Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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O Clã do Comboio – Felicitações!

Felicitações!
Um dos três amigos que querem salvar o mundo, o RB, vai ser pai por estes dias!

Ao escritor cabem-lhe duas tarefas. Uma é desejar que tudo corra bem, que todas as coisas resultem numa criança saudável, numa mãe sem complicações de saúde e num pai que, apesar de feio (ora toma que é para não me chamares retrógrado!!! hahaha), seja muito babado!
A outra é desejar as maiores felicidades para os pais e para a criança, um percurso de vida longo e bonito para todos!
Por fim, dizer que estes votos não são só em nome do escritor mas de todo o Clã do Comboio com particular ênfase para algumas personagens mais próximas do RB, os outros dois amigos que querem salvar o mundo, a mulher vampiro, o aluno do escritor, o músico, o ceguinho, a stôra, e todos os outros que tu não deixas dormir quando te pões a dizer que o MV é um tipo muito atraente e jovem!!! Hahahaha…
Amigo, com ou sem comboio, que a vida te sorria, a ti e à tua família!
O Escritor


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Curtas do Metro – Desculpe?

Desculpe?

9 horas. Estação do Metro de Baixa-Chiado à espera de composição para o Cais do Sodré.
Entro numa carruagem razoavelmente composta sem estar atulhada. Atrás de mim entram seis japoneses. Três casais em idade de reforma. Estranhei o facto de estar a acontecer uma desgraça com uma dimensão tremenda no Japão e andarem ali aquelas pessoas alegremente em férias. Claro que, depois, racionalizei: a vida continua.
Os três homens tinham casacos de penas e calçavam sapatilhas com meias brancas. As três mulheres tinham chapéus redondos enterrados na cabeça com uma aba que, à frente, estava dobrada para cima. Os seis tinham máquinas fotográficas ao pescoço. A mim, calhou-me a Nikon. O Metro arrancou, uma das senhoras não se tinha agarrado, caiu para cima de mim mas não chegou a tocar-me porque me enfiou com a longa objectiva da Nikon no bucho.
Olhou para mim com um ar de japonesa comprometida e disse qualquer coisa que soou assim:
– Shin-shoé.
Sorri um sorriso amarelo de quem acabou de levar com uma objectiva no estômago. A senhora encolheu os ombros. Eu também. E pronto, lá aprendi como se diz “desculpe” em japonês. Ou foi isso, ou foi outra coisa qualquer!

jpv


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Retoma

Andar por Lisboa, nos dias de hoje, e, em particular, pelo Metro, significa cruzarmo-nos com publicidade a cada instante. Acontece que, por vezes, por entre a amálgama de lugares comuns e anúncios sem imaginação, aparecem algumas pérolas de imaginação e criatividade. É o que acontece com este programa de “retomas” da Triumph.


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Daybreak

Se esta música não te fizer sentir nada, o problema é teu, não do resto do Universo.


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Procura-se!

Procura-se!

Esgueira-se um rumor
Sussurrado
Por entre as gentes
Que passam.
Dizem
Que há um homem culpado
De gestos que enlaçam.

E carrega na culpa
Esse traço impreciso
Que é viver a loucura
Em seu perfeito juízo.

E há cartazes
E procuras insanas.
Contratam-se os audazes
Para tarefas mundanas.
Procurem-no!
E encontrem-no!
Tragam-no à presença dos responsáveis.
Façam dele um exemplo
Um caso de estudo
Das loucuras saudáveis.

Não sabes,
Homem que passas,
Que não interessa
Nada do que faças
Enquanto não fores louco,
Não ousares
Quebrar a barreira do pouco
E viver a plenitude
Do que sentes e pensas.

Essa ousadia tamanha
Que encerra a coragem
E a vida
Num olhar,
Numa mão perdida,
Num corpo abandonado
Ao amor,
Só está ao alcance
De quem ousar a loucura e for.

Ficar.
Ficamos todos!

jpv


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Pão com Queijo

Pão com Queijo

Ela tinha um desejo
Adequado e muito são.
Colocar duas fatias de queijo
Dentro de um pão.

Mas a vida dá voltas
À volta com o Destino
E colocou no pãozinho
Fatias de fiambre fino.

E foi essa a merenda
Do carinho e do amor.
Ela deu-lhe uma prenda
Ele arfou com folgor.

E acaba aqui a história
Com final como convém.
E assim se fará memória
Entre quem se quer bem.

jpv


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Ode por um Atraso

Ode por um Atraso

Escorrem os minutos
Pela minha impaciência
E procuro do Universo a ciência
De voar para ti.
Entrego as passadas
À sorte e ao acaso
E procuro convencer-me
De que é só um atraso.
E anseio ter-te
Nos braços
Em ritual
De estreitar laços
E ternuras.
Mas tu estás atrasada
Para as nossas loucuras.
E o dia fica
Com um tom sombrio,
Corre-me o dorso
Um pressentimento frio.
Virás?
E iluminas-me a alma
Irradias a luz da tua presença,
Inundas a paisagem com a sentença
De um sorriso.

E recomeça a vida
Em tempo conciso.
E há palavras
E beijos
E há um festim de sensualidade
Que se estende
Por um tempo
E um espaço
Sem idade.
E há cavalos à solta
E cavaleiros entusiasmados
Há receios a cair
E lábios inchados.

Fenece o dia
Começa a aventura
Em tons de harmonia
E pinceladas de ternura.
E caiu mais um muro
Em poucos instantes,
Foi num ermo escuro
A poesia dos amantes.
E o que lá ficou
Marcando o local,
É um rio
Que inundou
As terras de Portugal.

Uma palavra final
Para este estranho caso
Foi uma alegria total
Receber-te em mim
Com ilusório atraso.

jpv


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Estranha

Estranha

Ias ali,
Mas não sei onde estavas.
Sei só
O peso que carregavas
No olhar.
Não há
Neste mundo de mortais
Nada que valha
A morte
De um sorriso, jamais.
Sorri,
Estranha,
A esta vida
Que engana.
E traz a este mundo
A luz
Da Beleza
Que o teu sorriso produz.

jpv


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Elogio ao Amor

[Não sendo eu um apreciador da prosa de Miguel Esteves Cardoso, sempre lhe reconheci e gostei de certa crueza na forma como encara e expõe as ideias. Estou a postar este texto dele porque tenho pensado nisto. Nesta vida de meias tintas e conveniências que nos assola. Falta assumir. Falta sofrer. Falta acreditar. Faltam ideias e ideais. Aqui fica, pois, para memória futura.]
———————-

Elogio ao amor

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio,não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”
Miguel Esteves Cardoso in Expresso.


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Vieille canaille


Se esta música não te fizer sentir nada, já sabes, mão no peito a ver se ainda tens um coração que bata!