Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Estranha (3)

Estranha (3)

Olá estranha!
Adivinha-se
Nesse sorriso matinal
A forma dos teus gestos,
Uma sensatez sempre igual.
E percebe-se
No teu bom-dia sussurrado
O desenho da companhia
No tempo partilhado.

Passam os dias
Na estranheza das manhãs,
E cresce este nada
E vive esta esperança
De não sei quê,
Um adiar constante,
Um eterno logo se vê.

Olá estranha!
Dou-te quase nada
E é como se me desses tanto
Que, mesmo sem saber quanto,
Me empolga
E satisfaz.
Podes tão pouco, estranha,
E, no entanto,
Se soubesses
Do quanto és capaz,
Talvez viesses
Inundar-me com a tua paz
Desenhada nesse breve aceno,
Nesse gesto efémero
E sereno
Que me acorda o dia.

jpv


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Chiclete

Chiclete

Sabes,
Quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete
E tenta arrancar um sorriso.
O teu sorriso é livre
E voa com facilidade.
Nasce nos teus olhos
De amêndoa
E desenha-se
Com sensualidade
E natural alegria.
Os teus cabelos
Contam-me histórias distantes
De mares revoltos
E cavaleiros andantes.

Vês?
És uma pessoa que promete,
E continuo a jurar
Que, quando te ofereci
A chiclete,
Não foi
Como quem se mete!

jpv