Mails para a minha Irmã

"Era uma vez um jovem vigoroso, com a alma espantada todos os dias com cada dia."


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Made in China

Made in China

Era uma montanha
Com casario serpenteando a colina.
Era o breu da noite
Cortado por uma luz feita na China.

E não havia gente
Que a gente estava dormindo,
E cortava o frio constante
A luminosa estrela cintilante.

E senti naquilo um prenúncio,
Um aviso de um povo distante,
Um luminoso anúncio
De uma combinação intrigante.

Lá longe, onde se não ouve a Sua palavra,
Há um menino que produz
Esta luz psicadélica e brilhante
Que anuncia a chegada de Jesus.

jpv


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Morte d’Alma

Morte d’Alma

Ninguém percebeu.
Ninguém viu.
Ninguém suspeitou.
Qualquer coisa se partiu.
Algo em minh’alma se quebrou.

Foi uma coisa despercebida
Que fez um estrondo só meu.
Foi um lenço branco de despedida
Na mão de uma donzela que morreu.

E o navio já lá vai,
Eu lá com ele,
Eu cá comigo.
E pergunto a meu defunto pai
Qual é da vida o maior perigo.

E responde-me com palavras doces e suaves:
“Filho, arrepende-te do que fizeres,
Não queiras arrepender-te do que não fazes.
Procura no peito o que quiseres
E segue-o com gestos ousados e audazes.”

Morreu algo em minh’alma
E, no meio da turba, sinto chegar a calma.

jpv


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Alvorada

Alvorada

Vós, na cama deitados,
Não tendes como saber
Que anda no céu uma nota de alegria.
Junto às sete e trinta,
A luz faz uma finta
Ao breu
E já se vê o dia.
Anda o Sol às voltas
Com as voltas da Terra
E banha-a de mansinho,
E meu visual sentido não erra
Porque se corta a noite devagarinho.
E espraia-se a alvorada,
E isto é tudo
mesmo parecendo nada.
Há luz e vida
Nesta revolta.
Há um anunciar
De Liberdade.
Há almas vivas à solta.
E neste sentido
Que me conduz
Minh’alma nasce para a vida
Para a esperança e para a luz.

jpv