento se lembra de pôr o telemóvel dele em altos berros com aquilo a tocar e a acordar a carruagem toda. O VM, que é um invejoso, também quis brincar e, em menos de nada, meia dúzia de adultos todos a rondar os quarenta, ou com mais do que isso, estavam a ver se o Bluetooth funcionava. E, para infelicidade da Titi, funcionou. Depois foi vê-los a curtir a música à brava. Acho que aquilo vai ficar como uma espécie de hino do Clã. O Escritor não conseguiu emparelhar com ninguém e por isso não pôde brincar. Mas só por isso. Está claro que no dia seguinte já não era para se repetir a brincadeira para não se prejudicar o aparelho auditivo da Titi, acontece que a Mamã das Duas Crianças não tinha vindo no dia anterior pelo que foi necessário transferir-lhe os ficheiros por Bluetooth e deixá-la brincar um bocadinho. A Titi deve ter feito queixa ao Picas, mas teve azar porque o Picas ia a curtir o som. Em meio deste processo ouviu-se um pequeno diálogo que, não fosse o contexto, poderia ser muito complicado:
Mamã das Duas Crianças: Atão?
Rapaz do Fato Cinzento: Tens o equipamento ligado?
Mamã das Duas Crianças: É preciso muito tempo para emparelhar contigo!
Rapaz do Fato Cinzento: É boa a música. É melhor que os Santamaria!
Mamã das Duas Crianças: Esta música é fixe mas se eu fosse homem ia mas é ver um concerto do Tony Carreira…
Rapaz do Fato Cinzento: Porquê?
Mamã das Duas Crianças: Então, porque aquilo é só mulheres loucas com os marmelos a abanar!
Rapaz do Fato Cinzento: Eu vou ser vendido, eu vou mesmo ser vendido.
Ai vais, vais! E crucificado em praça pública! E sabes por quem? Por aquelas pessoas daquela etnia de que tão mal disseste no outro dia…
Claro que o momento ia propício a uma das habituais loucuras do Clã e ela não se fez esperar. Em plena “Rave Móvel”, a Rapariga do Riso Fácil nunca largou o seu Hamlet de Shakespeare. Não é que fosse a ler, mas dava bom aspecto. Foi então, uma vez que se trata de uma peça de teatro, que decidimos improvisar uma pequena representação. O Rapaz do Fato Cinzento fez de Hamlet e tentou engrossar a sua voz suave, a rapariga do Riso Fácil fez de Espectro e o Escritor fez de Rainha com direito a vozinha de cana rachada que parecia mais um homem com os copos do que uma voz feminina… mas a coisa correu bem, sobretudo porque, de cada vez que um acabava uma fala, tinha de passar o livro ao do lado para ele poder dizer a dele. Tudo muito natural, portanto. A Titi e sua Excelsa e Simpática Companhia continuou a criticar, mas menos. Temos a sensação que o que a incomoda mais é a música. O resto, se for só parvoíce, não é tão problemático. Ia uma moça ao lado do Rapaz do Fato Cinzento a rir-se muito e o Escritor disse-lhe para ele lhe dar qualquer coisa para ela limpar as lágrimas do riso e ele estendeu-lhe a gravata.
Escritor: A gravata?
Rapaz do Fato Cinzento: Sim, qual é o problema? Também a uso nos restaurantes.
Escritor: E não se suja?
Rapaz do Fato Cinzento: Não. Eu uso esta ponta estreitinha que vai escondida aqui atrás!
Essa moça e uma outra que trabalha em Torres Novas e tem as formas muito generosas ficaram leitoras do blogue. O que quer dizer que as suas vidas nunca mais serão as mesmas! A Senhora da Revista de Culinária entrou em Santarém a rir e saiu no Oriente a rir. Deve ter um problema qualquer nas glândulas. A Rapariga com Brinco de Pérola foi todo o caminho a ler, nem um sorriso esboçou. Tudo normal, portanto. O Clã? O Clã está bem e recomenda-se… mas com pouco barulhinho… shiiiiuuuuu…
Amy
O Clã do Comboio – Um Mundo à Parte
O Clã do Comboio – 1º Almoço do Clã do Comboio
O Clã do Comboio – Etnias
Escritor: Então e nunca foi ameaçado?
Escritor: Mas olha lá, o que é que tu queres?!
A risota não podia ser maior. Ele tinha-se enterrado completamente e ainda só sabia da missa a metade. A outra metade íamos-lhe contar a seguir por sms! Após este episódio, entrou o VM em Santarém. Vinha com a Senhora da Revista de Culinária. Acho que estavam os dois a discutir as vantagens e desvantagens da salada de gambas thai e das vieiras recheadas. Ele percebeu que estávamos na galhofa e antes que cometesse o mesmo erro, resolvi enviar-lhe uma sms a contar o sucedido. E foi essa mesma sms que enviei ao Rapaz do Fato Cinzento para ele ficar a saber a outra metade da missa. É esse singelo textinho que aqui vou transcrever:
Rapaz do Fato Cinzento: Ufa, desta já me safei!








