“Caros amigos e família, tenho o prazer de anunciar que para mim e para a Ana começou uma nova vida, pois esperamos um bebé para breve. Beijos e abraços, Gabriel e Ana.”
Resta-me fazer publicamente o que fiz de imediato: felicitar os futuros papás, desejar-lhes felicidades infinitas e aconselhá-los, enquanto pai, que aproveitem cada momento, nunca adiem nada, experimentem tudo porque a vida, uma vida, é irrepetível.
Já quando foi do vulcão na Islândia falámos disto. Reparem como, quando a Natureza se mexe um bocadinho, proporções mínimas na dimensão do Universo, a vulnerabilidade e a fragilidade humanas se expõem.
Nós, por vezes, e por ilusão de perenidade, julgamos que temos força e que interferimos nos destinos do Universo e que temos soluções científicas. Não temos nada. Não somos nada. Somos só mais um minúsculo elemento de uma ordem maior. E não há mal nenhum nisso, mas deveria haver a humildade de reconhecer a nossa dimensão.
Andamos às voltas com crises políticas e financeiras, andamos à volta com discussões inócuas sobre os destinos das pessoas como se os controlássemos e, como se viu ontem, não controlamos nada.
Uma palavra de solidariedade e de esperança para os que sofrem com a catástrofe no Japão.
O poeta tinha razão. Não somos mais do que um bicho da terra tão pequeno.
Multiculturalidade Não se trata de uma história. É o mero anotar de um apontamento multicultural. Hoje, quando entrei no interregional das 7:18, a configuração daquela zona da carruagem ficou, subitamente, multicultural. À minha frente, à esquerda, um jovem casal de ciganos com sacos e malas diversas e uma conversa constante num tom audível e cantado como se cada frase fizesse parte de uma melodia andaluz. Também à minha frente, mas à direita, uma moça acerca de quem escreverei um dia destes, e cuja marca mais distinta é a suavidade e a doçura do sotaque brasileiro. Fala como se acariciasse as palavras e tivesse muito ciudado para não as partir. Não é música o que diz, é poesia. E, ao meu lado, um jovem africano, enfiado num fato-de-treino de feira, bem giro, por sinal, puxou do telemóvel e iniciou uma conversa imperceptível numa língua que não identifiquei, mas que tinha a envolvência e o calor do continente africano. Era melódica, mas de uma melodia recorrente nos sons e envolvente na tonalidade. Estava tudo a correr bem, quando entraram dois dos três amigos que querem salvar o mundo e não se calaram até Lisboa e não deixaram mais ninguém dormir e depois ainda tiveram a lata de dizer que o culpado era o escritor. E como falaram eles? Alto, mesmo a fingir que era baixo. Vozes ásperas e mudanças bruscas de tom. Qualquer coisa a parecer um faduncho de taberna em noite bem bebida! E o que é que se safou? Duas coisas. Primeiro, o humor. Um humor cáustico e peremptório a provocar gargalhadas abertas e fáceis. Segundo, a descrição da loira. Até eu, que não a vi, é como se a tivesse visto. Ia jurar que a vi. E gostei. – É assim o interregional das 7:18: tem seus momentos multiculturais!
Num post recente, chamado “Citação da Vida”, coloquei uma citação do filme Forrest Gump com uma imagem do protagonista, Tom Hanks. Surgiu um comentário muito simpático de um ex-aluno que trazia à baila memórias gratas. Não foi preciso mais para que a leitora MargaridaL mostrasse curiosidade, também nos comentários e logo surgiram alguns mails a pedir o trabalho. Foi há muitos anos e só me resta um velho guião das temáticas abordadas e dos excertos de filmes e de “Os Lusíadas” que as demonstravam.
A ideia era mostrar a intemporalidade da obra, ou seja, que muitos séculos depois, através de uma arte muito consumida, o cinema, as pessoas continuavam a revisitar as temáticas que Camões desenvolvera. A apresentação demorava três horas e aqui fica o seu esqueleto. É importante notar que não havia Internet e tudo foi feito vendo filmes e gravando excertos numa cassete vhs. Só é pena não ter os excertos em formato digital para vo-los mostrar, mas à medida que os for encontrando, vou acrescentando aqui os clips. O texto do guião é o original, ou seja, aquele que produzi há quase vinte anos e servia somente para eu fazer a articulação entre as leituras e a passagem dos excertos dos filmes. Divirtam-se!
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“Os Lusíadas” – Uma Proposta de Abordagem
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A INTRODUÇÃO
Não nos enganaremos muito se dissermos que, de uma forma ou de outra, todas as histórias têm uma introdução. De facto, frequentemente o autor sente a necessidade de apresentar a história antes de a desenvolver… “Os Lusíadas” não fogem a esta tendência e têm a sua PROPOSIÇÃO. Aí se apresenta a obra denunciado-se o que nela se poderá encontrar. Camões começa por falar de um passado recente:
As armas e os Barões assinalados Que, da Ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana,(. ..)
O mesmo tipo de referência a um passado recente acontece no filme A GATA BORRALHEIRA, da Walt Disney, de 1992. (Excerto)
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O poeta fala, depois, de um passado mais longínquo:
E também as memórias gloriosas Daqueles Reis que foram dilatando A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
É também a um passado longínquo que nos leva o Dr. Watson quando conta as aventuras de Sherlock Holmes, ainda adolescente. É a imaginação de Steven Spielberg em O ENIGMA DA PIRÂMIDE de 1985. (Excerto)
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No fundo, a PROPOSIÇÃO d’ “Os Lusíadas” prepara-nos para todas as aventuras, para todas as vidas dos lusitanos… Tal como o faz FORREST GUMP, referindo-se aos seus sapatos na introdução do filme homónimo realizado em 1995 por Robert Zemeckis. (Excerto)
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A TEMÁTICA DO DESTINO
Mas, em todas as histórias, nomeadamente nas épicas, há destino em jogo e há influências mais ou menos poderosas que tentam controlar os destinos. Nós humanos, não raro, julgamos controlar o nosso destino e esquecemo-nos de que, por vezes, os deuses têm uma palavrinha a dizer… Esta “personificação” das forças do destino em divindades quase sempre tem efeitos narrativos interessantes permitindo-nos visualizar, claramente, as referidas forças. N’ “Os Lusíadas” analisamos, muitas vezes, com os alunos, o episódio do CONCILIO DOS DEUSES e aí, as divindades decidem ajudar os portugueses:
Que sejam, determino, agasalhados Nesta costa africana como amigos. E, tendo guarnecida a lassa frota, Tornarão a seguir sua longa rota.
Segundo a Walt Disney, no filme O TROMBONE BARULHENTO de 1990, o concílio dos deuses resulta numa ajuda, não aos nautas mas… ao Pato Donald! (Excerto)
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Não são só os deuses etéreos que reúnem, também os deuses marítimos se juntam para conversar e conviver no seu húmido elemento:
Julgando já Neptuno que seria Estranho caso aquele, logo manda Tritão, que chame os deuses da água fria,
Até parece que alguém da Walt Disney leu “Os Lusíadas” antes da produção do filme A PEQUENA SEREIA em 1991. (Excerto)
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Para concluir esta questão do poder divino sobre os humanos e das suas secretas reuniões trouxemos uma das mais interessantes e cómicas abordagens do assunto nos últimos anos. Está logo no início da obra NA PELE DE UMA LOIRA realizada por Blake Edwards em 1991. (Excerto)
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A TEMÁTICA DO AMOR
Seja qual for o destino das personagens a uma boa história não pode faltar esse condimento que é também o condimento da própria vida: O AMOR. Não é possível prescindir de um sentimento tão belo e profundo, no entanto é preciso estarmos conscientes de que o AMOR nem sempre se manifesta da forma que mais desejamos. Na verdade, da mesma forma que nos transporta para a felicidade, pode precipitar-nos para o sofrimento. Vejamos, então, algumas das diferentes manifestações desse nobre sentimento:
Por vezes assume a máscara da SEDUÇÃO para se conseguir que um pedido de ajuda seja atendido. É o que acontece com Vénus que seduz Júpiter ao mesmo tempo que lhe pede ajuda para os portugueses:
E, por mais namorar o soberano Padre(…) Os crespos fios de ouro se esparziam Pelo colo que a neve escurecia; Andando, as lácteas tetas lhe tremiam(…) E destas brandas mostras comovido,(…) Formosa filha minha não temais Perigo algum nos vossos lusitanos,(…)
Do mesmo modo, Kim Basinger seduz, suplica e consegue de Richard Gere ajuda para a sua irmã, Diana no filme DESEJOS FINAIS de Phil Joanou de 1992. (Excerto)
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Pode-se igualmente conseguir ajuda apelando, não para a sedução, mas para o AMOR PATERNO, de facto, um pai ama tudo o que uma filha ama, mesmo que, à partida, se mostre relutante. É o que acontece com a súplica da Formosíssima Maria a seu pai, D. Afonso IV, quando lhe pede que ajude seu marido, apesar deste ser o Rei de Castela:
Portanto, ó Rei,(…) Se esse gesto, que mostras claro e ledo, De pai o verdadeiro amor assela Acude e corre, pai, que, se não corres, Pode ser que não aches quem socorres.(…) Tudo o clemente Padre lhe concede,(…)
Também o pai aceita tudo o que a filha lhe pede, movido por esse amor que só os pais entendem em O PAI DA NOIVA, realizado por Charles Shyer em 1992. (Excerto)
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Mas, por vezes, o AMOR É IMPOSSÍVEL, chega mesmo a ser tragicamente impossível. O Gigante Adamastor é vítima da impossibilidade de concretizar o seu amor por Thétis, pois como pode um monstro disforme ser correspondido por uma bela ninfa?
Todas as Deusas desprezei do Céu, Só por amar das águas a princesa. Um dia a vi,(…) Sair nua na praia:(…) Que inda não sinto coisa que mais queira. Como fosse impossibil alcançá-la, Pela grandeza feia de meu gesto,(…)
Há, pelo menos, um filme onde o monstro também parece apaixonar-se ao primeiro contacto, e onde, devido ao seu físico descomunal e feio, ele sente a impossibilidade desse amor. Estamos a falar da BELA E O MONSTRO, Walt Disney, 1993. (Excerto)
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Mais triste do que um amor impossível, só quando um dos amantesMORRE POR AMAR o outro como sucede a Inês de Castro:
Ó tu que tens de humano o gesto e o peito (Se de humano é matar uma donzela, Fraca e sem força, só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-la),(…)
Inês mostra uma clara consciência de dar a sua vida pelo amor que tem a Pedro, tal como Elizabeth dá a sua pelo amor que tem ao jovem Sherlock Holmes em O ENIGMA DA PIRÂMIDE, Steven Spielberg, 1985. (2 Excertos)
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E será que somos capazes de resistir à IRA, à VINGANÇA POR AMOR, quando nos roubam, assim, brutalmente, o nosso ente mais amado? Pedro não resistiu e vingou-se como é claro na estrofe 136 do canto III:
Não correu muito tempo que a vingança Não visse Pedro das mortais feridas, Que, em tomando do reino a governança, A tomou dos fugidos homicidas. (…)
É uma visão deste lado cruel do amor que nos dá, em 1996, o realizador David Fincher, na obra SETE PECADOS MORTAIS. (Excerto)
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A TEMÁTICA DA CORAGEM
Um elemento tão necessário como o amor a uma narrativa, sobretudo se se tratar de uma epopeia é a CORAGEM. O interessante, para além de assumir formas variadas, é que a coragem parece estar sempre muito próxima do medo. Uma das primeiras coragens que a vida nos exige é a de assumir a nossa existência, assumir os nossos valores e lutar por eles mesmo que se oponham a valores mais antigos. É preciso respeitar os mais velhos, mas também é necessária a CORAGEM DE OS ULTRAPASSAR (Superação), de os superar. É esta coragem que têm os nautas quando, depois de ouvirem o Velho do Restelo, iniciam a sua viagem, acreditando na sua própria vontade, na sua própria vida:
Oh! Maldito o primeiro que, no mundo, Nas ondas vela pôs em seco lenho! (…)
Estas sentenças tais o velho honrado Vociferando estava, quando abrimos As asas ao sereno e sossegado Vento, e do porto amado nos partimos.
Este virar de costas ao passado e aos seus valores para lutarmos e vivermos aquilo que acreditamos exige coragem, coragem de superar… Esta situação tem um exemplo interessante no filme COMPANHEIROS DE QUARTO, de Peter Yates, 1996. (Excerto)
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No entanto, mais do que superar o passado torna-se, em determinadas situações, imperioso SUPERARMO-NOS A NÓS PRÓPRIOS (Superação de si mesmo) para podermos continuar a viver, mais do que isso, a ser livres. É esta situação que vive D. Nuno Álvares Pereira com os companheiros durante a Batalha de Aljubarrota onde, só um esforço de superação do seu próprio valor poderia conduzir à Liberdade. D. Nuno começa por dirigir-se aos duvidosos:
Se o valor tiverdes(…) Desbaratareis tudo o que quiserdes(…) E se (…)vos não moverdes Do penetrante medo que tomastes, Atai as mãos ao vosso vão receio,Que, eu só, resistirei ao jugo alheio
Perante estas palavras de incentivo e desafio os homens avançaram para a batalha que viria a ser de glória mas, como todas, de violência, de sangue, de morte:
Já pelo espesso ar os estridentes Farpões, setas e vários tiros voam; Debaixo dos pés duros dos ardentes Cavalos treme a terra, os vales soam. Espedaçam-se as lanças, e as frequentes Quedas co’ as duras armas tudo atroam.
Um exemplo flagrante desta coragem e que ilustra bem as palavras de Camões é-nos dado no filme BRAVEHEART, realizado em 1996 por Mel Gibson. (Excerto)
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Como já deixámos antever, aliado à coragem está sempre o medo. Para que a vida prossiga é preciso que SUPEREMOS OS NOSSOS MEDOS, os nossos fantasmas, os nossos Adamastores. Na verdade, o gigante simboliza o medo do desconhecido e os nautas são a força que supera esse medo:
Súbito d’ante os olhos se apartou. Desfez-se a nuvem negra, (…)
Este momento em que dobramos o medo do que vem a seguir, do desconhecido, é sempre fulcral nas nossas vidas e determinante do nosso futuro como se vê em O REGRESSO AO FUTURO de Robert Zemeckis, 1985. (Excerto)
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Mas, se o medo é invisível, como enfrentá-lo? Ao longo dos séculos, os autores têm superado esta questão através da PERSONIFICAÇÃO DO MEDO, até porque, desta forma, o receptor pode aperceber-se melhor da grandiosidade da coragem de quem supera esse medo: trago-vos duas dessas personificações que, tendo quatro séculos a separá-las, são igualmente expressivas e, até certo ponto, similares.
A primeira é:
De disforme e grandíssima estatura; O rosto carregado, a barba esquálida, Os Olhos encovados, e a postura Medonha e má(…) A boca negra, os dentes amarelos.
A segunda é:
ALIEN III, David Fincher, 1993.(Excerto)
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Observemos agora o outro lado da coragem –A FANFARRONICE – É uma filha menos nobre da coragem, irmã gémea da cobardia, e, juntamente com ela, uma das ovelhas negras da família dos nossos sentimentos. N’ “Os Lusíadas”, Camões já se debruça sobre esta falsa coragem e cria o Veloso que atreve, por arrogância e falsa coragem, a meter-se pelo mato dentro com uns nativos quando desembarcam na Baía de Stª Helena:
E, de arrogante, crê que vai seguro Mas, sendo um grande espaço já passado, (…) Aparece e, (…) Mais apressado do que fora, vinha.
Vejamos um Veloso nosso contemporâneo no filme EXTREMAMENTE PERIGOSOS, Herbert Ross, 1994. (Excerto)
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No entanto, e como qualquer bom fanfarrão, o Veloso não deu parte fraca e contou a história à sua maneira:
Mas, quando eu para cá vi tantos vir Daqueles cães, depressa um pouco vim, Por me lembrar que estáveis cá sem mim.
Vejamos se o nosso fanfarrão contemporâneo também sabe contar a história à sua maneira… EXTREMAMENTE PERIGOSOS, Herbert Ross, 1994. (2 Excertos)
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TEMÁTICA DA TEMPESTADE
A verdade é que não há como uma boa prova para testar a nossa coragem. Essa prova é, frequentemente, um fenómeno natural, como, por exemplo, uma TEMPESTADE. Muitas vezes estudamos, com os nossos alunos, este trecho:
O céu fere com gritos(…) Que, no romper da vela, a nau pendente Toma grão suma de água pelo bordo. (…)
Nos altíssimos mares que crescem, A pequena grandura dum batel Mostra a possante nau, (…)
Agora sobre as nuvens os subiam As ondas de Neptuno furibundo; Agora a ver parece que desciam As íntimas entranhas do profundo.
Verifique-se como é óbvia a semelhança e como é fácil materializar, visualizar esta descrição apocalíptica através de um excerto do filme A ILHA DAS CABEÇAS CORTADAS de Renny Harlin, 1995. (Excerto)
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A TEMÁTICA DA DECADÊNCIA PELA AMBIÇÃO DESMEDIDA
Se tivermos coragem para ultrapassar todas as dificuldades e obstáculos, arriscamo-nos a realizar o nosso sonho, mas cuidado para que as vitórias não vos façam incorrer na AMBIÇÃO DESMEDIDA porque esta leva à decadência e até à própria morte! É Camões que nos avisa:
E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que indignamente Tomais mil vezes, e no torpe e escuro Vício da tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro, Verdadeiro valor não dão à gente.
Este tema da decadência pela ambição desmedida, da efemeridade dos bens materiais que não só não valorizam as gentes mas as podem precipitar no abismo da decadência vai ser retomado muitas vezes ao longo dos séculos e irá encontrar no cinema um campo fértil para se desenvolver, tal como em INDIANA JONES E A ÚLTIMA CRUZADA, de Steven Spielberg, 1990. (Excerto)
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TEMÁTICA DA CONCRETIZAÇÃO DO SONHO
Conciliada a vontade dos deuses, ou seja, a força do destino, com a capacidade de amar, com a coragem para superar obstáculos e evitada uma ambição desmedida, então o sonho concretiza-se! “Os Lusíadas” são isso mesmo, A EPOPEIA DA CONCRETIZAÇÃO DO SONHO – a descoberta do caminho marítimo para a Índia:
Depois que a larga terra lhe aparece, Fim de suas porfias tão constantes,(…)
Leves embarcações de pescadores Acharam,(…) Para lá logo as proas se inclinaram,(…)
Lá bem no grande monte que, cortando Tão larga terra, toda a Ásia discorre,(…)
O momento da concretização do sonho tem sido objecto de várias interpretações cinematográficas. Nós escolhemos aquela que nos parece ser a mais expressiva e, talvez, a mais similar à situação que o Gama viveu. 1492, Ridley Scott, 1992. (Excerto)
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TEMÁTICA DA RECOMPENSA
Concretizado o sonho, por meio de um esforço para além do que prometia a força humana, isto é, de um esforço heróico, épico, torna-se indispensável premiar os heróis com algo mais do que a honra do acto em si, é preciso materializar a recompensa, uma recompensa acima de todas as outras: A ILHA DOS AMORES que vem ao encontro dos nautas e onde estes se unirão às ninfas para dar origem a uma nova geração:
De longe a Ilha viram, fresca e bela, Que Vénus pelas ondas lha levava (Bem como o vento leva branca vela) Para onde a forte armada se enxergava; Que, por que não passassem, sem que nela Tomassem porto, como desejava, Para onde as naus navegam a movia A Acidália, que tudo, enfim, podia.
O prémio que vou mostrar-vos também é a recompensa de um esforço heróico, também é trazido por uma entidade sobre-humana, também é uma ilha móvel, também vem ao encontro dos nautas, também une um nauta e uma ninfa num beijo glorioso que, esperemos, dê origem a uma nova geração. Foi no dia em que vimos este filme que idealizámos o presente trabalho. Trata-se de O ABISMO, de James Cameron, 1990. (Excerto)
Não sou, porque nunca fui, uma pessoa de dias internacionais e mundiais e outros que tais. E a razão é simples, sou uma pessoa de todos os dias, os dias todos.
Acontece que tenho uma Mãe, uma Mana, uma Mulher, várias Marias, e muitas Mulheres na minha vida. Homenageio-as sempre que posso. Sempre que estou com elas tento que isso seja uma homenagem. Mas não era possível passar ao lado desta data. A data da Maternidade. A data da graciosidade. A data da generosidade.
Gostava que um dia, a Humanidade se reunisse em torno da indispensabilidade da Mulher. Muito sinceramente, não me interessa muito as que são amadas e desamadas. Isso são circuntâncias das vivências de cada um. Mas interessa-me profundamente que todas sejam respeitadas.
O meu respeito, a minha consideração e a minha vénia a todas as Mulheres, as que comigo se cruzaram e cruzam, e a todas as outras que fazem deste mundo um local melhor para se estar. Que lhe trazem conforto e amparo e força e perseverança. Consigo imaginar o Universo sem algumas das suas componentes, mas não consigo concebê-lo sem a presença da Mulher. E talvez seja isso por estarem elas na origem de todas as coisas!
Magoa-me a mentira. Como me magoa a omissão. Não pela mentira em si. E a razão é simples. Todos mentimos. Faz parte do nosso processo de mediação. Quem afirma convictamente que não mente, já está a mentir. O que me fere são as razões por trás da mentira. As mediações. As falhas de quem mente e as falhas daquele a quem se mente. Sim, uma mentira nunca é imputável somente a quem mente, mas de igual modo a quem se mente. E as proporções de responsabilidade podem ser iguais ou não. E, não o sendo, não são, forçosamente, superiores na pessoa do mentiroso!
Magoam-me as mentiras e as omissões. As dos outros e, mais profundamente ainda, as minhas.
– How do you know that I am not your husband?? – I know because… – How do you know??? – I know because… – HOW DO YOU KNOW??? – I KNOW BECAUSE I NEVER LOVED HIM THE WAY I LOVE YOU.
Jodie Foster e Richard Gere in Summersbee – O Regresso de um Estranho.
– E não queria dizer-to já, mas tu precipitaste as coisas. Agora sei porque dizem que as mulheres têm um sexto sentido. Parece que estavas a adivinhar…
– Mas porquê? Nós não escondemos nada um do outro.
– E continuaremos sem esconder.
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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.
Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.
O Amor Próprio nasceu como uma página nas redes sociais e se transformou em um espaço acolhedor para quem busca reencontrar sua força, sua essência e seu valor.
O assunto básico é Arte/Fotografia e Psicologia. Eventualmente há indicações de livros e equipamentos interessantes lincados na Amazon, Shopee e SocialSoul.