Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Curtas do Metro – Está Cá?

Está Cá?

Os tempos são o que são. Os costumes mudam com eles. E estes são tempos de tecnologias. Um dia destes, chegou-me por e-mail um daqueles PowerPoints que ninguém abre mas todos conhecem e trazia a história do pai que chama o filho para jantar via e-mail, estando ele no andar de cima da mesma casa. Achei aquilo exagerado, mas depois do que assisti hoje no Metro, resolvi reconsiderar.

Uma estava sentada. Teria aí uns dezassete anos e vestia as roupas e as cores da sua idade. A outra ia de pé com roupas e cores para a mesma idade. A que ia sentada viu a que ia de pé junto à porta. A que ia de pé não viu a que ia sentada. É importante que se esclareça que não distavam uma da outra mais do que dois metros. Estavam a um passo uma da outra!

A que ia sentada sacou do telemóvel, marcou um número e esperou. Tocou uma música metálica e a que ia de pé tirou o seu telemóvel da mala e atendeu:
– Está lá?
– Olá!
– Olá!
– Olha, senta-te aqui ao pé de mim.
A que ia de pé olhou em volta, detectou a outra, olharam-se mutuamente e ela disse num tom de voz que tanto se ouvia dentro como fora da maquineta:
– Ah, estás aí!
– Estou.
– Bom dia.
– Bom dia.
Trocaram um beijinho e depois desligaram os telemóveis.

jpv


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Divulgar a Primavera…

Com responsabilidade. São mensagens de interesse e responsabilização que, cada vez mais, temos de associar à comemoração da explosão do sol, do verde, dos passarinhos e das paixões arrebatadas. Sim, a Primavera é inigualável e é por isso que os nossos filhos e netos também devem ter direito a uma:


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Brisa Marinha

Brisa Marinha

Corre a suave brisa
Pela face admirada,
Veio em pesquisa
Da vontade libertada.
E sinto o fresco
E a vida
E vejo no mar o pulmão
Que trará a esta alma
Perdida
Um rumor de regeneração.

E nasce no poeta a ideia
De levantar-se e semear,
Mas é estéril a areia
Sempre lavada pelo mar.

jpv


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Mar Vespertino

Mar Vespertino

Uma prata ondulante
Em água marinha espelhada
Acorda-me o tempo distante
Da vida em alvorada.
E sinto-te a força
Que seduz,
A pujança do bramir
E o intenso brilho da luz.
E quero voltar,
Ir à procura do meu mar,
Errante e perdido,
Ecoando meu próprio bramido.
Só ir. Sem voltar.
E sinto neste mar
O prenúncio das minhas passadas
Nas suas ondas brutais.
Não sendo todas diferentes
Nenhumas são iguais.

jpv


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Pescador

Pescador

Anda um pescador atarefado
Atirando e estendendo a linha,
Parece um homem condenado
A ter a alma sozinha.
E há nos seus gestos banais
Um sentido global,
Como os grãos pequeninos nos areais
A comporem o quadro universal.
Interessa-lhe que tudo seja feito
E desde que o Universo o deixe,
Há-de chegar o dia
Em que até lhe interessa o peixe!

Já te percebi, ó pescador.
Pertences a uma casta de audazes,
Em cada gesto tens a dedicação e o amor
E não importa tanto o que pescas como o que fazes.

jpv


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Escultor de Sonhos

Escultor de Sonhos

Era o mar que observavas
Ou era ele que te esculpia
Os sonhos?
Era a brisa que saboreavas
Ou era ela que te embalava
A imaginação?
Entregavas-lhe o que és
E pedias de volta
O que querias ser,
Olhaste-o sem temer
E enviaste-lhe uma mensagem
Perfeita e concisa
Envolta no sussurro da brisa:
Realiza-me os sonhos!
E por cada desejo,
E por cada pedido,
Recebias a força e o ensejo
De um sonho apetecido.
E ali estiveste ondulando o pensamento
No mar brilhante e encapelado
E quando chegou o momento
Julgaste ter vivido
O que havias sonhado.

jpv



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Ao Sol

Ao Sol

Que mais ingredientes serão precisos,
Que os teus lábios nos meus?
O Mar em estrondosa exaltação,
O teu corpo no meu corpo,
O sol brilhante queimando a paixão?
Que mais primavera,
Que outro Universo?
Que gloriosos dias mais
Que perder-me em ti
No calor alvo dos areais?

jpv


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De Negro Vestida – LXXII

 

Abandonar o Negro – IX

Há quem tenha dito, quem tenha escrito e quem tenha defendido que há tantas realidades quantas as pessoas. Parece-nos restrito, o critério e são muitas mais as realidades porquanto cada pessoa vê e interpreta cada realidade como sendo outra consoante o seu estado de espírito. Ora, um dos que mais frequentemente e com maior intensidade altera o mundo que nos rodeia é o enamoramento.

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O Romance “De Negro Vestida” foi publicado, capítulo a capítulo, neste blogue, entre 26 de janeiro de 2010 e 22 de abril de 2011.

Agora que conhecerá outros voos, nomeadamente, a publicação em livro, deixamos aqui um excerto de cada capítulo e convidamos todos os amigos e leitores a adquirirem o livro.

Obrigado pela vossa dedicação.

Setembro de 2013

João Paulo Videira

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Somewhere Over the Rainbow

Todos os dias, caros leitores, deveriam começar com esta sonoridade!
Bom dia e bom fim-de-semana!