Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – A Playlist do Aluno do Escritor

A Playlist do Aluno do Escritor.


Numa das histórias do Clã do Comboio, designada de Reencontro, o escritor destas crónicas reencontrou nas suas viagens dois antigos alunos. Um deles, viajante quotidiano do interregional das 7:18, já foi, entretanto, referido noutros textos.
Ora, desta vez a playlist que aqui se apresenta é precisamente a do Aluno do Escritor. E o escritor está orgulhoso do trabalho que fez enquanto professor. O rapaz ficou esperto! Digo isto porque ele teve a lata de confessar que muitas das vezes não vai a ouvir nada. Os auriculares são só uns tampões isoladores dos sons circundantes e permitem ferrar o galho com mais convicção.
Adiante. Já no texto Reencontro eu confessava que estava velho e agora voltei a sentir isso porque, quando me enviou a sua playlist, o Aluno do Escritor confessou que a escolha passava pela “boa colheita dos anos 80 e 90”. Ora, quem tem um aluno cujas reminiscências musicais remontam aos anos 80, está como há-de ir!
E o que ouve o Aluno do Escritor? Ele é um tipo eclético. Aquilo vale quase tudo menos Quim Barreiros, ainda assim, confesso que comungo de algumas preferências embore continue a achar que não percebo como é que alguém dorme a ouvir os Metallica!!! Mas enfim… passa.
Colocarei aquelas que me pareceram as que referiu com mais entusiasmo, tendo ressalvado que a escolha dependia do estado de espírito. Como se o estado de espírito de quem vai trabalhar às 7 da manhã para Lisboa mudasse muito…
Então o Aluno do Professor ouve Metallica, Tool, Guns n’ Roses, Manowar a José González, Alexi Murdoch, Jon Foreman, Samuel Barber – Adagio For Strings.


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SLB

Atão, mas a malta não perde? E empatar? Não há um empatezinho? Então isto é sempre uma tripla no totobola?
Caros amigos e leitores de outras sensibilidades futebolísticas: isto não é nada convosco.
É mesmo só com a malta doente pelo SLB: BENFIIIICA!!


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Curtas do Metro – O Infinito

O Infinito.

Estação dos Restauradores.
Estou a chegar. Vou caminhando devagar ao longo da plataforma. Sigo pelo centro. Nem chegado à linha, nem chegado à parede. Do meu lado direito, do lado da parede, está um casal jovem. Ambos com roupas, atitude e aspecto que indiciam os seus dezassete anos, não mais. Há cabelos desalinhados e piercings de sobrolho e estão carinhosamente de mãos dadas, virados para a linha. Do meu lado esquerdo, junto à linha, vem caminhando na minha direcção uma mulher jovem, muito sensual, muito atraente, muito… tudo, nos seus vinte e picos anos, blusa justa, casaco curto, mini-saia, meias coladas às pernas e sapatos de salto muito alto.
Quase que estivemos todos em paralelo porque quando passei junto do casal, a moça atraente tinha acabado de se cruzar comigo. E foi aí que a coisa se deu.
A rapariga do piercing puxou a mão que tinha solta atrás, tomou balanço, e enfiou um valente estalo de palma aberta na cara do namorado. Ele ficou meio assarapantado com a surpresa, piscou os olhos e mexeu a face como que a recolocar as carnes esbofeteadas no sítio e quando se sentiu recomposto, disse:
– O que é que foi? Estava só a olhar para o infinito!
– Eu dou-te o infinito!
Estas duas falas davam uma tese, mas eu não vou escrevê-la porque a secção se chama “Curtas do Metro”, contudo, sempre acrescento que, mesmo tendo em conta a violência do chapadão, eu, que também ia a olhar para o infinito, acho que aquele infinito vale a finitude de um estalo!


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Pressentimento de Luz

Pressentimento de Luz

Corre,
Apressado,
Nas minhas veias,
Um pressentimento de luz.

Vejo,
Libertado,
Enquanto passeias,
Um corpo esbelto que seduz.

Sinto,
Arqueado,
Quando me enleias,
O Destino que me conduz.

jpv


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O Clã do Comboio – A Playlist da Mulher Vampiro


A Playlist da Mulher Vampiro


Caros amigos e leitores,

como tem sido notório, o Clã do Comboio tem ocupado parte significativa da minha dedicação à escrita. É, de facto, um ambiente interessante, de uma multiculturalidade prenhe de rituais e hábitos e gestos previsíveis e imprevisíveis.
Alguns de nós estão conversando durante as viagens ou após as mesmas pelo que um dia destes lembrei-me de algo que me pareceu interessante. Muitos do elementos do Clã do Comboio fazem as viagens inteiras ou em parte ouvindo música. Lembrei-me de perguntar-lhes o que ouviam e pedir autorização para publicar aqui as suas playlists. Claro que nunca me referirei a eles identificando-os, mas somente através dos nomes, alcunhas ou descritivos que utilizei para os designar enquanto personagens do Clã.
Assim, e para começar, aqui fica a preferência musical da Mulher Vampiro que, como a própria referiu tem um “ritmo que acompanha o do comboio e funciona melhor que contar carneirinhos.” Nos seus trajes monocromáticos e negros, por baixo dos cabelos fulvos e junto à pele alva, quase pálida, a Mulher Vampiro ouve, sobretudo, um senhor que dá pelo nome de Nils Petter Molvaer.
Aqui ficam dois clips do senhor… e uma pergunta à nossa companheira do Clã: como é que alguém consegue dormir com isto nos ouvidos? Eu gostei. Mas para dormir?!


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Comentário

[Leitora assídua deste blogue comentando o post anterior… dei-lhe destaque porque achei tão doce e intenso quanto o próprio post!]
“O mundo é mesmo um lugar bonito quando nos aceitamos. Sobretudo quando conseguimos aceitar que o outro pense, aja, fale e ame de forma diferente de nós. Desde que seja com paixão…”
VG


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O Clã do Comboio – Sem Preconceitos.

Sem Preconceitos.Felizmente, sem preconceitos, ainda que sentindo o peso deles, elas chegaram à plataforma. O dia despontava com sol e Primavera e havia no ar a sensação de que o mundo ia ser um lugar bom para se estar.
Ela era baixa mas muito proporcionada. Tinha o cabelo louro a cair-lhe pelas costas em caracóis pequeninos. O olhar claro e enlevado de amores inequívocos era determinado. Roupas práticas. Não veio embarcar, veio só fazer companhia.
Ela era baixa mas muito proporcionada. Tinha a tez muito clara e o cabelo caía-lhe castanho pelos ombros em caracóois largos. Os olhos de amêndoa eram tímidos. Roupas práticas. Veio embarcar.
Quando se despediram, o olhar determinado procurou o olhar tímido e encontrou-o. Os lábios dela procuraram os lábios dela. O olhar tímido virou a cara e recebeu o beijo na face. O olhar determinado não queria despedir-se sem sentir-lhe o calor de um beijo apaixonado, colocou-lhe uma mão na nuca e beijou-a nos lábios forçando um bocadinho o tempo do beijo.
E foi aí que vi cair os preconceitos. O olhar tímido, olhou em volta à procura das recriminações, talvez, à procura de quem olhasse com ar de condenação, à procura de um risinho. Mas não encontrou nada disso. Tudo estava normal. Tinha sido beijada pela sua amada e o Universo não havia ruído. E isso trouxe-lhe coragem. Tomou ela a iniciativa. Colocou uma mão na nuca da sua amada, puxou-a para si e beijou-a carinhosamente. Como ambas mereciam. Sem preconceitos. E a Primavera esteve cumprindo a sua missão e o mundo, afinal, nasceu mesmo um lugar melhor para se estar.