Felicitações!
Um dos três amigos que querem salvar o mundo, o RB, vai ser pai por estes dias!
Monthly Archives: Março 2011
Curtas do Metro – Desculpe?

Desculpe?
9 horas. Estação do Metro de Baixa-Chiado à espera de composição para o Cais do Sodré.
Entro numa carruagem razoavelmente composta sem estar atulhada. Atrás de mim entram seis japoneses. Três casais em idade de reforma. Estranhei o facto de estar a acontecer uma desgraça com uma dimensão tremenda no Japão e andarem ali aquelas pessoas alegremente em férias. Claro que, depois, racionalizei: a vida continua.
Os três homens tinham casacos de penas e calçavam sapatilhas com meias brancas. As três mulheres tinham chapéus redondos enterrados na cabeça com uma aba que, à frente, estava dobrada para cima. Os seis tinham máquinas fotográficas ao pescoço. A mim, calhou-me a Nikon. O Metro arrancou, uma das senhoras não se tinha agarrado, caiu para cima de mim mas não chegou a tocar-me porque me enfiou com a longa objectiva da Nikon no bucho.
Olhou para mim com um ar de japonesa comprometida e disse qualquer coisa que soou assim:
– Shin-shoé.
Sorri um sorriso amarelo de quem acabou de levar com uma objectiva no estômago. A senhora encolheu os ombros. Eu também. E pronto, lá aprendi como se diz “desculpe” em japonês. Ou foi isso, ou foi outra coisa qualquer!
jpv
Retoma
Daybreak
Procura-se!

Procura-se!
Esgueira-se um rumor
Sussurrado
Por entre as gentes
Que passam.
Dizem
Que há um homem culpado
De gestos que enlaçam.
E carrega na culpa
Esse traço impreciso
Que é viver a loucura
Em seu perfeito juízo.
E há cartazes
E procuras insanas.
Contratam-se os audazes
Para tarefas mundanas.
Procurem-no!
E encontrem-no!
Tragam-no à presença dos responsáveis.
Façam dele um exemplo
Um caso de estudo
Das loucuras saudáveis.
Não sabes,
Homem que passas,
Que não interessa
Nada do que faças
Enquanto não fores louco,
Não ousares
Quebrar a barreira do pouco
E viver a plenitude
Do que sentes e pensas.
Essa ousadia tamanha
Que encerra a coragem
E a vida
Num olhar,
Numa mão perdida,
Num corpo abandonado
Ao amor,
Só está ao alcance
De quem ousar a loucura e for.
Ficar.
Ficamos todos!
jpv
Pão com Queijo

Pão com Queijo
Ela tinha um desejo
Adequado e muito são.
Colocar duas fatias de queijo
Dentro de um pão.
Mas a vida dá voltas
À volta com o Destino
E colocou no pãozinho
Fatias de fiambre fino.
E foi essa a merenda
Do carinho e do amor.
Ela deu-lhe uma prenda
Ele arfou com folgor.
E acaba aqui a história
Com final como convém.
E assim se fará memória
Entre quem se quer bem.
jpv
Ode por um Atraso

Ode por um Atraso
Escorrem os minutos
Pela minha impaciência
E procuro do Universo a ciência
De voar para ti.
Entrego as passadas
À sorte e ao acaso
E procuro convencer-me
De que é só um atraso.
E anseio ter-te
Nos braços
Em ritual
De estreitar laços
E ternuras.
Mas tu estás atrasada
Para as nossas loucuras.
E o dia fica
Com um tom sombrio,
Corre-me o dorso
Um pressentimento frio.
Virás?
E iluminas-me a alma
Irradias a luz da tua presença,
Inundas a paisagem com a sentença
De um sorriso.
E recomeça a vida
Em tempo conciso.
E há palavras
E beijos
E há um festim de sensualidade
Que se estende
Por um tempo
E um espaço
Sem idade.
E há cavalos à solta
E cavaleiros entusiasmados
Há receios a cair
E lábios inchados.
Fenece o dia
Começa a aventura
Em tons de harmonia
E pinceladas de ternura.
E caiu mais um muro
Em poucos instantes,
Foi num ermo escuro
A poesia dos amantes.
E o que lá ficou
Marcando o local,
É um rio
Que inundou
As terras de Portugal.
Uma palavra final
Para este estranho caso
Foi uma alegria total
Receber-te em mim
Com ilusório atraso.
jpv
Estranha
Elogio ao Amor
Elogio ao amor


